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sábado, 16 de setembro de 2017

Família Schmitz (Philipp) - Histórias - Ramo Maria Anna (Schmitz) Schmitz


RAMO MARIA ANNA SCHMITZ – FILHA DOS IMIGRANTES PHILIPP SCHMITZ E SUSANNA ROHR – CASADA COM PETER SCHMITZ

SUB-RAMO FELIPPE SCHMITZ CASADO COM ELISABETHA WEBER


ALOÍSIO ROQUE SCHMITZ

Aloísio Roque Schmitz (*14/07/1934 Bom Princípio RS/+20/06/2014 Bom Princípio RS) era filho de Pedro Fridolino Schmitz e Maria Hilda Angst, neto de Felippe Schmitz e Elisabetha Weber, bisneto dos imigrantes Peter Schmitz e Maria Anna Schmitz e trineto dos pais deste casal, Philipp Schmitz (o Grande) e Maria Merges e Philipp Schmitz (o Pequeno, nosso imigrante) e Susanna Rohr. Foi casado com Maria Therezinha Poersch, com quem teve cinco filhos. Ele foi um grande empresário, líder político e comunitário, que muito contribuiu com sua mente visionária para o desenvolvimento da cidade de Bom Princípio RS e de toda a região. 


Aloísio Roque Schmitz e Família – Bom Princípio RS – Foto: Jornal QTal

Autor: Jornalista Renato Klein. Texto publicado no Jornal Fato Novo, Edição de 24/06/2014. 

Roque Schmitz, como era mais conhecido, nasceu numa família de agricultores residentes em Bom Princípio, no dia 14 de julho de 1934. Seus pais foram Fridolino e Hilda Schmitz. Quando era ainda menino, Roque estudou no colégio dos Irmãos Maristas, em Bom Princípio. Mas não teve condições de continuar os seus estudos imediatamente, pois precisou trabalhar cedo para ajudar no sustento da família. Ele casou com Maria Therezinha Poersch e o casal teve cinco filhos: Maria de Nazaré, Luis Antônio, João Paulo, Ana Maria e Maria Fidelis. Esta última falecida num acidente automobilístico, quando tinha apenas 15 anos de idade.

Aos 42 anos, Roque voltou a estudar e formou-se engenheiro mecânico na UNISINOS, fazendo ainda um curso de pós-graduação em ecologia humana. Nos anos de 1979 a 1982, ele foi secretário de obras em São Sebastião do Cai, município que, na época, incluía Bom Princípio, São Vendelino, São José do Hortêncio e Capela de Santana. Na primeira eleição ocorrida em Bom Princípio, no ano de 1982, Roque foi candidato a prefeito, mas foi derrotado por Hilário Junges. Depois disso, ele ainda atuou como secretário de obras na prefeitura de Bom Princípio, (no governo de César Baumgratz); na de Feliz, com o prefeito Clóvis Assmann, e em São Vendelino, com Leonardo Willrich.


CONSTRUTOR DE CIDADES

Mas a maior contribuição dada por Roque Schmitz à região foi a implantação de notáveis loteamentos. Todos concebidos de forma planejada e ordeira. O que ajudou algumas das principais cidades da região a ter um desenvolvimento harmônico e sustentável. O primeiro deles, nos anos de 1979 a 1980, foi o Loteamento Schmitz, realizado em terras da sua família, junto ao centro da atual cidade de Bom Princípio.

Nos anos de 1983 a 1984, Roque teve a ousadia de implantar um enorme loteamento, com 18 hectares, em terras situadas do outro lado a antiga RS-122. Na época, a rodovia era extremamente movimentada e perigosa e se constituía numa barreira. Não parecia bom morar do outro lado da faixa. Mas o loteamento foi um sucesso e outros foram implantados pela empresa de Roque (a Imobiliária Schmitz) naquele setor da cidade: o Recanto Verde e o Paraíso do Vale.

Também em Bom Princípio, a Imobiliária Schmitz implantou o loteamentos John, em Santa Terezinha e o do Morro Tico-tico. Ainda em Santa Terezinha, foram criados os loteamentos Barle e Persch. Atualmente, a imobiliária está implantando mais um loteamento, o Aurora, em Bom Princípio.

A pequena vila de Bom Princípio, da década de 1970, transformou-se numa cidade. E esse crescimento, que poderia ter ocorrido de forma desordenada, como costumava acontecer naquela época, ocorreu de forma planejada. E isso ocorreu graças à visão privilegiada do engenheiro/ecologista Roque Schmitz.

 Expandindo os negócios. Já seria muito, se fosse apenas essa a obra de Roque Schmitz. Mas o seu trabalho não ficou limitado ao seu município. Na cidade de Feliz, a Schmitz fez um dos seus mais ousados empreendimentos: o loteamento Colina, no bairro Matiel, com área de 28 hectares. Não muito menos do que o tamanho da cidade naquela época. Ainda na Feliz, foi implantado o loteamento Encosta da Serra, na localidade de Arroio Feliz. No Vale Real, Roque implantou os loteamentos Zimmer e Morada do Vale.

A empresa de Roque também teve participação fundamental na expansão urbana de São Sebastião do Caí. Já em 1988, foi implantado o Loteamento Laux, numa época em que a cidade ainda era repartida em lado de lá e de cá da faixa (o traçado antigo da RS-122, na qual os veículos transitavam entre a Serra e a Grande Porto Alegre. Ainda no Caí, a Schmitz implantou os loteamentos Morada do Vale, Rio da Mata e Angico, tendo mais dois em projeto.

No Pareci Novo, foram criados os loteamentos Colina das Flores e Jardim Ipê. Mais recentemente, a empresa expandiu seus negócios até Montenegro, onde implantou os loteamentos Mão de Pilão e Mão de Pilão 2. 

O fato de haver realizado tanto não impediu Roque de se dedicar a atividades públicas, como o canto coral, e particulares, como o cultivo de flores e jardins. Era extremamente cordial, mesmo que pouco falante. Falando de forma amena e ouvindo com atenção, transmitia a todos o seu espírito positivo e fraterno.




Família Schmitz (Philipp) - Histórias - Ramo Maria Anna (Schmitz) Schmitz


RAMO MARIA ANNA SCHMITZ – FILHA DOS IMIGRANTES PHILIPP SCHMITZ E SUSANNA ROHR – CASADA COM PETER SCHMITZ

SUB-RAMO MATHIAS SCHMITZ CASADO COM ELISABETHA FRÖHNER


ALBERTO SCHMITZ


Alberto Schmitz (*13/06/1888 São Leopoldo RS/+20/06/1959 Roca Sales RS) era filho de Mathias Schmitz e Elisabetha Fröhner, neto dos imigrantes Maria Anna Schmitz e Peter Schmitz e bisneto dos pais deste casal, Philipp Schmitz (o Grande) e Maria Merges e Philipp Schmitz (o Pequeno, nosso imigrante) e Susanna Rohr. Foi casado com Catharina Schaeffer, com quem teve onze filhos.


