Mensagem

Os artigos veiculados neste blog podem ser utilizados pelos interessados, desde que citada a fonte: GÖLLER, Lisete. [inclua o título da postagem], in Memorial do Tempo (https://memorialdotempo.blogspot.com), nos termos da Lei n.º 9.610/98.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Memórias de uma Cidade - Cemitério São José I

 

Vista interna do Cemitério São José I – Porto Alegre RS – Foto: Arquivo Pessoal

O presente estudo tem como tema principal o Cemitério São José I, inaugurado no ano de 1888, pela Comunidade de São José, representando a realização do desejo de seus membros de possuir um cemitério próprio, assim como os evangélicos o possuíam. A referida sociedade atendia à comunidade de alemães católicos da cidade de Porto Alegre RS. O primeiro administrador foi Antonio Bard, durante os anos de 1888 a 1892. Nos 12 anos seguintes, a administração ficou a cargo de Jacob Aloys Friedrichs, dono da maior marmoraria do estado. Com o passar do tempo, houve a necessidade de expandir a área para novos sepultamentos. Assim sendo, através da aquisição de terrenos, no lado oposto da via em que se situava o cemitério inicial, surgiu o  Cemitério São José II. Tal fato ocorreu em 1913, durante na gestão de Max Metzler, que administrou os cemitérios, no período de 1910 a 1919. No ano de 1915, foi construída a Capela Histórica, a qual integra o patrimônio histórico e cultural do estado desde o ano de 2007, tendo sido restaurada e preparada para atender às cerimônias fúnebres. Ambos os cemitérios situam-se na Av. Professor Oscar Pereira, no Bairro Azenha, na cidade de Porto Alegre RS.


Portão de entrada do Cemitério São José I – Foto: Arquivo Pessoal

Na data de 22/12/1998, a Comunidade de São José firmou um contrato de sociedade com a empresa Cortel S. A., com duração prevista de 50 anos. Dentro deste prazo, estava prevista a construção do Crematório Metropolitano de Porto Alegre, na área do Cemitério São José II, o qual foi inaugurado em 13/12/1999.  Através de um aditivo contratual, a parceria foi estendida ao Cemitério São José I. Não faltaram críticas ao empreendimento, que deslocou inúmeras sepulturas de chão para jazigos e columbários verticais ou para o chamado Jardim In Memoriam. A grande área existente no segundo cemitério foi transformada num estacionamento, em função dos serviços do crematório. Além disso, muitas sepulturas e obras de arte funerária desapareceram ou foram realocadas para outros cemitérios e crematórios da empresa. Destaca-se, ainda, a existência do Memorial São José, ocupada com painéis e monitores, que visam contar a história da arte funerária nestes importantes cemitérios, que se encontra no Cemitério São José II.


Área da Quadra A – Lateral Direita – Foto: Arquivo Pessoal

Visitei o Cemitério São José I no Dia de Finados, visto que, no resto do ano, ele permanece fechado ao público. Encontrei apenas duas pessoas no horário em que lá estive no turno da tarde. Embora já o conhecesse, havia a necessidade de identificar e fotografar a maior parte das lápides, para realizar a pesquisa. Infelizmente, muitas lápides estavam com as inscrições ilegíveis, algumas delas com péssimas condições de conservação. Há locais em que permanece apenas a área de grama ou terra, onde provavelmente existiu um túmulo. Na lateral esquerda, mais ao fundo, a condição de passagem estava comprometida pelo avanço do mato. Algumas plantas tomaram conta da parte frontal das lápides, dado o avanço do crescimento, dificultando a identificação. Há muitos túmulos que não existem mais, seja pela ação do tempo, seja por terem sido removidos. A atual empresa que administra o cemitério não é colaborativa. Não divulga informações sobre a localização de sepultados. Digo isso por experiência própria. Mesmo com os dados necessários, não revela os dados de localização da sepultura.


Área da Quadra B – Lateral Esquerda – Foto: Arquivo Pessoal

Quando se ingressa no cemitério, a parte da frente corresponde a dos túmulos mais antigos.  No mapa, vemos que o mesmo é dividido em quadras, de A a G, sendo que estão divididas em Linhas, que variam numericamente. O problema maior é encontrar a numeração das sepulturas que, ou não são tão evidentes, ou não mais existem.


