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Os artigos veiculados neste blog podem ser utilizados pelos interessados, desde que citada a fonte: GÖLLER, Lisete. [inclua o título da postagem], in Memorial do Tempo (https://memorialdotempo.blogspot.com), nos termos da Lei n.º 9.610/98.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Família Göller - Lápides - Ramo Johann Göller


IMIGRANTE JOHANN GÖLLER E ESPOSA MARGARETHA SCHMITZ

SUB-RAMO JACOB GÖLLER E ELISABETHA KEHL



Túmulo de Jacob Göller e da esposa Elisabetha Kehl no Cemitério Católico de Alto da União - Ijuí RS


Túmulo do filho Leopoldo Felipe Göller e da nora Paulina Ludwig no Cemitério Católico de Augusto Pestana RS


Túmulo do neto Pedro Göller (filho de Leopoldo Felipe) no Cemitério Católico de Augusto Pestana RS


Lápide do túmulo do filho Matias Göller e da nora Emilia Stein no Cemitério Católico de Augusto Pestana RS


Foto da lápide do filho Reinaldo José Göller no Cemitério Católico de Alto da União - Ijuí RS


Túmulo do neto Albino Göller (filho de Reinaldo José) no Cemitério Católico de Alto da União - Ijuí RS


Lápide do túmulo da filha Josephina Göller Müller no Cemitério Católico de Alto da União – Ijuí RS – Foto: Acervo de Juliana Müller Valença


Família Göller - Lápides - Ramo Johann Göller

IMIGRANTE JOHANN GÖLLER E ESPOSA MARGARETHA SCHMITZ

SUB-RAMO FELIPPE GÖLLER E THERESA SCHNEIDER


Lápide do túmulo de Felipe Göller e da esposa Tereza Schneider no Cemitério Católico de Despique - Pareci Novo RS


Lápide do túmulo do filho João Göller e da nora Irena Diemer no Cemitério Católico de Pareci Novo RS


Família Göller - Lápides - Ramo Elisabetha Göller Anschau

IMIGRANTE ELISABETHA GÖLLER E ESPOSO JOHANN ANSCHAU

SUB-RAMO NICOLAU ANSCHAU E CATHARINA MÜLLER



Lápide do túmulo de Elisabetha Anschau (filha de Nicolau Anschau e neta de Elisabetha Göller) e do esposo Jacob Hoffmann no Cemitério Católico de Roque Gonzales RS




Família Göller - Lápides - Ramo Anna Elisabetha Göller Both


IMIGRANTE ANNA ELISABETHA (CLARA) GÖLLER E ESPOSO MICHAEL BOTH II


Túmulo de Anna Clara (Elisabetha) Göller no Cemitério de Linha Bonita Baixa, São José do Sul RS. Foto: Cristiano Schneider


IMIGRANTE ANNA CLARA (ELISABETHA) GÖLLER E ESPOSO MICHAEL BOTH II

SUB-RAMO PEDRO BOTH E MARIA MACHRY


Lápide do túmulo de Pedro Both (filho de Anna Clara Göller) e da esposa Maria Machry; Jacob Both Sobrinho (filho de Pedro Both) e esposa Rosalina Hoffmann; Willibaldo Both e Albina Amália Both Altenhofen, filhos de Jacob Both Sobrinho no Cemitério Católico de Harmonia RS




Família Göller - Lápides - Ramo Anna Maria Göller Schabarum


IMIGRANTE ANNA MARIA GÖLLER E ESPOSO NIKOLAUS SCHABARUM

SUB-RAMO JAKOB SCHABARUM E MARGARETHA KNORST


Lápide do túmulo de Jakob Schabarum, filho de Anna Maria Göller no Cemitério Católico de Picada Holanda, localidade de Picada Café RS – Foto: Acervo de Milton Schabarum


Família Göller - Lápides - Ramo Anna Maria Göller Schabarum

IMIGRANTE ANNA MARIA GÖLLER E ESPOSO NIKOLAUS SCHABARUM

SUB-RAMO JOHANN SCHABARUM E PAULINA MARSCHALL



Lápide do túmulo de Johann Schabarum (filho de Anna Maria Göller) e da esposa Paulina Marschall no Cemitério Católico de Picada Café RS