Alberto Schmitz – Fonte: Site www.nossadica.com.br


Fonte: Estrela Ontem e Hoje, de José Alfredo Schierholt – Ed. 2002

Alberto Schmitz iniciou seu trabalho como professor particular no ano de 1910, em aulas subvencionadas pelo Estado, na Linha Júlio de Castilhos, localidade do município de Roca Sales RS. Em 1923, foi nomeado Tesoureiro da Deutscher Katholischer Lehrerverein (Associação dos Professores Alemães Católicos). Nesta cidade, foi Presidente da Diretoria da Casa de Saúde Roca-Salense. Mais tarde, foi nomeado Professor na Comunidade Católica de Conventos Vermelhos (cf. Mitteilungen nº 5, de maio de 1936). Foi eleito Conselheiro Municipal de Estrela, em 15/08/1928, com 1.090 votos, para o exercício de 15/10/1928 a 11/11/1930, sendo escolhido para Presidente da Mesa, no período de 15/10/1929 a 15/10/1930. Quando sobreveio a ditadura getulista, o seu mandado foi cassado. Na data de 15/11/1947, foi eleito pelo PTB como Vereador e Presidente da Câmara de 09/12/1947 a 31/12/1951. Depois, foi reeleito em 1951, pelo mesmo partido, cujo mandato vigorou de 31/12/1951 a 31/12/1955, sendo escolhido novamente como Presidente da Câmara Municipal. Na data de 16/07/1953, entrou em exercício como Prefeito Municipal de Estrela.



Família Schmitz (Philipp) - Casas Antigas - Ramo Carlos Schmitz


RAMO CARLOS SCHMITZ – FILHO DOS IMIGRANTES PHILIPP SCHMITZ E SUSANNA ROHR – CASADO COM MARIA THERESA ARENDT

SUB-RAMO LEONARDO SCHMITZ CASADO COM MARIA THERESA MACHRY


Casa construída por Leonardo Schmitz, filho de Carlos Schmitz, onde ele e o cunhado Emílio Selbach exerceram atividades comerciais na localidade de Lourdes, Venâncio Aires RS. Segundo Maria de Lourdes Pilz, Leonardo Schmitz dedicou sua vida ao comércio, mas sua profissão era a de marceneiro. Ele se estabeleceu em Lourdes no ano de 1892. Durante 25 anos, foi sócio de Emílio Selbach, seu cunhado. Depois, fez-se independente. A esposa Maria Theresa Machry instalou uma padaria nos fundos deste estabelecimento comercial. Mais tarde, o marido da neta Maria de Lourdes, Wunibaldo Kroth, ficou sendo proprietário de parte do estabelecimento – Fonte: Colônia de Santa Emília – Venâncio Aires RS – Autor: Cláudio Carlos Fröhlich


Família Schmitz (Philipp) - Álbum de Família - Ramo Maria Anna (Schmitz) Schmitz


RAMO MARIA ANNA SCHMITZ – FILHA DOS IMIGRANTES PHILIPP SCHMITZ E SUSANNA ROHR – CASADA COM PEDRO (PETER) SCHMITZ

SUB-RAMO FELIPPE SCHMITZ CASADO COM ELISABETHA WEBER


Família de Pedro Fridolino Schmitz, filho de Felippe Schmitz e Elisabetha Weber, neto dos imigrantes Maria Anna Schmitz e Peter Schmitz e bisneto dos pais deste casal, Philipp Schmitz (o Grande) e Maria Merges e Philipp Schmitz (o Pequeno, nosso imigrante) e Susanna Rohr – (de pé, atrás) Maria Anísia (Irmã Benedita), Padre Egídio Francisco, Reinaldo Eugênio, Padre Pedro Ignácio, Aloísio Roque; (de pé, à frente) Tereza Edwig e Maria Carmen; (sentados) Pedro Fridolino e a esposa Maria Hilda Angst – Bom Princípio RS – Foto: Acervo de Ana Maria Schmitz


Família de Aloísio Roque Schmitz, filho de Pedro Fridolino Schmitz e Maria Hilda Angst – (atrás) o casal Aloísio Roque e Maria Therezinha Poersch, com Maria Fidelis ao colo; (da esq. para dir. à frente) João Paulo, Ana Maria, Luis Antônio e Maria de Nazaré – Bom Princípio RS – Foto: Pedro Ignácio Schmitz do Acervo de Ana Maria Schmitz


Aloísio Roque Schmitz e Família – Bom Princípio RS – Foto: Jornal Vale do Caí


Família Schmitz (Philipp) - Álbum de Família - Ramo Maria Anna (Schmitz) Schmitz


RAMO MARIA ANNA SCHMITZ – FILHA DOS IMIGRANTES PHILIPP SCHMITZ E SUSANNA ROHR – CASADA COM PEDRO (PETER) SCHMITZ

SUB-RAMO MATHIAS SCHMITZ CASADO COM ELISABETHA FRÖHNER


Alberto Schmitz, filho de Mathias Schmitz e Elisabetha Fröhner, neto dos imigrantes Maria Anna Schmitz e Peter Schmitz e bisneto dos pais deste casal, Philipp Schmitz (o Grande) e Maria Merges e Philipp Schmitz (o Pequeno, nosso imigrante) e Susanna Rohr. Foi casado com Catharina Schaeffer – Foto: Site www.nossadica.com.br


Família Schmitz (Philipp) - 1ª Comunhão (Eucaristia) - Ramo Carlos Schmitz


RAMO CARLOS SCHMITZ – FILHO DOS IMIGRANTES PHILIPP SCHMITZ E SUSANNA ROHR – CASADO COM MARIA THERESA ARENDT

SUB-RAMO HENRIQUE SCHMITZ CASADO COM CAROLINA BÖHM


1ª Comunhão de Ildo José Schmitz e Delci Helena Schmitz, filhos de Amandio Balduino Schmita e Anita Irmgard Schlüter, netos de João Reinaldo Schmitz e Florentina Catharina Steffens, bisnetos de Henrique Schmitz e Carolina Böhm, trinetos de Carlos Schmitz e Maria Theresa Arendt e tetranetos dos imigrantes Philipp Schmitz e Susanna Rohr. A cerimônia foi realizada na Paróquia de San Antonio de Padua, atual Catedral, tendo como pároco o Padre Francisco Cichanoski. Na foto vê-se o Padre Alfonso Heck – Oberá, Misiones, Argentina – Anos 1960 - Foto: Acervo de Ildo José Schmitz


