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Os artigos veiculados neste blog podem ser utilizados pelos interessados, desde que citada a fonte: GÖLLER, Lisete. [inclua o título da postagem], in Memorial do Tempo (https://memorialdotempo.blogspot.com), nos termos da Lei n.º 9.610/98.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Família Göller - Histórias II

 

O COLÉGIO RUY BARBOSA


Prospecto do antigo Colegio Ruy Barbosa da cidade de Porto Alegre - RS, 1936 - 1961 25 anos a Serviço da Educação, exibindo o seu último prédio, situado na Av. Osvaldo Aranha nº 308 e flâmula do colégio – Fonte: Site do Antigoporto

A especial motivação para realizar esta postagem, foi o fato de que minha mãe frequentou o antigo Colégio Ruy Barbosa, na cidade de Porto Alegre RS. No ano de 1943, ela veio da cidade de Alegrete, para estudar na capital, residindo até o ano de 1944, na casa de seu tio Conrado Abarno, situada no centro da cidade. Em seu pequeno diário, ela relata que, em 05/03/1945, foi para o pensionato do Colégio Nossa Senhora do Medianeira, situado na Avenida Alberto Bins, lá residindo até o ano de 1946.


Minha mãe (à frente, à dir.), Philomena G. Göller, com suas amigas uniformizadas, que frequentavam o Colégio Nossa Senhora do Medianeira, na época em que a mesma morava no pensionato do referido colégio – Foto: 05/09/1945, Porto Alegre – Acervo de Lisete Göller


O início do Colégio Ruy Barbosa remonta ao ano de 1936. O prédio situava-se na Rua dos Andradas, a chamada Rua da Praia, nº 1251, 2º andar. Atualmente, encontra-se no local o Edifício Urubatan, um prédio comercial, que possivelmente tenha sido modificada a sua fachada. Assim sendo, resta uma dúvida de que este tenha sido o prédio original do Ruy Barbosa. O colégio permaneceu neste endereço até o ano de 1946. 


Imagem do prédio atual, o qual se encontra no endereço do antigo Colégio Ruy Barbosa – Fonte: Google Maps


No livro de uma ex-aluna do Colégio Sévigné, onde estudei, Dionysia Bonow Lemieszek, chamado ‘Ah! estas minhas reminiscências’, esta revela que havia sido professora no Ginásio do Colégio Ruy Barbosa, no início da década de 1940. Descreve que, naquele tempo, era uma escola não oficial, sendo dirigida pelo Dr. Saul Nicolaiewsky. Havia, inclusive, aulas no turno da noite, para que as pessoas que trabalhavam pudessem frequentá-las. As turmas era heterogêneas, ou seja, eram alunos de todas as idades e de ambos os sexos.


Dionysia Bonow Lemieszek, professora de História Geral no Colégio Ruy Barbosa – Fonte: Revista Cultural do Colégio Ruy Barbosa


Antigamente, o ‘Ginásio’ abrangia cinco séries, sendo depois reduzidas para quatro, com a criação dos cursos Clássico e Científico, que levavam aos vestibulares. Ao final dos anos 1930, ou início dos anos 1940, através do Artigo 41 da legislação, foi permitida a criação dos cursos chamados de ‘Madureza Ginasial’, para que os estudantes pobres prestassem os exames para a conclusão do Ginásio, a fim de que pudessem se formar em cursos médios e universitários, tendo antes cursado o Clássico ou Científico. Em Porto Alegre, criaram-se vários cursos, sendo um deles o Curso Ginasial Ruy Barbosa. 