Família Göller - Lápides - Ramo Anna Maria Göller Schabarum


IMIGRANTE ANNA MARIA GÖLLER E ESPOSO NIKOLAUS SCHABARUM

SUB-RAMO ELISABETHA SCHABARUM E NIKOLAUS KUHN


Lápide do túmulo de Elisabetha Schabarum Kuhn, filha de Anna Maria Göller e Nikolaus Schabarum no Cemitério Católico de Picada Holanda, localidade de Picada Café RS – Foto: Acervo de Milton Schabarum


IMIGRANTE ANNA MARIA GÖLLER E ESPOSO NIKOLAUS SCHABARUM

SUB-RAMO ELISABETHA SCHABARUM E NIKOLAUS KUHN


Lápide do túmulo de João Kuhn (neto de Anna Maria Göller) e da esposa Anna Trocourt no Cemitério Católico de Picada Holanda, localidade de Picada Café RS - Foto: Lisete Göller


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Família Welter - Periódicos


Fonte: Fundação Biblioteca Nacional – Hemeroteca Digital



JOSÉ WELTER (FILHO DE JOHANNES WELTER E MARIA CATHARINA HEIL) COMO MEMBRO DA COMISSÃO DOS TRABALHOS PARA REFORMA DA CAPELA DE SÃO PEDRO DOS APÓSTOLOS DE IVOTI EM 1854



Fonte: Relatório dos Presidentes das Províncias Brasileiras: Império - 1830 a 1889 - Fundação Biblioteca Nacional 


Consta no Relatório do Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, na Abertura da Assembleia Provincial em 02/10/1854, na página 13, que o Presidente da Província percorreu diversas linhas da Colônia de São Leopoldo. Ficando comovido com o zelo dos colonos para com a suas igrejas, resolveu colaborar financeiramente para a reforma e melhoria destas, inclusive da Capela de São Pedro, prédio que antecedeu a antiga Igreja Matriz de São Pedro dos Apóstolos de Ivoti.



Relatório da Província de São Pedro de 1854, Página 13


“Vendo com prazer, quando em junho deste ano percorri as diversas linhas dessa Colônia, o fervoroso zelo com que seus habitantes se prestam ao culto Divino, não somente concorrendo às igrejas nos dias por ela consagrados, como auxiliando sua construção e mantendo os dois Sacerdotes Católicos que nelas celebram os ofícios Divinos, julguei ser dever da administração exercitar seu zelo, concedendo alguns socorros dos cofres provinciais, e por isso mandei distribuir 200 U rs. por cada uma delas, a de S. Miguel e S. José para acabamento das últimas obras, e a de S. Pedro para se levantarem as paredes que por mal construídas tinham desabado. Para dirigir os trabalhos desta última nomeei uma comissão composta dos colonos José Welter, Jacob Kehl e Jorge Schul, obrigando o fiador do primeiro empresário Frectay (Freitag?) a entrar para os cofres da comissão com a quantia de 400 U rs. pela qual estava obrigado, e finalmente prometendo ainda um auxílio dos cofres provinciais para coberta da mesma igreja, devendo as outras despesas serem feitas à custa dos habitantes da Picada. Espero que aprovareis estas medidas tendentes a fortificar entre os fiéis daquela Colônia o sentimento religioso e a devoção.” Obs.: a transcrição foi feita na forma do Português atual.



A antiga Igreja Matriz de São Pedro dos Apóstolos - Ivoti - 1924


Nota: A antiga Igreja Matriz sofreu dois incêndios: nos anos de 1924 e de 1986.




OS COLONOS ALEMÃES DA COVA DA ONÇA – A SAGA DA FAMÍLIA WELTER E MOSSMANN NO BRASIL




Jornal do Brasil 12/01/1958


Jornal do Brasil 12/01/1958



Obs.: as imagens dentro do texto são meramente ilustrativas. Fonte: Internet.



O artigo intitulado Os Colonos Alemães da Cova da Onça, de autoria de Guilherme Auler, publicado no Jornal do Brasil, relata as origens da Colônia de Santa Amélia, criada em Pernambuco no ano de 1829, por determinação de D. Pedro I. Depois de discorrer sobre o assunto que apresenta controvérsias entre testemunhos e documentos, o autor conclui que o documento que esclarece definitivamente qualquer dúvida é o próprio Aviso Imperial que deu origem à Colônia, que faz parte do acervo do Arquivo Histórico do Itamarati.