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Família Schmitz (Philipp) - A Viagem de Navio


Texto baseado nos artigos do genealogista alemão Friedrich Hüttenberger, além da correspondência pessoal com o mesmo. Ele é pesquisador do engano histórico envolvendo os navios Cäcilia, que nunca existiu, e o Helena e Maria, que sofreu um quase-naufrágio próximo ao porto inglês de Falmouth. Ler neste blog a publicação no marcador: A Lenda do Navio Cecília (Cäcilia) ou no link: https://memorialdotempo.blogspot.com.br/search/label/A%20Lenda%20do%20Navio%20Cec%C3%ADlia%20%28C%C3%A4cilia%29


Vista do Rio Mosel e Klüsserath – Foto: Derzno - Wikipédia

Os nossos imigrantes, Philipp Schmitz (o Pequeno), a esposa Anna Maria Susanna Rohr e a filha Maria Anna Schmitz, começaram os preparativos para a saída de sua pátria nos últimos meses do ano de 1827. Quais foram os motivos pelos quais estavam deixando para trás os seus bens, parentes e amigos? No Século XIX, as causas para a emigração de muitas famílias foram a fome e a pobreza, que assolava a região de Eifel-Mosel-Hunsrück na Alemanha. A América do Sul e do Norte eram os destinos mais procurados. Dentre os registros da Igreja de Ensch, encontramos uma nota revelando que um grupo formado por emigrantes desta cidade e de Klüsserath havia partido de suas cidades em 11/11/1827. Provavelmente, a família Schmitz tenha ido de Klüsserath até Bingen, como fez a maior parte dos emigrantes do Palatinado e do Hunsrück e, de lá, seguiram para a cidade de Amsterdã.


Bingen – Artista Stanfield C., Ed. Longman & Co. - Fonte: Heath's Annual 1833 - Travelling Sketches on the Rhine and in Belgium and Holland


View of Amsterdam toward the Zuyder Dee - Artista Craig – Ed. Nutall, Fisher & Dixon, Liverpool - 1814

Os Schmitz, assim como os demais emigrantes que pretendiam vir para o Brasil, contrataram a viagem com o Comandante Bartolomeus Karstens, pagando-lhe previamente uma vultosa quantia. Este capitão possuía um velho veleiro, um hoeker holandês, chamado "Helena en Maria" (no português, Helena e Maria ou Helena Maria, como ficou conhecido entre nós). Mas, como este serviria de navio de emigração, mandou instalar diversos beliches para poder acomodar os passageiros. Em função de seu tamanho, contendo três mastros, o navio não poderia zarpar direto de Amsterdã e, por isso, ele sairia do porto de Texel, uma das Ilhas Frísias, situada ao norte de Amsterdã.


Texel – Artista Stanfield C. - The Scheldt, Texel Island, from the Picture in the Vernon Gallery

O veleiro “Helena e Maria” foi construído anteriormente ao mês de novembro de 1813, como navio de carga, em Maassluis, na província da Holanda do Sul, com casco de madeira, dois mastros e um deque, possuindo 28,10 m de comprimento, 7,14 m de largura, 3,80 m de profundidade e 113 toneladas. Seu nome inicialmente era “Maassluis Welvaren”. 


Imagem de um antigo Hoeker, veleiro que era utilizado normalmente para a pesca no Mar do Norte – Fonte: http://ijsselvallei.info/

O veleiro de dois mastros chamado “hoeker’ na Holanda era popularmente utilizado como barco de pesca no Mar do Norte. Este tipo de embarcação existia desde o século XIII, evoluindo depois como navio de transporte e mercante, com dois ou três mastros, sendo utilizado até o final do Século XIX. O nome “hoeker” deriva da palavra promontório.

Seguindo o histórico do veleiro dos nossos imirantes, em 20/05/1814, o mesmo foi registrado com o nome “Welbedagt” ou “Welbedacht”, tendo como gerente Lambregt Schelvisvangst, de Maassluis, e consta a propriedade como ‘Partenrederij onder boekhouderschap van genoemde manage’, da mesma cidade. Na época, o capitão chamava-se Gerrit Scheepen.

Conforme a sua escritura de venda, em 04/07/1823, o navio sofreu mudanças na configuração, tendo-lhe sido acrescentado mais um mastro, isto é, ficou com três mastros, mais um deque, passando a se chamar “Thalia”, sendo gerente, proprietário e capitão, Coenraad Brandligt, de Amsterdã.

Na data de 03/09/1825, consta como gerente e proprietário a Firma Voûte & Co, de Amsterdã. No ano de 1826 teve como capitães: A. Bakker e J. H. D. Schröder.

Em 12/12/1827, em nova escritura de venda, já com o nome “Helena en Maria”, o navio contava com as medidas de 26,50 m de comprimento, 5,41 m de largura e 3,37 m de profundidade. Os proprietários do navio eram o capitão Bartolomeus Karstens, a Empresa Gieseke & Co. e Hendrik Fredrik Gieseke, comerciante, todos de Amsterdã. Seguiu-se a viagem narrada e, após ter sido avariado na tempestade, em 07/10/1828, o navio foi vendido em Falmouth (Fonte: http://www.marhisdata.nl/)

Segundo a carta do imigrante Johannes Weber, de Neunkirchen, Bosenbach, no Palatinado, que se encontrava guardada e esquecida nos USA, conforme Hüttenberger, seriam mais ou menos 40 famílias do Rio Mosel, que já estavam instaladas no “Helena e Maria”, além de famílias do Hunsrück, como Johannes Spindler, conhecido pela carta que escreveu em 1828, isto é, famílias que provinham de regiões do lado esquerdo do Reno, predominantemente católicas, que estariam a bordo, antes que outras famílias da região de Kusel, distrito da Alemanha, no oeste do Palatinado, de religião protestante, chegassem ao navio.

Como o número de passageiros e de bagagens excedia à capacidade do navio, ocorreu um sério conflito, que resultou na ordem do comandante de zarpar mesmo que todos passageiros não tivessem embarcado, permanecendo certo número de emigrantes em terra, com ou sem suas bagagens e, pior ainda, mesmo que estes tenham ficado separados dos demais membros de suas famílias, que já estavam no navio, sem que pudessem impedir a partida do veleiro “Helena e Maria”. Os que ficaram para trás conseguiram embarcar posteriormente no bergantim holandês Alexander para o Rio de Janeiro, sendo depois levados à cidade de Santos pelo navio Rocha e, mais tarde, seguiram para a colônia de Santo Amaro em São Paulo. 