Edição do periódico ‘Cultura: Órgão do Curso Ginasial Ruy Barbosa’ (RS), no ano de 1944, trazendo artigos escritos pelos professores do curso, história e informações sobre o curso ginasial –  Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Edição do Periódico nº 377.570  


Listagem dos professores do Colégio Ruy Barbosa, com as suas respectivas disciplinas –  Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Edição do Periódico nº 377.570 


Fotos dos professores, destacando-se o Diretor Saul Nicolaiewsky e a Professora Dionísia Bonow Lemieszek, citada anteriormente. Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Edição do Periódico nº 377.570 


Passada uma década, em 1946, o colégio transferiu a sua sede para a Av. Osvaldo Aranha, nº 308, aos fundos do Colégio do Rosário, na área lateral do Túnel da Conceição, construído posteriormente. Este foi o último ano da permanência de minha mãe em Porto Alegre, antes de se casar em 1949, na cidade de Alegrete. Infelizmente, não tenho a informação por parte dela de que tenha concluído o curso ginasial no Ruy Barbosa, pois já se passaram muitos anos após o seu falecimento.


A antiga sede do Colégio Ruy Barbosa, no endereço da Av. Osvaldo Aranha, nº 308 – Fonte: Jornal Zero Hora


Ao longo dos Anos 1950, o colégio oferecia inovações, como sediar o Curso de Preparação do Vestibular de Engenharia em 1954. Estimulava atividades sociais e esportivas, como quermesses dançantes, participação dos alunos no voleibol masculino, para competir nos jogos ginasiais e colegiais no seu auge, no ano de 1955. No ano de 1957, a 1ª Série Ginasial já figurava como sendo oficial. Neste mesmo ano, O Dr. Saul Nicolaiewski, numa demonstração de seu elevado espírito de compreensão, cedeu uma sala do Colégio Ruy Barbosa, para que a Associação dos Especializados em Educação Física e Desportos de Porto Alegre instalasse provisoriamente a sua sede, sendo o fato resgistrado na reunião da Diretoria. Em 1958, a Escola Técnica de Comércio Ruy Barbosa oferecia o curso de Contabilidade noturno. Este equivalia ao ciclo secundário.


UM BREVE RELATO SOBRE O DR. SAUL NICOLAIEWSKY


O Dr. Saul Nicolaiewsky era diplomado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Porto Alegre

Conhecido por ser o proprietário e diretor do tradicional Colégio Ruy Barbosa, em Porto Alegre, o médico Saul Steinbruch Nicolaiewsky, era filho de Frieda Alegria Steinbruch (*1883/+1960) e Alfredo Nicolaiewsky, tendo nascido em 05/08/1914, na cidade de São Gabriel RS. Era de família judaica, emigrante da região de Bessarábia, na Russia, que veio ao Brasil fugida da perseguição religiosa, sendo conduzida para uma colônia, situada em Santa Maria RS. O sofrimento experimentado por ele e sua família cultivou nele um sentimento de tolerância, religiosa e política. Diplomou-se em Medicina em 1940, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Porto Alegre.


O irmão Simão Nicolaiewsky (*24/05/1922/+14/07/1995) lecionava Ciências no Colégio Ruy Barbosa


O Dr. Saul foi um pioneiro na área da educação, tendo oferecido bolsas de estudo e descontos significativos para alunos de baixa renda, colaborando com a resolução do problema do ensino gratuito na capital gaúcha, de modo que tivessem meios de se sustentar conseguindo um emprego. É considerado uma das maiores autoridades educacionais do RS. 

Leonel Brizola, quando Prefeito de Porto Alegre, manifestou-se do seguinte modo: “... o Colégio Ruy Barbosa serve, principalmente, os estudantes do setor mais humilde e desprovido de recursos de nossa metrópole, em particular uma numerosa classe noturna, e que, pelo montante de alunos e matricula com o benefício de gratuidade ou descontos substanciais, colabora de tal forma com o cruciante problema do ensino gratuito no município de Porto Alegre, que se impôs à nossa consideração, sendo até, por muitos, confundido como se fosse um educandário da municipalidade.”