“Um feliz acaso leva-nos a esclarecer as origens da Colônia Alemã em Pernambuco, criada em 1829, por determinação de D. Pedro I. Quando examinávamos a correspondência dos Presidentes da Província de Pernambuco com o Ministro do Império, os códices do Arquivo Nacional, encontramos o fio da meada, que completa, historicamente, o capítulo de um tema, ainda, com tantas pesquisas a realizar. O Aviso Imperial de 28 de setembro de 1829 ordena ao Presidente da Província que se estabeleça, em local conveniente, uma Colônia, com os alemães vindos de Amsterdã, no brigue holandês “Ativo”. E como medidas concretas, o Imperador estabelece três providências: distribuição de terras aos Colonos para o trabalho agrícola; construções de casas para os mesmos; e subsídio de 160 réis aos adultos e de 120 réis aos menores.



O antigo porto de Amsterdã


A autoridade provincial cumprindo as instruções do Aviso, a 14 de dezembro, informa ao Ministro José Clemente Pereira que, para local da Colônia escolhe a Cova da Onça, vulgarmente chamada de Catucá, distante 7 léguas do Recife, pela necessidade de povoar a região situada entre matas virgens. Antigos quilombos agora servem de esconderijo a ladrões e assassinos. Apresentam-se 103 pessoas, homens mulheres e crianças, que no dia 1º de dezembro, seguem para a Cova da Onça, sob a direção do Sargento Mor Engenheiro João Bloem, escolhido pelo seu conhecimento da língua alemã. 



Mapa que evidencia o Vale do Catucá (ao norte de Recife)


A notícia da criação da Colônia e a esperança no seu progresso agrícola provocam pedidos de soldados alemães do Batalhão Segundo de Granadeiros, destacados no Recife, que se candidatam a futuros integrantes da nova comunidade, logo que termine o serviço militar. Surge, pois, dúvidas quanto à aceitação desses elementos, originando-se assim uma consulta presidencial ao Ministro do Império. 


O documento mais importante, a nosso ver, temos no pedido dos Colonos, contendo as suas assinaturas, para homenagear a Imperatriz Dona Amélia, e que transcrevemos abaixo:


“Senhor – Os Colonos estabelecidos por ordem de Vossa Majestade Imperial, nas matas do Catucá da Província de Pernambuco, animados dos puros sentimentos de gratidão pelos inumeráveis benefícios recebidos do liberal coração de Vossa Majestade Imperial, no sempre memorável ano de 1829, ano do felicíssimo consórcio e venturoso ingresso de Sua Majestade a Imperatriz Dona Amélia de Leuchtemberg, e cheios da maior submissão ousam dirigir-se ante o Augusto Trono de Vossa Majestade Imperial a rogar a graça de ser denominada a dita Colônia, novamente criada, com o glorioso título de COLÔNIA DE SANTA AMÉLIA, a fim de que os suplicantes que têm a fortuna de se acharem ligados à sorte dos brasileiros, possam também em seu seio ouvir constantemente o augusto nome da sua virtuosa Imperatriz, a quem tomam por protetora, recebendo Vossa Majestade Imperial os sinceros desejos dos suplicantes como autêntico testemunho de sua adesão e fidelidade E. R. mercê. (Assinados) Nicolaus Meyer – Jacob Mossmann – Johannes Christiani – Johann Kraemer Júnior – Joseph Welter – Johannes Engeroff – Mathias Schmitz – Johannes Scherer – Peter Mohr – Johann Kneip – Jacob Kasper – Anton Sauer – Pedro Steffens – Heinrich Meyer – Adam Morschheiser  - Johann Muntruck – Joseph Mohr – Mathias Kraemer – Nicolaus Seiber – Johannes Welter – Jeremias Kneip – Johann Christiani – Johann Klein – Nicolaus Mohr – Johann Cardel – Johannes Woll”.



Vemos, assim, que estes 26 alemães representam igual número de famílias, totalizando as 103 pessoas, homens, mulheres e crianças, citadas pelo Presidente da Província, os fundadores da Colônia, a 1º de setembro de 1829.



A Imperatriz Amélia de Leuchtenberg


No ano seguinte, isto é, em 1830, termina o pagamento das diárias de 160 e 120 réis, concedidas por especial favor aos Colonos, segundo determinações imperiais do aviso de 28 de setembro.