Depois desta situação inusitada, os passageiros embarcados partiram no navio “Helena e Maria”, na data de 06/01/1828, do porto de Texel, e não no suposto navio chamado Cecília ou Cäcilia. Depois de quase uma semana de navegação, no dia 12/01/1828, o navio foi atingido por uma violenta tempestade ou furacão no Canal da Mancha, perdendo os três mastros, cujas partes superiores se partiram e caíram. Na tradição oral, o marceneiro Philipp Schmitz (o Grande), com ajuda dos imigrantes, teria tido a idéia de cortar os mastros, como tentativa de estabilizar o navio. O incidente aconteceu na Ponta de Lizzard ou Manacle Rock, perto da cidade portuária de Falmouth, onde o Canal da Mancha se encontra com o Oceano Atlântico.


Notícia sobre a partida do “Helena e Maria” do porto de Texel em 06/01/1828 - Fonte: Site da Família Kich, com dados fornecidos por Friedrich Hüttenberger

Cessada a tempestade, o “Helena e Maria” ficou à deriva por 3 dias, pois a chegada ao porto de Falmouth aconteceu em 15/01/1828, segundo consta no registro no Lloyd’s List. Providencialmente, o “Helena e Maria” foi socorrido pelo navio Plover Packet, comandado pelo Capitão Edward Jennings. Este navio foi lançado no ano de 1821, e foi nomeado em 06/12/1823 pelo Almirantado inglês para atuar em viagens regulares entre o Reino Unido e a América do Sul, além das Índias Ocidentais. Não houve abandono do navio “Helena e Maria” por parte da tripulação, nem do Capitão Bartholomeus  Karstens, os quais acompanharam os passageiros até Falmouth. Este capitão mandou reparar o navio para que os passageiros seguissem viagem, mas estes não aceitaram, por considerarem a embarcação pouco segura, já que o próprio Estado Maior da Marinha Inglesa o considerou não-navegável.


Antigo porto de Falmouth, na Cornualha, Inglaterra – Fonte: Pinterest


Agradecimento do Capitão Bartholomeus Karstens pela ajuda recebida no resgate do “Helena e Maria” – Fonte: Site da Família Kich, com dados fornecidos por Friedrich Hüttenberger


No período em que os emigrantes foram acolhidos em Falmouth, durante o ano de 1828, houve muitos registros de nascimentos e óbitos, que foram registrados nos livros da Igreja de Falmouth, ou seja, os primeiros Alemães em Falmouth apareceram em janeiro de 1828. Este fato é provado pelos artigos de jornais da Inglaterra sobre o naufrágio,  pelos registros da Igreja de Falmouth, onde, por exemplo, todos os sepultamentos de crianças alemãs estão registrados, sendo que o sepultamento de Jakob Drumm, em 26 de novembro 1828, foi o último registro de um alemão em Falmouth, além de registros de batismos e casamentos. Assim sendo, os emigrantes ficaram nesta cidade por quase onze meses, ou seja, de 15/01/1828 a 10/12/1828.

Quanto à data de nascimento do segundo filho de Philipp Schmitz, Peter Schmitz, que teria nascido fora da Alemanha, podemos supor primeiramente que ele pode ter nascido ao final do ano de 1827, enquanto a família estava em trânsito entre Klüsserath e Amsterdã, ou até mesmo em Texel. O ano de 1827 é o que consta como ano de nascimento em sua lápide em Bom Princípio RS (in Cemitério das Colônias Alemãs no RS, de Dullius e Petry). É também possível que o nascimento tenha ocorrido em 1828, mas durante o mês de dezembro, quando a família ainda estava em Falmouth. Como os Schmitz estavam em vias de viajar para o Brasil, talvez fosse tarde demais para registrá-lo na Igreja, pois não há nenhum registro de seu batismo na Igreja de Falmouth. Outra possibilidade é que a família Schmitz já estivesse no navio James Laing, quando ocorreu o seu nascimento. Mas ele também pode ter nascido na cidade do Rio de janeiro. Assim sendo, a data do natalício de Peter Schmitz permanece até hoje para nós um mistério. 

O "Helena e Maria" foi reparado, mas não foi mais considerado navegável. Então, os emigrantes passaram a buscar outro meio de transporte. Somente após muitos pedidos, o Governo Inglês pôs um navio à disposição destes (e não D. Amália von Leuchtenberg, como Amstad e Hunsche escreveram), mas foram advertidos que a roupa, pois estava chegando o inverno, além dos mantimentos, ficariam por sua própria conta. Esta ajuda foi dada, em parte, pela comunidade inglesa e, ao final de 1828, o navio "James Laing" foi colocado à disposição no Porto de Falmouth. Em 10/12/1828, quase um ano depois do início da viagem na Holanda, o navio zarpou deste porto com os imigrantes e, dois meses depois, sem qualquer acontecimento, chegaram ao Rio de Janeiro. A última coisa que os emigrantes fizeram antes de partir foi uma missa na capela católica de Falmouth, em 10/12/1828, para agradecer aos Ingleses pela ajuda e ao governo inglês pelo navio (conforme artigo em Devizes & Wiltshire gazette de 18/12/1828). 


Veleiro (imagem com finalidade meramente ilustrativa) – Fonte: Internet

O "Diário do Rio de Janeiro", de 10/02/1829, publicou a chegada do James Laing em 08/02/1829, após 61 dias, que era o tempo normal para a travessia do Atlântico naquela época, com 305 colonos. Revela que a empresa responsável era A. Miller & Comp. (em nota de rodapé). 



Notícia no Diário do Rio de Janeiro sobre a chegada do James Laing - Fote: Hemeroteca da Biblioteca Nacional do RJ



Notícia no “Jornal do Commercio”, do Rio de Janeiro, sobre a chegada do James Laing - Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional do RJ

A maior parte dos Hunsrükianos, Moselanos e Palatinos foi registrada em 18/03/1829 no Rio de Janeiro. Estes foram embarcados em 10/04/1829 no veleiro costeiro "Florinda" e, após, encaminhados para Porto Alegre no Rio Grande do Sul, finalizando nesta cidade a grande odisséia na data de 14/05/1829. Os imigrantes que possuíam parentes que chegaram ao Brasil no navio “Alexander”, puderam finalmente ir ao seu encontro, com exceções de alguns poucos que não os viram mais.