O Dr. Saul criou o Curso Preparatório Ruy Barbosa, dedicando-se a ele de forma intensiva, dirigindo o educandário por 36 anos. Foi professor de História Natural, Química e Língua Inglesa. Na trajetória da Instituição, formaram-se milhares de jovens, sob a ênfase do respeito e estímulo ao indivíduo. Citam-se alguns dos nomes conhecidos que lá estudaram: Joaquim Felizardo, que posteriormente foi Secretário de Educação de Porto Alegre; Carlos Araújo, advogado; Tiago Sarmento Leite, Vinício D. Garcia, Sergio Pinto Ribeiro; o procurador Aloísio Caníbal, o professor Gervásio Neves, entre outros cidadãos influentes na sociedade.

Criou também a Revista Cultura, que publicava textos e artigos de intelectuais gaúchos e homenageava anualmente alguma personalidade do passado. Esse trabalho rendeu-lhe a inclusão no quadro da Associação Riograndense de Imprensa - ARI. Após o Governo Federal criar do Dia da Cultura e da Ciência, alterou o nome do anuário para Revista da Cultura e Ciência empreendendo, assim, novos rumos à publicação.

Ao longo de sua trajetória assumiu várias funções no âmbito educacional, destacando-se, no ano de 1975, como Membro do Conselho Estadual de Educação. Foi Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino em 1966, e Presidente da Câmara de Ciências e do Conselho Estadual de Cultura. Atuou também como presidente da Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem), em 1980, e foi homenageado diversas vezes e agraciado com diversos prêmios, por serviços prestados à educação.

O Dr. Saul casou-se com Sarita Kasachinsky, que sempre apoiou seus empreendimentos, e teve dois filhos: Lilian e Norman. Faleceu em 12 de abril de 2012, aos 97 anos, na cidade do Rio de Janeiro. O sobrinho Nico Nicolaiewsky, filho do irmão Moyses, conhecido músico e ator, faleceu em 07/02/2014, aos 56 anos, vítima de leucemia.



O RUY BARBOSA NA DÉCADA DE 1960


Na década de 1960, o Colégio atingia o seu clímax. Estava instalado no novo prédio da Av. Osvaldo Aranha, ‘atrás da fachada modesta e simples’ da antiga sede da avenida, com a mesma numeração na via. Apresentava pavilhões modernos, com instalações confortáveis, como o Pavilhão Lourenço Filho, avistado desde o pátio do educandário. Havia área para recreios, educação física e esportes. No ano de 1961, comemorava-se os 25 Anos do Colégio Ruy Barbosa.


Folheto comemorativo de 25 anos a Serviço da Educação 1936 - 1961, com 10 páginas, apresentado pelo Colegio Ruy Barbosa, já na nova sede, atrás da antiga, na Av. Osvaldo Aranha nº 308 – Fonte: Site do Antigoporto


Os cursos na época eram os de Admissão, diurno e noturno, onde os alunos, ao invés de frequentarem a 5ª Série do Primário, matriculavam-se diretamente no Curso de Admissão. O Curso Ginasial, diurno e noturno, era composto de 4 séries. O Curso Científico, diurno e noturno, que preparava para os Exames Vestibulares às Escolas Superiores, como medicina, farmácia e agronomia. O Curso Clássico, apenas noturno, que preparava para as faculdades de Direito, Letras, História, Geografia e Filosofia. Ambos compunham-se de 3 séries. O Curso Técnico de Contabilidade, noturno, para obtenção do curso de Contador, mas permitia prestar vestibular para qualquer outro curso superior. Todos os cursos eram reconhecidos e oficializados pelo Governo Federal, com direitos conferidos pelo Ministério da Educação.

A instituição atingira o status de Sociedade Educacional Ruy Barbosa Ltda., que era mantenedora do Colégio Ruy Barbosa e da Escola Técnica de Comércio Ruy Barbosa. Dentre as atividades de ensino, destacam-se: aplicação de provas do Exame de Seleção Prévia, que precedia o Exame Vestibular para o Curso de Preparação à Carreira de Diplomata (1960); Técnico de Contabilidade noturno (1960); Curso de Datilografia, para quem tinha o Curso Primário (1965); Curso Arte e Humanidade, no auditório, promoção esta do Departamento Universitário da ARI (1967); Curso de Orientação Clássica (1968); Curso Clássico (1969) e Curso de Técnico de Administração, correspondendo aos cursos do 2º ciclo diurno e noturno (1969). Dentre as atividades recreativas estudantis realizadas, destacam-se: formação da equipe de volei feminino e participação no Campeonato Ginasial de Futebol de Salão (1964); Baile no Grêmio Náutico União e churrasco de confraternização (1965) e fundação do Grêmio da ex-Alunas do Colégio Ruy Barbosa (1965).