Dirigem, então, ao Diretor, ao já Major João Bloem, um requerimento assinado por 12 deles e do seguinte teor:


“Dizem os Colonos da Colônia de Catucá que, eles, vendo a impossibilidade de se poderem se sustentar sem o subsídio diário que acaba em 1º de dezembro deste ano, pelo motivo de não querer queimar as matas derrubadas, por ter o inverno continuado até o presente e indeciso de inda continuar; vê-se bem claro que a mandioca plantada de agora em diante não pode estar boa para se desmanchar até dezembro; pedem, portanto, a V. S. faça subir esta petição a Sua Excelência o Presidente desta Província, para o mesmo Excelentíssimo Senhor atender-nos e nos mandar abonar mais 4 meses de subsídio, como ora percebemos, que depois deste tempo julgamos ter suficiente mantimento para nosso sustento. Certos nas boas e pias intenções de Sua Excelência o Senhor Presidente,  esperamos que nos atenda, em uma precisão tão justa e razoável. Para Vossa Senhoria se digne levar à presença de Sua Excelência o Senhor Presidente a nossa súplica, acompanhada de sua informação. E. R. mercê. (Assinados) Nicolaus Meyer - Jacob Mossmann - Johannes Christiani - Johann Kraemer Júnior - Joseph Welter - Johannes Engeroff - Matias Schmitz - Johannes Scherer - Peter Mohr - Johann Kneip - Jacob Kasper - Anton Sauer”.



O Major Bloem informa o requerimento, a 10 de setembro, favoravelmente, dando ainda alguns esclarecimentos históricos do aglomerado humano. A data da fundação da Colônia fixa-se a 1º de dezembro de 1829, quando se dá início à derrubada das árvores em plena mata virgem. Em fevereiro de 1830, planta-se milho, feijão e arroz. A situação dos Colonos não é de otimismo, e uma família receando a fome, abandona as terras e se retira da Cova da Onça.


Por sua vez, o Presidente da Província, a 16 do mesmo mês, encaminha os dois documentos, o requerimento dos Colonos e a informação do major Bloem, ao Ministro do Império, prestando também o seu depoimento sobre o assunto. Manifesta-se favorável ao pedido de 4 meses de pagamento de diárias, pois a colheita acha-se próxima, havendo grandes plantações de mandioca, feijão e legumes. A população baixa para 96 pessoas e se realizam alguns casamentos. Iniciam-se pomares e parreiras. As casas dos Colonos, anteriormente cobertas de palha, passam por um grande melhoramento, a substituição da cobertura por telhas. Provavelmente atendem-se todos os pedidos, e a Colônia vive satisfatoriamente, procurando o governo imperial aumentar a sua população, como se lê noutro ofício do Presidente da Província.


A 12 de abril de 1831, quando D. Pedro I já abdicou e segue viagem para o estrangeiro, informa-se que cumprindo uma ordem imperial de 2 de março, desembarcam no Recife 54 alemães, vindos pelo brigue “Marquês de Viana”, logo encaminhados à Colônia Dona Amélia, aos cuidados do seu diretor o Major Bloem. Indaga, entretanto, o Presidente da Província se os novos Colonos gozam das mesmas vantagens dos primeiros chegados em 1829, isto é: distribuição de terras, construção de casas, e diárias de 160 réis por um ano.



D. Pedro I


Infelizmente, nenhum outro manuscrito sobre os Colonos Alemães da Cova da Onça encontra-se nessa fonte de pesquisa. Sabemos, entretanto, por informação do historiador José Antônio Gonçalves de Melo Neto, que no Recife há abundante material inédito no Arquivo Público, na Biblioteca Pública e no Instituto Arqueológico. Sugerimos-lhe, então, que ele escrevesse um estudo sobre o tema tão simpático e oportuno, e logo que lhe presenteamos cópia do nosso achado no Arquivo Público.


Como já decorreram quatro anos e hoje o historiador José Antônio encontra-se na Holanda, reunindo material nos arquivos, parece-nos que devemos precipitar a divulgação do documentário, que certamente interessará a estudiosos e especialistas destes temas, salientando a grande contribuição dos nomes dos Colonos.