Mapa do Cemitério São José I – Fonte: História e Arte Funerária dos Cemitérios São José I e II em Porto Alegre (1888-2014), Tese de Doutorado de Luiza Fabiana Neitzke de Carvalho – Abril de 2015

O sepultamento mais antigo no Cemitério São José I foi o de Lothar de La Rue, falecido em 1877, e que havia sido sepultado no Cemitério da Santa Casa, contíguo ao de São José. Assim sendo, ele foi transferido posteriormente para este último local (não encontrado). Destacam-se os túmulos de Miguel Friederichs, fundador da Marmoraria Casa Aloys, o de Antonio Bard, primeiro administrador do cemitério, o de João Grünewald, arquiteto, e Pedro Weingärtner, pintor, além dos túmulos de seus irmãos Ignacio, Miguel e Jacob. A família Weingärtner mantinha o negócio de litografia, elaborando rótulos, diplomas e certificados, cuja sede era mantida na Rua dos Andradas.


Túmulo de Miguel Friedrichs (1849-1903) (esquerda) e de Antonio Bard (1857-1926) (direita), este último o primeiro administrador do cemitério – Foto: Arquivo Pessoal


Túmulo de João Grünewald (1832-1910) e esposa – Foto: Arquivo Pessoal


Túmulo de Pedro Weingärtner (1853-1929) e esposa – Foto: Arquivo Pessoal


Placa de homenagem a Pedro Weingärtner (*1853-1929) junto ao túmulo – Foto: Arquivo Pessoal


Túmulo de Ignacio Weingärtner (1845-1908) e família – Foto: Arquivo Pessoal


Túmulo de Jacob Weingärtner (1850-1916) e família, elaborado com a estela funerária (grande placa de mármore em que aparece uma figura com relevos de seres ou alegorias), onde se encontra a alegoria da paz em relevo – Foto: Arquivo Pessoal


Família Scheibler (canto direito) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Bins –  Rohrig (ao fundo, dir.) –  o anjo com a coroa na mão significam proteção e esperança na vida eterna – Foto: Arquivo Pessoal


Família de Pedro Bins (centro) e Família Stoll (dir.) – Obs.: o túmulo dos Bins – Rohrig acima aparece aqui no canto direito – Foto: Arquivo Pessoal


Família Daudt (canto esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Schoeller – Wilhelm e outros – Foto: Arquivo Pessoal


Família Endler (primeiro plano) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Theltscher – Bastian (centro, cruz mais alta) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Campani (dir., primeiro plano) – Obs.: no espaço do gramado ao lado, onde há uma pedra redonda, esta foi o que restou do monumento funerário da Família Englert, que, além da cruz, exibia rochas, como referência à atuação de Luiz Englert, nas áreas de petrografia e mineralogia; o monumento foi demolido anteriormente ao ano de 2011 – Foto: Arquivo Pessoal


Família Schneiders – anjo com vaso de flores significa proteção, consolo e imortalidade da alma – Foto: Arquivo Pessoal


Família Teixeira (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Ely (dir., com a cruz) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Becker – Foto: Arquivo Pessoal


Família Hoffmann (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Schuch (esq.) e Família Marquardt (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Wolfenbüttel – Antonio e Josefina – Cruz em Ferro – Foto: Arquivo Pessoal


Família Rieger – Foto: Arquivo Pessoal


Família Kannen e Maas – Foto: Arquivo Pessoal


Família Portanova (esq.) e Família Hansel (ao centro, lápide baixa em granito marrom) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Brozensky (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Heinen – Foto: Arquivo Pessoal


Família Berwanger e Tschiedel – parentes da pesquisadora – Foto: Arquivo Pessoal


Família Wettava (esq.) e Família Primmel (dir.) Carl – Foto: Arquivo Pessoal


Família Lemos (primeiro plano) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Mayer (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Birnfeld – detalhe do trecho de uma pauta musical religiosa – Foto: Arquivo Pessoal