Na comemoração dos 30 anos da fundação do colégio, ocorreu a inauguração oficial do auditório, que levou o nome de Auditório Oswaldo Aranha, tendo sido inaugurado o busto em bronze do ilustre rio-grandense, sendo orador oficial o Professor Rubens Maciel. Também foram inaugurados o Departamento de Técnicas Comerciais, o Departamento de Atividades Extra-Classes, a remodelação do parque desportivo, das novas dependências da administração e a ampliação da Cantina Escolar.


Anúncio do Colégio Ruy Barbosa nos 31 anos de existência em 1967 – Fonte: Jornal Diário de Notícias do RS


Anúncio no ano de 1968, nos 32 anos do Colégio Ruy Barbosa


Ao festejar os 33 anos da Instituição, inauguraram a Semana Ruysta, que tinha como objetivo a integração das atividades escolares. A programação aberta com um coquetel oferecido às autoridades e imprensa e sessões cívicas; seguiram os dias seguintes com os atos: teatro “Ruy e a Máquina do Tempo”; Júri simulado e Festival de Conjuntos de Música Popular Brasileira. No último dia, houve jogos, entrega de prêmios e escolha da Rainha da Primavera.


Foto que anuncia as grandes solenidades aos 33 anos do Colégio Ruy Barbosa – de 23 de setembro a 27 de setembro de 1969 – Fonte: Jornal Diário de Notícias do RS


Anúncio sobre as atividades do Colégio Ruy Barbosa no ano de 1969 – Fonte: Jornal Diário de Notícias do RS


Destaca-se a participação no Campeonato Dente de Leite no ano de 1969. Ainda, dentro do papel cívico da época, formou-se a Banda Marcial, com participação no Desfile Militar e o colégio foi sede da 2ª Zona eleitoral durante as eleições.


OS ÚLTIMOS TEMPOS – DÉCADA DE 1970


Na formatura dos alunos dos Cursos Científico e Clássico e do Ginásio noturno, em dezembro de 1970, estes escolheram como paraninfo de honra o Deputado Otávio Germano, Presidente da Assembléia Legislativa do RS. 


O Deputado Otávio Germano pronunciou discurso de orientação e incentivo aos formandos de 1970; à sua esquerda vê-se o Dr. Saul Nicolaiewsky – Fonte: Jornal Diário de Notícias do RS


No ano de 1970, a escola ofereceu curso de férias para preparação ao exame admissão em segunda época. Houve, em suas dependências, o Curso de Harmonia e Composição, oferecido pelo compositor Francisco Mignone. No auditório, foi apresentado o espetáculo de teatro ‘As Preciosas Ridículas de Molière’. Foram as últimas informações da imprensa por mim coletadas.


Vista da Sarmento Leite e Av. Independência, na década de 1960, antes da existência do Túnel da Conceição; embaixo, próximo ao centro, o pequeno prédio branco, com terraço, do novo Colégio Ruy Barbosa, sendo que o antigo, mais à frente, que ainda existia, não aparece na foto – Foto: Internet; Lisete Göller (colorização)


No ano de 1972, os prédios novo (ao fundo) e o antigo, junto à Av. Oswaldo Aranha, ainda conviviam; este último, pelo que dizem, sediava aulas do Científico. O Túnel da Conceição (à esquerda) foi inaugurado na data de 05/11/1972, mais tarde, o antigo prédio foi demolido – Fonte da imagem: Lucas Froner; Lisete Göller (colorização)