Atendemos, assim, curiosidade de muitos e abrimos caminho a outros pesquisadores da nossa província. Por exemplo, quais as revelações de registros de casamentos, nascimentos e óbitos, referentes às 26 famílias alemãs, cujos chefes assinam o requerimento, solicitando o patrocínio de Dona Amélia? De uma delas, segundo ouvimos do Professor Gilberto Freyre, descende o historiador Alfredo de Carvalho, figura da maior grandeza e glória das letras pernambucanas.


O Engenheiro Militar João Bloem, certamente inclui-se entre os contratados Georg Anton Schaeffer, para o nascente Império Brasileiro. Em 1825, já se encontra em Pernambuco, e a 23 de dezembro chega a Fernanda de Noronha, com a missão especial de examinar as fortificações ali existentes.

No ano seguinte, em agosto, é nomeado Comandante da Ilha, a fim de executar um vasto plano de reformas e melhorias nas fortalezas, trabalho realizado em três anos. Passa o comando de Fernando de Noronha, a 20 de setembro, regressando após ao Recife, e a 1º de dezembro dirige os Colonos da Cova da Onça.


Devemos, entretanto, ao Professor Gilberto Freyre excelente contribuição, no justíssimo capítulo do seu livro “Um engenheiro francês no Brasil”, dedicado a Bloem com o título de “Um Engenheiro alemão”. Recorda-nos o Autor que, a agosto de 1830, A Câmara Municipal do Recife nomeia-se “Encarregado da Arquitetura da Cidade”, cargo exercido com o maior entusiasmo quase sem vantagens financeiras. 


Orienta Bloem todo um plano urbanístico de crescimento da capital pernambucana com o traçado de ruas, alinhamento de casas e suas dimensões, estabelecendo gabaritos, quantidade de janelas, etc, numa censura estética precursora, pioneira.


Em março de 1888, Antônio Vitor de Sá recolhe o depoimento de uma antiga habitante da Colônia, Ana Margarida Fiedel, viúva, com 83 anos de idade, neta do mestre-escola, divulgando-o nas páginas da Revista do Instituto Arqueológico Pernambucano, nº 56 (março de 1902). Nesta fonte quase todos têm se apoiado, transcrevendo períodos inteiros, como Sebastião Galvão, no seu “Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco”, volume I.


Mas, como sempre acontece no relato oral, há confusões e inexatidões. Por exemplo, o Major Bloem aparece crismado de Pluim ou de Blumm. O ano da fundação da colônia atrasa-se para 1828. E as informações de Ana Margarida Fiedel, cujo nome da família não consta nos dois manuscritos que têm assinaturas de Colonos sobre o destino e o que ocorre na viagem, chocam-se com a verdade dos documentos.


Segundo ela, por falta de mantimentos, o navio abandona os passageiros na costa do Rio Grande do Norte, e desse local se transportam para o Recife, havendo após a criação da Colônia. Assim, em vez de Santa Catarina, localizam-se em Pernambuco, numa espécie de antecipação ao episódio do “Justine”, que em 1837 larga no Rio de Janeiro os alemães destinados à Austrália, e no ano seguinte fixados no Itamarati, sob a direção do Major Júlio Frederico Koeler.


Graças à gentileza do historiador José Antônio Soares de Souza, conseguimos cópias de dois documentos do Arquivo Histórico do Itamarati, que se opõem inteiramente à narrativa divulgada na “Revista do Instituto Arqueológico”. Um deles é um ofício do Presidente da Província de Pernambuco ao Ministro Brasileiro em Paris, e informa que os Colonos alemães dirigem-se para o Rio de Janeiro, quando o navio naufraga nas costas do Rio Grande do Norte. Vêm eles engajados pelo Cônsul brasileiro em Hamburgo, viajando por conta própria, e no Recife encontram-se em grandes dificuldades, sem meio para seguir destino, quando sabendo da situação, o Imperador expede o Aviso de 28 de setembro.


O segundo documento do Arquivo Histórico do Itamarati esclarece em definitivo qualquer dúvida, pois é o próprio Aviso Imperial que dá nascimento à Colônia. Declara que, em abril de 1829, partem de Amsterdã no brigue holandês “Ativo”, mais de 140 homens, mulheres e crianças, com destino do Brasil. Padecem todos de uma péssima viagem, e somente em agosto alcançam a Ilha de São Gonçalo, já havendo 18 mortos em alto mar. Desse ponto, dirigem-se a Pernambuco, “onde se acham sofrendo a maior miséria”. Resolve, pois, D. Pedro I acudi-los, criando a Colônia, e determinando a distribuição de terras, construção de casas e pagamento de diárias durante um ano.