Brigue-Escuna semelhante ao Florinda – Autor: desconhecido - Fonte: Internet

O relato de os alemães imigrantes terem proposto festejar a data do salvamento anualmente, pode ou não ser verdade. O certo é que o imigrante responsável pela sugestão, de sobrenome Altmayer, nunca existiu, pois imigrantes com este sobrenome já teriam chegado a Porto Alegre em 16/12/1827. A data da Festa de São Miguel, realizada a 29 de setembro, dia do onomástico deste santo, não encontra qualquer relação com a chegada dos imigrantes ao RS, que ocorreu no mês de maio de 1829. Entretanto, as orações pedindo a Deus por suas vidas são incontestáveis, em que pese os episódios pelos quais passaram, conforme observação de Friedrich Hüttenberger.



A Lenda do Navio Cecília (Cäcilia)



Vista da extremidade norte da Ilha de Texel, com o farol de Eierland - Os imigrantes alemães que, conforme a lenda, teriam embarcado no Cecília, partindo do porto de Bremen, na verdade viajaram no navio "Helena e Maria", que partiu da Holanda rumo ao Brasil, na data de 06/01/1828, através do porto de Texel, esta a maior das Ilhas Frísias, situadas na província da Holanda do Norte -  Fonte: Wikipedia – Foto: www.cycletours.com

Esta publicação tem como objetivo elucidar um dos acontecimentos mais intrigantes da história da imigração alemã no Rio Grande do Sul: a viagem de dezenas de famílias de imigrantes, que teriam embarcado no lendário navio Cecília, o qual teria sofrido um quase naufrágio no Canal da Mancha depois de uma tempestade e, após, terem sido salvas e encaminhadas ao porto inglês de Falmouth, lá permanecendo durante vários meses, antes de finalmente viajarem para o Brasil a bordo do navio James Laing.
  
Uma Lenda é uma narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos, possuindo caráter fantástico e/ou fictício. As lendas combinam fatos reais e históricos com fatos irreais que são meramente produtos da imaginação aventuresca humana (Fonte: www.dicionarioportugues.org). O ponto central da referida lenda gira em torno do navio Cecília ou Cäcilia, sobre o qual nunca foi encontrada comprovação documental, mas que entrou para o cenário histórico através dos ecos dissonantes da tradição oral.

De certa forma, este engano histórico, além de subtrair a verdade dos fatos, desviou-nos do caminho da importante pesquisa acerca do verdadeiro navio, o "Helena e Maria", o qual foi relegado a um papel secundário na história da nossa imigração. Esta foi a embarcação que verdadeiramente sofreu sérias avarias no Canal da Mancha, cujos episódios subsequentes resultaram nos acontecimentos que já conhecemos. 

Através da apresentação deste estudo, realizado pelo historiador e genealogista alemão Friedrich Hüttenberger, cuja publicação foi autorizada pelo autor, conheceremos o cenário histórico, a cronologia e o desenvolvimento dos principais fatos relacionados à difícil viagem dos nossos imigrantes, que chegaram ao Brasil em 08/02/1829.  



Friedrich Hüttenberger

"NÓS VAMOS JOGAR O CAPITÃO COM TODOS OS LUTERANOS NA ÁGUA"

Relatório testemunhal do imigrante para o Brasil, Johannes Weber de Bosenbach, sobre a catástrofe do "Helena & Maria" em 1828 em Falmouth e a "Lenda-Cäcilia"
tradução e adaptação por:
Flavio Eduardo Pahl e Ulisses Guilger
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A "Lenda-Cecília" -  ficção e verdade sobre a imigração alemã ao Sul do Brasil


Há muita coisa colocada ao público no Rio Grande do Sul, onde, entre 1824 a 1830, alemães imigraram. Vem sendo divulgada lenda sobre uma viagem desastrosa do navio "Cäcilia" com descendentes Moselanos, Hunsrükianos e Palatinos, salvos na costa da Inglaterra de uma emergência marítima da viagem. Livros e internet que falam sobre este mito se prendem na tradição oral que foi passado de geração em geração. Desta tradição oral deu-se o início à Festa de São Miguel na (cidade) de Dois Irmãos tendo em vista uma promessa feita no navio avariado de que todo ano fariam festa em homenagem a São Miguel por terem sido salvos da morte. Um exame minucioso sobre as datas, fatos referentes à lista de passageiros, relatos em jornais tanto Ingleses como Holandeses, registros de Igrejas Inglesas e Alemãs e correspondências recebidas de imigrantes, mostram, porém, que no decorrer de quase 200 anos, que a partir destes fatos, isto se tornou um mito, uma lenda que apresenta uma falsa verdade, modificada através dos anos e que não resiste a uma verificação histórica.

Segue a lenda como está sendo contada no livro sobre a história de Dois Irmãos de Clarice Arandt (1), para mostrar como numa análise histórica esta tradição oral foi falsificada.


“...no ano de 1827 saiu do Porto de Hamburg o veleiro "Cäcilia". A bordo viajavam grande quantidade de imigrantes da região de Trier com destino ao Rio Grande do Sul onde iriam se estabelecer como agricultores.

No Canal da Mancha o navio foi surpreendido por uma violenta tempestade que causou grandes avarias. Quando o capitão se deu como perdido, ele e a tripulação pegaram dois botes salva-vidas e deixaram os pobres coitados a seu destino. O navio inclinou-se para o lado e os pobres viajantes viram aproximando sua hora, quando o imigrante de nome ALTAMAYER propôs que todos deveriam prometer de que se fossem salvos e chegassem ao Brasil, o dia de sua chegada seria lembrado na forma de um feriado, o qual seria escolhido o santo do dia e que deveria ser celebrado todos os anos, de descendente a descendente, e Deus ouviu a prece deles. Para que o navio, que já estava inclinado, se endireitasse propôs PHILIPPE SCHMITZ o seguinte: “vamos procurar encurtar o mastro”, o plano foi aceito e todos os carpinteiros ajudaram Schmitz a encurtar o mastro, o navio se tornou um destroço, sem vela e sem mastro, e ficou à deriva. Sobre estes destroços ficaram três semanas à deriva até que um navio Inglês os achou e os levou até o porto Inglês, mais próximo, de Plymouth. Lá ficaram dois anos e já tinham quase posto no pensamento ficar para sempre na Inglaterra.

É contado que, um dia, quando as mulheres alemãs estavam lavando roupa na praia passou o Capitão do “Cäcilia”. Sob o comando da senhora BOHNENBERGER, todas as lavadeiras deram uma surra no Capitão com as roupas molhadas e todos os Ingleses riram muito.