Família de Constância Vieira da Silva – Foto: Arquivo Pessoal


Família Janke (esq.) – lápide com formato de plantas simbolizando o ciclo da vida – Foto: Arquivo Pessoal


Família Zettler (esq., lápide alta) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Hennemann – Foto: Arquivo Pessoal


Família Diebold (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Behle (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Wagner (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Volkmer (esq.) e Família Bernd (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Meyer – Oscar e Clotilde – Foto: Arquivo Pessoal


Família Fonseca (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Kraemer – o anjo com a mão para cima e o rosto para baixo representa a humildade, enquanto observa a alma que subiu; vê-se que há um caramanchão acima do túmulo, usado em cemitérios estilo ‘jardim’ – Foto: Arquivo Pessoal


Família Picoral – Foto: Arquivo Pessoal


Família Sehl – alegoria que chora junto à cruz, simbolizando luto, transição da vida para a morte – Foto: Arquivo Pessoal


Família Berger – Foto: Arquivo Pessoal


Família Pinto – Foto: Arquivo Pessoal


Família Guettlein (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Petzhold – Foto: Arquivo Pessoal


Família Brodt – o ícone das papoulas, aos pés da cruz, simboliza o sono eterno – Foto: Arquivo Pessoal


Família Heit – Mariane Heit (esq.) – lápide decorada com formas fitomorfas ou vegetais, que simbolizam o ciclo da vida e a esperança na ressurreição – Foto: Arquivo Pessoal


Família Mallmann – Foto: Arquivo Pessoal


Família Castro (dir., primeiro plano) e Família Becker (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Jung – anjo com flores significam proteção e esperança na vida eterna – Foto: Arquivo Pessoal


Família Cazzetta – Ludwig (esq. e centro)  e  Família Preissler (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Geiger (dir., primeiro plano) – Foto: Arquivo Pessoal 


Família Eckert – alegoria feminina lamentando a morte – Foto: Arquivo Pessoal


Família Schramm (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Etzberger – alegoria da fé junto à cruz – Foto: Arquivo Pessoal


Família Marques – Foto: Arquivo Pessoal


Família Tschiedel – Francisco (Franz) e Elisabetha (Schmaedecke) – parentes da pesquisadora – Foto: Arquivo Pessoal


Família Graeff (esq.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Margarinos (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal


Família Palzo (canto esq.) – Friedrich August  - Foto: Arquivo Pessoal


Família Schoeller (dir.) – Foto: Arquivo Pessoal

Os monumentos funerários, até a segunda década do Século XX, eram realizados em pedra grés. Após este período, a preferência recaiu sobre o mármore. O cemitério São José I é conhecido como o ‘cemitério dos artistas’, pois estes exibiam verdadeiras obras de arte, na especialidade de suas áreas. Destaca-se, ainda, por ser considerado um cemitério ‘jardim’, que veio a se tornou popular no Século XIX, reunindo lazer, contemplação e arte.


Listagem Geral dos Sepultados, com datas de sepultamento, nos Cemitérios São José I e II de Porto Alegre RS

Link:



Os nomes, na pequena listagem que existem no livro ‘Cemitério das Colônias Alemãs no Rio Grande do Sul’, de Werner M. Dullius e Hugo Egon Petry, estão inseridos na listagem geral acima, porém os autores colocaram as datas de nascimento e óbito. O livro citado acrescenta, ainda, detalhes sobre a origem dos sepultados, que se encontram em suas lápides. Eis as poucas informações que constam:

Friederichs, Catharina Sehl – Merl
Friederichs, Michael – Merl
Grünewald, Catharina Bender – Trier
Grünewald, João (Johann) – Königswinter am Rhein


Fontes de Pesquisa:

Cemitério das Colônias Alemãs no Rio Grande do Sul – Werner M. Dullius e Hugo Egon Petry;

História e Arte Funerária dos Cemitérios São José I e II em Porto Alegre (1888-2014), Tese de Doutorado de Luiza Fabiana Neitzke de Carvalho – Abril de 2015;

São José Comunidade de Arte e Fé – Renato Mendonça.