Sob outro ângulo da Av. Oswaldo Aranha, vê-se a curva da via que vai dar no Túnel da Conceição; mais acima, a lateral do prédio antigo do colégio, ostentando a placa ‘Ruy’ – Fonte da imagem: Diego Luis Botelho Alves; Lisete Göller (colorização)


O ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES DO COLÉGIO RUY BARBOSA


Os motivos exatos do encerramento do Colégio Ruy Barbosa não foram encontrados nas fontes de pesquisa. Foi lido um comentário que, em última análise, referia que o colégio fora vítima da forte ‘concorrência’, levando-o a fechar as portas, no início da década de 1970. O passo seguinte, foi descobrir que o prédio, certamente vendido, veio a abrigar a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (SMIC). Segundo consta, esta sede foi inaugurada no ano de 1972, supondo-se que este seja o ano da implantação da SMIC no local. O prédio possuia uma área total de 3.813 m², com uma área construída de 1.358,62 m², tendo abrigado a Secretaria desde o ano de 2005, até o ano de 2017, quando esta foi extinta pelo governo Marchezan Júnior. O órgão foi substituído pelo Departamento de Indústria e Comércio, com uma nova estrutura administrativa e organizacional.


O prédio passou para a SMIC, depois de ter abrigado o Colégio Ruy Barbosa – Foto: Eduardo Beleske – Fonte: Jornal do Comércio Web


Em janeiro de 2017 a antiga Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio tornou-se Diretoria de Indústria e Comércio, fazendo parte da nova Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Como havia dívidas da gestão passada, além de problemas estruturais do prédio, os servidores foram realocados por questões de segurança e salubridade. 

A partir de 2017, o prédio foi abandonado, vindo a se deteriorar e sofrer vandalismo e ocupações. Mesmo tendo a Câmara de Vereadores autorizado a venda do imóvel, este continuou desocupado.

No ano de 2021, a UFRGS entregou à Prefeitura de Porto Alegre um pedido de cessão de uso do imóvel por 30 anos (25 anos conforme outra fonte), para implementação de um parque científico e tecnológico, sede do Pacto Alegre, envolvendo outras universidades e entidades da sociedade civil, para elaborar projetos para a cidade. Porém a Universidade desistiu da ideia da parceria, após iniciar a análise das condições do prédio, entre outros fatores. 

A Universidade pretendia utilizar este espaço para ações da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico, do Parque Zenit e do Núcleo de Inovação da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais, com iniciativas que viriam a beneficiar a incubação de novas empresas e os projetos do Pacto Alegre. Pretendia lançar um convênio de parcerias com entidades públicas e privadas, para promover ações de transformação social na capital gaúcha

No mês de março de 2022, o prédio foi invadido por um grupo de 50 indígenas, alunos da UFRGS, que reivindicava desde 2017, a criação de uma Casa do Estudante Indígena pela UFGRS, além de bolsas de permanência, a qual não tinha atendido ao pedido. Após um laudo da Secretaria de Obras e Infraestrutura do município, concluiu-se que o predio não apresentava condições de habitabilidade, com risco de desabamento, local de ocorrências de furtos e uso de drogas, além de haver focos de mosquito transmissor da dengue e sofrer invasões. Por tais razões, o prédio foi demolido no mês de setembro de 2022.



Nota:


A Sociedade Educacional Ruy Barbosa Ltda. CNPJ 92.742.592/0001-35 existiu com 56 anos 11 meses e 22 dias. Fundada em 29/01/1969 e baixada em 31/12/2008. Último endereço: Rua Dr. Barros Cassal, 705, cj. 5. Nome fantasia: Colégio Ruy Barbosa.