Durante a estadia foi reconstruído o navio para realizar a travessia para o Brasil. Nesse navio finalmente os imigrantes de Trier desembarcaram em 29 de Setembro de 1929. Em “Baumschneiss” (Dois Irmãos), onde muitos fixaram residência. Até hoje, no dia 29 de Setembro, é feriado e é celebrada a festa de São Miguel ou “Sankt Michaelskerb”.”


Conforme a lenda difundida em Dois Irmãos até o ano da chegada é falso, sem comprovação de veracidade, pois foi passado "boca a boca", cada um acrescentava um pouco, sendo acrescentado de detalhes falsos, tudo foi feito por associações e grupos, misturando tudo: o infeliz navio que no texto de Philipp Schmidt imigrou, era o “Helena e Maria” que saiu  a 06 de Janeiro de 1828 (2) e não em 06 de Janeiro de 1827.

O mencionado porto de saída de Hamburg não procede. O “Helena e Maria” saiu no porto de Texel, Amsterdam (3). Provavelmente saiu de Hamburgo um navio "Cecília" mas este grupo não estava no navio lenda "Cecília" que se quebrou. Há outras versões de que o navio "Cecília" saiu de Bremen, porém estas informações foram dadas por agentes de Bremen, mas não confirmadas. Alguns grupos de imigrantes saíram de Bremen para o Brasil, mas não esse grupo, apesar de ter informações do Consulado Brasileiro em Bremen , ou de agentes de Bremen.

Este grupo deveria ser de Trier, conforme dito acima. Isto está correto mas o navio não era o “Cäcilia” e sim “Helena e Maria”. Nesse navio, o imigrante do Palatinado Johannes Weber, escreveu em 1828, numa carta (4) recém redescoberta, que teria mais ou menos 40 famílias “vom Moselstrom” (do rio Mosel) que já estavam instalados no "Helena e Maria", antes que outras famílias do Palatinado Oeste, região de Kusel, chegassem. Weber mencionou em sua carta o navio de imigrantes com o nome de “Maria Helena”, (apresentação popular, o correto é “Helena e Maria”). Além disso, estavam a bordo famílias do Hunsrück, como, por exemplo, Johannes SPINDLER de Niederhosenbach, que já escreveu sobre o mesmo assunto na longa carta do ano de 1828 (5).

Que o Rio Grande do Sul era o objetivo dos imigrantes está correto, pois era conhecido por todos em Hunsrück, também pelos naturais do Mosel e do Palatinato, sabiam através de notícias do Brasil que o clima era ameno e eram boas condições para a agricultura. Além disso, não eram os imigrantes que decidiam onde eles poderiam se estabelecer; isto foi estabelecido pelo governo brasileiro do Rio. Estabeleceu-se que a partir de Novembro de 1827 seriam mandados imigrantes alemães para o Estado de São Paulo. Algumas famílias do “Helena e Maria” foram dirigidas para lá enquanto que outras, embora da mesma aldeia, foram para o Sul.

A “violenta tempestade” foi um furacão como não se tinha visto há muito tempo no Canal da Mancha. A história de que o navio sofreu grandes avarias condizem com a verdade: O “Helena e Maria” perdeu os três mastros (6).  Que o capitão e a tripulação  abandonaram o navio e que os imigrantes foram deixados a sua sorte não é correto. Testemunhas oculares como SPINDLER e WEBER relatam, ambos, de que os marinheiros ficaram no navio durante a tempestade e o Capitão Bartholomeus  KARSTENS, foi com sua tripulação e passageiros até Falmouth. Ele, em carta aberta e publicamente, agradeceu o seu salvador, o Capitão Edward JENNINGS (7) do navio “Plover packet”. Contrário à lenda de que os deixou à própria sorte porque o navio não poderia mais vir ao Brasil, embora tenham pago grande soma, ele mandou reparar o navio para transportar os passageiros mas os imigrantes não aceitaram. O Estado Maior da Marinha Inglesa numa inspeção considerou o navio não navegável (8).

Que os imigrantes acreditavam que tinha chegado a sua hora, que foi feito orações pedindo a Deus, tanto o temente a Deus, Johannes WEBER em sua carta como a lenda se igualam.

Que o “Helena e Maria” perdeu os mastros, isto está documentado. Que o marceneiro Philipp SCHMITZ com ajuda cortou os mastros para pôr o navio em pé novamente foi só mencionado nas lendas orais, mas pode ser verdadeiro. SCHMITZ realmente foi  passageiro desse navio, e WEBER relata que as “partes superiores dos mastros”, na noite da tempestade, quebraram e caíram. Se já não tinham os mastros e o navio estava muito avariado, é tecnicamente correto jogar o resto dos três mastros por cima do tombadilho. É significativamente melhor.

A sugestão de festejar nos anos que se seguissem ao salvamento e lembrá-lo, provavelmente, seria um elemento da lenda e questionável de que em face da iminente morte por afogamento pudesse se pensar alguma festa posterior (9). Se esta sugestão foi feita depois pelo imigrante chamado “ALTAMAYER” deve ser grande confusão feita pelos imigrantes, pois todas as pessoas com os nomes ALTMEYER já tinham chegado a Porto Alegre em 16.12.1827 (10) e, portanto, não poderiam estar com Philipp SCHMITZ (11) no mesmo navio.

Um dos pontos que se aumentou muito no decorrer das décadas sobre a lenda é o que se fala de que o navio após o furacão ficou avariado, os destroços (12) ficaram à deriva por três semanas no mar. Na verdade foram três dias. O registro do navio no “Lloyd’s List” dá a exata data da chegada ao porto de Falmouth: foi no dia 15 de Janeiro de 1828 e a tempestade começou no dia 12 de Janeiro.

O caso da emergência não aconteceu em Plymouth, como diz a lenda, mas na Ponta de Lizzard (Manacle Rock) perto de Falmouth onde o Canal da Mancha se encontra com o Atlântico. Escreveram de Falmouth, Johannes SPINDLER e Johannes WEBER. Eles estavam na mesma viagem que Philipp Schmitz. Há aí muitos casos de nascimento e morte que foram documentados pelas famílias de imigrantes na igreja de Falmouth no ano de 1828 (13), e somente no ano de 1828, não em 1827. 

Outro exagero que aparece na lenda é que os imigrantes ficaram aportados dois anos na Inglaterra. Na verdade ficaram menos de um ano, de 15.01.1828 a 10.12.1828, apenas 11 meses. É certo que deixaram a pátria em fins de 1827 e só chegaram ao Brasil em 1829, mas não eram dois anos em Falmouth. Não havia mais testemunha viva e, portanto, as informações do passado ficaram obscuras.