Parece-nos que o documentário do Arquivo Nacional e o do Itamarati completam o estudo histórico dos Colonos Alemães da Cova da Onça, cujos nomes agora até podemos citar."










Família Welter - Lotes Coloniais


Fonte: Mapas de Colônias Alemãs e Italianas no Rio Grande do Sul – Otávio Boni Licht e Colaboradores, Instituto de Informática da UFRGS e Google Maps.


Obs.: clicar nas imagens para obter uma melhor visualização.


JOSEPH WELTER E CATHARINA MOSSMANN


Os primeiros tempos do casal Johannes Joseph Welter e Catharina Mossmann, cujo matrimônio ocorreu entre os anos de 1837 e 1838, foram vividos na Picada Bom Jardim (atual Ivoti). Eles possuíam a metade das terras que formavam o Lote nº 17 da Ala Leste. Anos mais tarde, os Welter precisaram de recursos para fixar residência em Rio Pardo, e esta parte do lote foi vendida a Pedro Müller, na data de 27/07/1855, pela quantia de 1 Conto e 300 mil Réis. A área total do lote Pedro Müller somava 79.030 braças quadradas.



A localização do Lote nº 17, Ala Leste, cuja área abrange parte do atual Bairro Concórdia de Ivoti RS


Por volta de 1840, a família Welter residia na antiga localidade de Costa da Serra, que corresponde atualmente às áreas dos municípios de Hamburgo Velho e Campo Bom. Esta afirmação leva em conta o registro de casamento religioso da filha Barbara, onde é afirmado que esta havia nascido na Costa da Serra. Minha trisavó Barbara Welter nasceu na data de 14/05/1840.



Representação da antiga Costa da Serra (amarelo), próxima à antiga Bom Jardim (azul), na direção norte


No recenseamento feito no início de 1849, por ordem do Diretor da Colônia de São Leopoldo, consta que a família Welter morou na região denominada de Campo Ocidental, que corresponde atualmente aos territórios dos Municípios de Estância Velha e Portão. Provavelmente as terras situavam-se em Estância Velha, por ser limítrofe ao Município de Ivoti, onde residiam parentes das famílias Welter e Mossmann. Nestas terras havia criação de gado.



Representação da antiga colônia de Campo Ocidental, com a divisão dos lotes


Joseph Welter tinha contatos comerciais na cidade de Rio Pardo, dentre eles um alemão comerciante chamado Carlos Oestreich, estabelecido nesta cidade. Oestreich havia feito um empréstimo com Joseph Welter, no valor de 2 contos e 240 mil réis em moeda corrente, com garantia hipotecária do sobrado de sua propriedade. No dia 13/06/1855, falecia Carlos Oestreich em Rio Pardo. Na data de 09/07/1855, foi feita a escritura de venda e dação em pagamento entre o filho André Marques Oestreich e José Welter, como comprador e credor de seu finado pai.



No círculo em vermelho, a localização de parte do sobrado original, do qual restaram somente as paredes da parte da frente, na Rua Júlio de Castilhos com a Rua General Câmara em Rio Pardo RS





CATHARINA MOSSMANN WELTER, VIÚVA DE JOSEPH WELTER 



Após o falecimento do esposo José Welter no ano de 1856, na cidade de Rio Pardo, minha tataravó Catharina colocou à venda os bens da família, retornando a Ivoti, onde residiam parentes do casal.


Inicialmente, comprou a primeira parte do Lote nº 14 na Picada 48, localidade de Ivoti RS, na data de 03/02/1857, de Pedro Schmitt e sua mulher Juliana Schmitt.


Localização do lote de Catharina Mossmann Welter e filhos, na Picada 48, Ivoti RS, por imagem de satélite


Parte sul do terreno, próximo à Rua da Cascata e à Rua 48 Alta (na curva de cima à esquerda), cuja foto é vista abaixo


A curva da Rua 48 Alta


Depois, comprou o Lote nº 2 A, na Ala Oeste, na Picada Feijão (inicialmente pertencia à antiga Picada do Café), localidade de Ivoti, na data de 31/07/1860, de Frederico e Angela Bonhenberger, de Guilherme e Catharina Petry e de Jacob e Maria Petry. Este lote foi vendido posteriormente, para compra de outra colônia mais produtiva na Picada 48, para Carlos Sänger em 05/11/1867. 