Fontes de Pesquisa

Câmara Municipal de POA;
Hemeroteca da Biblioteca Nacional;
Instituto Cultural Judaico Marc Chagall;
Jornal do Comércio;
Jornal Zero Hora;
Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul;
Sindicato dos Municipários de Porto Alegre;
Site do Antigoporto (realiza leilões de arte e antiguidades, livros raros, peças de colecionismo e outros).




quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Memórias de uma Cidade - Cemitério São José I

 

Vista interna do Cemitério São José I – Porto Alegre RS – Foto: Arquivo Pessoal

O presente estudo tem como tema principal o Cemitério São José I, inaugurado no ano de 1888, pela Comunidade de São José, representando a realização do desejo de seus membros de possuir um cemitério próprio, assim como os evangélicos o possuíam. A referida sociedade atendia à comunidade de alemães católicos da cidade de Porto Alegre RS. O primeiro administrador foi Antonio Bard, durante os anos de 1888 a 1892. Nos 12 anos seguintes, a administração ficou a cargo de Jacob Aloys Friedrichs, dono da maior marmoraria do estado. Com o passar do tempo, houve a necessidade de expandir a área para novos sepultamentos. Assim sendo, através da aquisição de terrenos, no lado oposto da via em que se situava o cemitério inicial, surgiu o  Cemitério São José II. Tal fato ocorreu em 1913, durante na gestão de Max Metzler, que administrou os cemitérios, no período de 1910 a 1919. No ano de 1915, foi construída a Capela Histórica, a qual integra o patrimônio histórico e cultural do estado desde o ano de 2007, tendo sido restaurada e preparada para atender às cerimônias fúnebres. Ambos os cemitérios situam-se na Av. Professor Oscar Pereira, no Bairro Azenha, na cidade de Porto Alegre RS.


Portão de entrada do Cemitério São José I – Foto: Arquivo Pessoal

Na data de 22/12/1998, a Comunidade de São José firmou um contrato de sociedade com a empresa Cortel S. A., com duração prevista de 50 anos. Dentro deste prazo, estava prevista a construção do Crematório Metropolitano de Porto Alegre, na área do Cemitério São José II, o qual foi inaugurado em 13/12/1999.  Através de um aditivo contratual, a parceria foi estendida ao Cemitério São José I. Não faltaram críticas ao empreendimento, que deslocou inúmeras sepulturas de chão para jazigos e columbários verticais ou para o chamado Jardim In Memoriam. A grande área existente no segundo cemitério foi transformada num estacionamento, em função dos serviços do crematório. Além disso, muitas sepulturas e obras de arte funerária desapareceram ou foram realocadas para outros cemitérios e crematórios da empresa. Destaca-se, ainda, a existência do Memorial São José, ocupada com painéis e monitores, que visam contar a história da arte funerária nestes importantes cemitérios, que se encontra no Cemitério São José II.


Área da Quadra A – Lateral Direita – Foto: Arquivo Pessoal

Visitei o Cemitério São José I no Dia de Finados, visto que, no resto do ano, ele permanece fechado ao público. Encontrei apenas duas pessoas no horário em que lá estive no turno da tarde. Embora já o conhecesse, havia a necessidade de identificar e fotografar a maior parte das lápides, para realizar a pesquisa. Infelizmente, muitas lápides estavam com as inscrições ilegíveis, algumas delas com péssimas condições de conservação. Há locais em que permanece apenas a área de grama ou terra, onde provavelmente existiu um túmulo. Na lateral esquerda, mais ao fundo, a condição de passagem estava comprometida pelo avanço do mato. Algumas plantas tomaram conta da parte frontal das lápides, dado o avanço do crescimento, dificultando a identificação. Há muitos túmulos que não existem mais, seja pela ação do tempo, seja por terem sido removidos. A atual empresa que administra o cemitério não é colaborativa. Não divulga informações sobre a localização de sepultados. Digo isso por experiência própria. Mesmo com os dados necessários, não revela os dados de localização da sepultura.


Área da Quadra B – Lateral Esquerda – Foto: Arquivo Pessoal

Quando se ingressa no cemitério, a parte da frente corresponde a dos túmulos mais antigos.  No mapa, vemos que o mesmo é dividido em quadras, de A a G, sendo que estão divididas em Linhas, que variam numericamente. O problema maior é encontrar a numeração das sepulturas que, ou não são tão evidentes, ou não mais existem.