O episódio da senhora BOHNENBERGER (14), da surra com as lavadeiras pode ser deixado de lado ou esquecido, pois não é importante. De qualquer, sendo verdade elas teriam batido não no Capitão do “Cäcilia”, mas no Capitão Bartholomeus KARSTENS do “Helena e Maria”. Esse surra relatada, por Johannes WEBER é certo que se encaixaria bem para os Moselanos Católicos, que são bastante briguentos e que se xingam, pois antes da saída do navio diziam que iriam “jogar o Capitão e todos os Luteranos ao mar”.

O final da lenda está correto, quando, na Inglaterra, um outro navio foi colocado à disposição, para trazê-los ao Brasil, embora não direto para o Rio Grande do Sul, como sugere a lenda, mas para o Rio de Janeiro, e mais tarde para o Sul do Brasil. 

A data da chegada ao Rio Grande do Sul, supostamente em 29.09.1829, é seguramente incorreta. Este grupo misto de imigrantes Moselanos, Palatinos e do Hunsrück que sobreviveram à avaria em Falmouth, chegaram a Porto Alegre em 14 em Maio de 1829 no costeiro Florinda, entre eles os já mencionados na lenda o marceneiro: Philipp SCHMITZ, a resoluta senhora BOHNENBERGER e os escritores das cartas Johannes WEBER e Johannes SPINDLER.15 Assim sendo, a promessa da Festa de São Miguel, a 29 de Setembro não é fundamentada na data de chegada dos imigrantes. A razão da escolha desta data deve ser outra.

Porque com todos estes testemunhos, a história desse grupo do “Helena e Maria” o nome foi trocado para "Cäcilia"? 

É possível a existência de um navio com esse nome que ter se acidentado. Havia muitos acidentes marítimos nos anos de 1820 e seguintes. Esta pode ser a razão que o nome "Cäcilia" se enraizou no Sul do Brasil, e mais tarde quando quase nenhuma das testemunhas de Falmouth já estavam vivas, foi espalhada a lenda do nome "Cäcilia" e assim, finalmente, misturou com o nome "Helena e Maria" embora escrito, mas historicamente falso.

O testemunho de Johannes Weber sobre a catástrofe do "Helena e Maria" em 1828.

Há poucos anos os descendentes de famílias originárias do Palatinado, estabelecidos em São Paulo, souberam a origem de seus antepassados (de onde saíram), porque isso foi perdido e só agora com a propagação da INTERNET houve interesse, entre os descendentes no Brasil, em saber sobre essas origens. (16)

Por causa de uma carta do imigrante Johannes Weber de Neunkirchen, Bosenbach que estava guardada e esquecida nos USA (17) apareceu uma nova visão da imigração dos anos 1827 a 1829 e aumentou a lenda da imigração, de famílias do oeste do Palatinado para o Brasil, referente a catástrofe do navio "Cäcilia" que saiu de Bremen ou de  Hamburg. A carta de Johannes Weber tem datas e fatos bem detalhados e que nos permite reconstruir exatamente a viagem desse grupo de imigrantes e a catástrofe com o navio. Em seguida a carta será apresentada.

A maior parte dos imigrantes para o Brasil nos anos de 1824 e 1830 veio das regiões a esquerda do Rheno, primeiro os Hunsrückianos e Moselanos onde predomina a população de religião católica, da Diocese de Trier e, em seguida, do Palatinado onde vivia a população protestante.

Através de informações obtidas do Consulado Brasileiro em Bremen, do Major Schäffer, de colaboradores no Sudoeste da Alemanha, vê-se que a maior parte dos imigrantes do Palatinado e de Hunsrück não fez a viagem para Bremen ou Hamburg e, sim, para Amsterdam. Essa rota está, inclusive, documentada nos mapas da imigração da região de Kusel. Na primeira imigração, o Comissariado de Kusel (governo regional) mandou relatório/lista (18) completa para o Reino da Bavária onde aparece a seguinte anotação: "Na noite de 7 para 8 de Novembro de 1927, provavelmente, foram para Bingen e de lá para Amsterdam". Somente na lista de imigração da Prefeitura de Quirnbach (ex: Nicolaus Backes) está anotado que ele em 15 de Novembro foi para Bremen, mas também está escrito que Backes começou a viagem em Amsterdam junto com os outros do oeste do Palatinado.

A viagem marítima ia sempre para a Capital Brasileira do Rio de Janeiro, onde os imigrantes eram registrados. Aí eles precisavam ficar a bordo ou nos armazéns do Porto até receber o transporte seguinte. Somente alguns dias depois ou semanas eram transportados do Rio para outras cidades do sul. Nos primeiros anos da imigração alemã iam para Porto Alegre no Estado do Rio Grande do Sul e a partir de 1827, por ordem imperial alguns foram para Santos no Estado de São Paulo. Aí chegaram em 28 de Junho de 1828 no navio "Rocha" com 160 pessoas do Oeste do Palatinado, região de Kusel. Foi anotado pelas autoridades do Palatinado: "saído clandestinamente" (19).

Na lista de passageiros do navio "Rocha" estava anotado que oito famílias tinham ainda parentes em outro navio (20), no "Helena e Maria". Não se entendia a razão pelas quais as famílias foram separadas - pais, crianças e bebês. A causa principal era a superlotação e o aperto do navio. A contagem das pessoas que eram colocadas a bordo levava em conta as condições financeiras dos mesmos, era um despropósito e isto provocava desconfiança, inimizade e medo, além disso, havia também a questão religiosa, como a carta de Johannes Weber salienta. O aperto e o excesso de passageiros geravam um ganho extra para o Capitão, quanto mais passageiros colocasse, mas isto provocava mal entendidos e brigas com fundo religioso.

O navio "Helena e Maria", na narração de Weber em sua viagem de imigração, estando na costa da Cornualha entrou em um furacão, perdeu seus mastros, estava já prestes a afundar quando ele foi salvo por um navio inglês e foi rebocado até porto de Famouth (21). Lá os imigrantes ficaram retidos e dependentes da benevolência dos Ingleses. De Falmouth, Weber escreveu a seguinte carta para sua mãe em Neunkirchen, após nove meses na Inglaterra, mas nunca recebeu resposta da carta que escreveu em Janeiro de 1828.

O cristão de 36 anos, o imigrante Johannes Weber, colocou em sua carta um salmo, bem apropriado para a situação de salvos de perto da morte: "Nós temos um Deus que lá ajuda, um Senhor que nos salva da morte". Com isto o simples tecelão de linho, que vivia como lavrador em Bosenbach mostrou ser bom conhecedor da Bíblia e que sabia falar e escrever muito bem, o que não era muito comum entre os camponeses da época. Em sua "segunda vida", no Brasil ele vai atuar como professor em escola, auxiliar do Pastor e faz o primeiro livro de sua comunidade chamada "Dois Irmãos". A milagrosa salvação, no último minuto, aumentou muito a crença que devia ter antes de viajar. O estilo de sua carta esta cheia de temeridade a Deus. Em seis momentos de sua carta ele se refere a Deus.