O Lote nº 2 A da Ala Oeste da Picada Feijão, que pertenceu a Catharina Mossmann Welter e filhos



Na data de 27/02/1862 comprou de Miguel Schuh e de sua esposa Felippina, mais uma parte do Lote nº 14 da Picada 48 e, mais tarde, em 05/11/1867, outra fração de Eduardo Grünevald e sua mulher Catharina, para seus filhos menores. Nas terras havia uma pequena casa de qualidade superior, tendo esta capacidade suficiente para nela morar com os filhos João, Luisa e Josephina, pois os demais já eram casados ou falecidos. 





JOHANNES WELTER (IRMÃO DE JOSEPH WELTER)



A família de Johannes Welter radicou-se em Nova Colúmbia, Bom Princípio RS.



A localização de Nova Colúmbia, ao norte do município de Bom Princípio RS



PEDRO (PETER) WELTER (IRMÃO DE JOSEPH WELTER)


Pedro Welter possuía o Lote nº 12 A da Linha Nova, com 79.382 braças quadradas (37,8125 ha). Ele havia chegado a este lugar em 1833, como colono do Governo, do qual recebera estas mesmas terras. Como não possuía nenhum documento, pediu ao Comissário Especial a legalização da posse das terras onde residia e as cultivava, sendo atendido (Códice C389, Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul).



O Lote nº 12 A da Linha Nova pertencente a Pedro Welter







quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Família Schmitz (Philipp) - Lotes Coloniais


Fontes:
1-Mapas de Colônias Alemãs e Italianas no Rio Grande do Sul – Otávio Boni Licht e Colaboradores, Instituto de Informática da UFRGS.
2-Informações de Blasio Alberto Bervian de Picada Feijão, Ivoti RS.
3-Google Maps


Obs.: clicar nos mapas para obter uma melhor visualização.



A família Schmitz residiu entre os anos de 1840 a 1850, na localidade de Bohnental, chamada posteriormente de Picada Feijão, que pertencia à antiga Linha ou Picada Café. Muito tempo depois, ela passou a fazer parte do município de Ivoti. Os Schmitz residiam no Lote nº 2, da Ala Leste daquela Picada. 


Mathias Schmitz, na data de 21/07/1853, vendeu parte de suas terras na parte norte a Carlos Biehl, por 400 mil réis. Na data de 15/04/1861, comprou outra fração na parte sul deste lote de Anton Junges, casado com Catharina Junges e de Carlos Schmitz, seu irmão, pelo preço de 600 mil réis. Na data de 18/01/1868, comprou mais uma fração na parte sul de Pedro Dorscheid, casado com Margarida Dorscheid, por 400 mil réis. O total final de sua propriedade correspondia a 98.963 braças quadradas, na parte sul ou A do lote. Outra parte do mesmo lote pertenceu à irmã Ignês e ao seu cunhado José Schmitz (filho de Philipp Schmitz, o Grande), sendo que estes a venderam na data de 06/06/1864 a Carlos Biehl, pelo preço de 300 mil réis. Ao final, Carlos Biehl possuía 62.963 braças quadradas na parte norte ou B do lote (Códice 389, Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul). Mathias permaneceu em Picada Feijão, assim como Margaretha Schmitz, que se casara com Johann Göller. O restante da família Schmitz foi residir em Bom Princípio RS.


Mathias também foi proprietário do Lote nº 3, Ala Leste, parte sul ou A, com 62 mil braças quadradas, que foi vendido a Felippe Weber por escritura lavrada em 01/10/1860 (Códice C-389, Arquivo Histórico do RS).


O Lote nº 2 A de Mathias Schmitz, cuja frente estava localizada na atual Rua São João e o Lote nº 3 A, que foi vendido a Felippe Weber


O lote de Mathias era vizinho ao de Johann Göller, seu cunhado, casado com a irmã Margarida Schmitz. O Lote nº 2 B de Johann Göller ficava na Ala Oeste. O sogro Ernst Schmaedecke era proprietário dos Lotes nº 2 C e nº 3, também na Ala Oeste. A Rua Avante atualmente separa estas duas últimas áreas dos antigos lotes. 



Localização dos lotes do cunhado Johann Göller e do sogro Ernst Schmaedecke na Ala Oeste da Picada Feijão