Mapa do Cemitério São José I – Fonte: História e Arte Funerária dos Cemitérios São José I e II em Porto Alegre (1888-2014), Tese de Doutorado de Luiza Fabiana Neitzke de Carvalho – Abril de 2015

O sepultamento mais antigo no Cemitério São José I foi o de Lothar de La Rue, falecido em 1877, e que havia sido sepultado no Cemitério da Santa Casa, contíguo ao de São José. Assim sendo, ele foi transferido posteriormente para este último local (não encontrado). Destacam-se os túmulos de Miguel Friederichs, fundador da Marmoraria Casa Aloys, o de Antonio Bard, primeiro administrador do cemitério, o de João Grünewald, arquiteto, e Pedro Weingärtner, pintor, além dos túmulos de seus irmãos Ignacio, Miguel e Jacob. A família Weingärtner mantinha o negócio de litografia, elaborando rótulos, diplomas e certificados, cuja sede era mantida na Rua dos Andradas.


Túmulo de Miguel Friedrichs (1849-1903) (esquerda) e de Antonio Bard (1857-1926) (direita), este último o primeiro administrador do cemitério – Foto: Arquivo Pessoal


Túmulo de João Grünewald (1832-1910) e esposa – Foto: Arquivo Pessoal


Túmulo de Pedro Weingärtner (1853-1929) e esposa – Foto: Arquivo Pessoal


Placa de homenagem a Pedro Weingärtner (*1853-1929) junto ao túmulo – Foto: Arquivo Pessoal


Túmulo de Ignacio Weingärtner (1845-1908) e família – Foto: Arquivo Pessoal


Túmulo de Jacob Weingärtner (1850-1916) e família, elaborado com a estela funerária (grande placa de mármore em que aparece uma figura com relevos de seres ou alegorias), onde se encontra a alegoria da paz em relevo – Foto: Arquivo Pessoal


Família Scheibler (canto direito) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Bins –  Rohrig (ao fundo, dir.) –  o anjo com a coroa na mão significam proteção e esperança na vida eterna – Foto: Arquivo Pessoal


Família de Pedro Bins (centro) e Família Stoll (dir.) – Obs.: o túmulo dos Bins – Rohrig acima aparece aqui no canto direito – Foto: Arquivo Pessoal


Família Daudt (canto esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Schoeller – Wilhelm e outros – Foto: Arquivo Pessoal


Família Endler (primeiro plano) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Theltscher – Bastian (centro, cruz mais alta) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Campani (dir., primeiro plano) – Obs.: no espaço do gramado ao lado, onde há uma pedra redonda, esta foi o que restou do monumento funerário da Família Englert, que, além da cruz, exibia rochas, como referência à atuação de Luiz Englert, nas áreas de petrografia e mineralogia; o monumento foi demolido anteriormente ao ano de 2011 – Foto: Arquivo Pessoal


Família Schneiders – anjo com vaso de flores significa proteção, consolo e imortalidade da alma – Foto: Arquivo Pessoal


Família Teixeira (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Ely (dir., com a cruz) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Becker – Foto: Arquivo Pessoal


Família Hoffmann (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Schuch (esq.) e Família Marquardt (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Wolfenbüttel – Antonio e Josefina – Cruz em Ferro – Foto: Arquivo Pessoal


Família Rieger – Foto: Arquivo Pessoal


Família Kannen e Maas – Foto: Arquivo Pessoal


Família Portanova (esq.) e Família Hansel (ao centro, lápide baixa em granito marrom) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Brozensky (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Heinen – Foto: Arquivo Pessoal


Família Berwanger e Tschiedel – parentes da pesquisadora – Foto: Arquivo Pessoal


Família Wettava (esq.) e Família Primmel (dir.) Carl – Foto: Arquivo Pessoal


Família Lemos (primeiro plano) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Mayer (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Birnfeld – detalhe do trecho de uma pauta musical religiosa – Foto: Arquivo Pessoal


Família de Constância Vieira da Silva – Foto: Arquivo Pessoal


Família Janke (esq.) – lápide com formato de plantas simbolizando o ciclo da vida – Foto: Arquivo Pessoal


Família Zettler (esq., lápide alta) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Hennemann – Foto: Arquivo Pessoal


Família Diebold (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Behle (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Wagner (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Volkmer (esq.) e Família Bernd (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Meyer – Oscar e Clotilde – Foto: Arquivo Pessoal


Família Fonseca (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Kraemer – o anjo com a mão para cima e o rosto para baixo representa a humildade, enquanto observa a alma que subiu; vê-se que há um caramanchão acima do túmulo, usado em cemitérios estilo ‘jardim’ – Foto: Arquivo Pessoal


Família Picoral – Foto: Arquivo Pessoal


Família Sehl – alegoria que chora junto à cruz, simbolizando luto, transição da vida para a morte – Foto: Arquivo Pessoal


Família Berger – Foto: Arquivo Pessoal


Família Pinto – Foto: Arquivo Pessoal


Família Guettlein (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Petzhold – Foto: Arquivo Pessoal


Família Brodt – o ícone das papoulas, aos pés da cruz, simboliza o sono eterno – Foto: Arquivo Pessoal


Família Heit – Mariane Heit (esq.) – lápide decorada com formas fitomorfas ou vegetais, que simbolizam o ciclo da vida e a esperança na ressurreição – Foto: Arquivo Pessoal


Família Mallmann – Foto: Arquivo Pessoal


Família Castro (dir., primeiro plano) e Família Becker (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Jung – anjo com flores significam proteção e esperança na vida eterna – Foto: Arquivo Pessoal


Família Cazzetta – Ludwig (esq. e centro)  e  Família Preissler (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Geiger (dir., primeiro plano) – Foto: Arquivo Pessoal 


Família Eckert – alegoria feminina lamentando a morte – Foto: Arquivo Pessoal


Família Schramm (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Etzberger – alegoria da fé junto à cruz – Foto: Arquivo Pessoal


Família Marques – Foto: Arquivo Pessoal


Família Tschiedel – Francisco (Franz) e Elisabetha (Schmaedecke) – parentes da pesquisadora – Foto: Arquivo Pessoal


Família Graeff (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Margarinos (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Palzo (canto esq.) – Friedrich August  - Foto: Arquivo Pessoal


Família Schoeller (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal

Os monumentos funerários, até a segunda década do Século XX, eram realizados em pedra grés. Após este período, a preferência recaiu sobre o mármore. O cemitério São José I é conhecido como o ‘cemitério dos artistas’, pois estes exibiam verdadeiras obras de arte, na especialidade de suas áreas. Destaca-se, ainda, por ser considerado um cemitério ‘jardim’, que veio a se tornou popular no Século XIX, reunindo lazer, contemplação e arte.


Listagem Geral dos Sepultados, com datas de sepultamento, nos Cemitérios São José I e II de Porto Alegre RS

Link:



Os nomes, na pequena listagem que existem no livro ‘Cemitério das Colônias Alemãs no Rio Grande do Sul’, de Werner M. Dullius e Hugo Egon Petry, estão inseridos na listagem geral acima, porém os autores colocaram as datas de nascimento e óbito. O livro citado acrescenta, ainda, detalhes sobre a origem dos sepultados, que se encontram em suas lápides. Eis as poucas informações que constam:

Friederichs, Catharina Sehl – Merl
Friederichs, Michael – Merl
Grünewald, Catharina Bender – Trier
Grünewald, João (Johann) – Königswinter am Rhein


Fontes de Pesquisa:

Cemitério das Colônias Alemãs no Rio Grande do Sul – Werner M. Dullius e Hugo Egon Petry;

História e Arte Funerária dos Cemitérios São José I e II em Porto Alegre (1888-2014), Tese de Doutorado de Luiza Fabiana Neitzke de Carvalho – Abril de 2015;

São José Comunidade de Arte e Fé – Renato Mendonça.