Essa carta era em primeiro lugar endereçada a sua mãe, que enviuvara recentemente em Neunkirchen, mas ele menciona também sua numerosa família: sua "sogra" que vive em Hachenbach, Magdalena Wegemann, a viúva de Adam Linn, aos seus irmãos: Jacob, Peter e Adam, as suas irmãs Greta e Bienchen, ainda solteiras, que vivem com sua mãe, como também seus cunhados e tantos outros.  Além disso, a carta se refere a outros parentescos, principalmente, os de Neunkirchen, Föckelberg e Niederstaufenbach, ainda a numerosos membros de parentes afastados da família Weber de Reichenbach, Gimsbach e Neunkirchen. Aos parentes da mãe Wollschläger, manda uma nota de "rodapé", onde pede que sua carta fosse levada aos seus parentes e conhecidos de Bosenbach, para que os seus também soubessem como foi salvo com a ajuda de Deus. Esses pensamentos, quase missionários, que fala não só no mencionado Salmo do início como também no final da carta como motivo, sobretudo, "...para que vocês vejam como é grande o que Deus fez por nós". 

O pedido de Weber de que essa carta fosse guardada "comunitariamente", foi respeitado por sua mãe e pelos seus familiares nos USA. Ele se esforçou muito por isto porque ele sabia a dimensão histórica da tragédia dos imigrantes. Outro motivo era a narração de um cronista que narra a seus familiares os acontecimentos de onde se encontrava.

Weber já tinha escrito da Holanda, em 18 de Dezembro de 1827, para sua família, portanto, cinco semanas após terem saídos do Palatinado. Ele narrou a viagem pelo Glan até a cidade de Bingen e de lá até Amsterdam, até este ponto da viagem. Esta carta, porém, não foi guardada, pelo menos, não chegou até nossos dias. Também uma segunda carta de Weber foi perdida, a de 14 de Janeiro de 1828, portanto um dia após o furacão, ainda durante as manobras do malfadado navio. Ele escreveu mais de uma carta, ou não chegaram ou se tornaram ilegíveis. Ele dá o relato: "...14 de Janeiro... porque o barbeiro...", mas o papel da carta de 14 de Janeiro molhou, ficou ilegível ou se perdeu, de qualquer forma, está claro para ele que esta notícia não chegou a sua casa e por isto começa a narrativa em 19 de Dezembro de 1827.

Este foi o dia da partida de Amsterdam. Os imigrantes, que tinham contratado a viagem com o Comandante Karstens, pagaram uma importância muito alta como pré pagamento (22). Este Capitão ou armador tinha uma velha fragata chamada anteriormente de "Thalia"; como serviria como navio de imigração, instalou diversos beliches na depois chamada "Helena en Maria". Em função de seu tamanho de três mastros ele não poderia zarpar direto de Amsterdam e por isto, saíram de Texel, em uma ilha. Para a viagem de Amsterdam até Texel, Karstens conseguiu um pequeno navio, com cerca de 250 pessoas (23), onde todos do Palatinado conseguiram lugar. À época de Natal e cerca de duas semanas de espera os imigrantes ficaram em "Glanstrom" (24), porto da cidade dos heróis. Quando eles chegaram a Texel em 06 de Janeiro de 1828, já estavam 40 famílias de Moselanos com suas malas e objetos pessoais no "Helena e Maria". Estes deveriam fazer uma composição entre 275 a 300 pessoas (25). 

O "Helena e Maria" já estava, presumidamente, bem cheio. A saída, como Weber relata, estava prevista para daí uma hora, mas quando o Comandante ordenou que os pertences do navio pequeno passassem para o navio grande e estas famílias tinham que obedecer a ordem dada, isto foi notado pelos Moselanos  e Hunsrükianos que já estavam acomodados, em grande quantidade, e viram que não havia lugar embaixo para as malas e objetos. As poucas famílias do Palatinado teriam que deixar seus pertences em cima, o que não era possível numa viagem longa, porque tudo o que estavam levando ficariam sujeitos às intempéries e às águas.  Quando cerca de dez famílias colocaram seus pertences no "Helena e Maria", os Moselanos já aquartelados proibiram o transporte de suas malas para baixo e então começou uma briga. Como fala Weber, os palavrões eram indesejados, malditos e jurados. E quando disse: todo tipo de pessoas, ele quis dizer palavras indecentes e que não somente existia gente de bem, educadas e religiosas, mas também pessoas mal educadas.

A saída prevista estava amargamente próxima, com pouco tempo para acomodar as 40 famílias na fragata. De toda forma os Moselanos se posicionaram contra o embarque dos Palatinos, contra a ordem do Capitão. Com o navio já lotado, começaram a gritar que queriam "jogá-lo na água" se ele não soltasse as amarras. Visto que os recém chegados em sua maior parte eram protestantes e os Moselanos, que eram católicos, começaram a ameaçar os infiéis e que também iriam jogá-los na água. Dessa forma o Capitão, que estava sob pressão deu o comando para zarpar sem tomar conhecimento de que se alguma família tinha membros no navio enquanto outros estavam cuidando do transporte de seus pertences e, portanto, não tinham mais a possibilidade de chegar a seus parentes no "Helena e Maria". Weber escreve em sua carta que o Capitão teve medo, apressou tudo e provocou a maior confusão.

Por isso Peter Bauer (52), de Bosenbach estava já a bordo, porém sua mulher e quatro filhos não. 

Daniel Samsel (46), de Essweiler, tinha sua mulher Charlotte Kilian com sua irmã, a viúva Philippina Böber, com suas quatro crianças, que tinham entrado antes a bordo e ele ficou cuidando das bagagens, quando o navio partiu. Ele nunca mais viu sua mulher, porque ela morreu na viagem para o Brasil.

A família de Friedrich Häsel (53) de Dennweiler-Frohnbach também foi separada: seu filho mais velho Peter Häsel (32), sua mulher Catharina Schreiner (37) e seu filho Friedrich Häsel (22) já estavam a bordo. Estavam também a bordo Elisabeth Fischer (20), mulher de seu filho Friedrich Häsel e sua pequena criança Catharina. Quanto aos outros quatro homens de sua família estavam ainda com a bagagem: o pai Friedrich, os filhos: Jacob (19), e Friedrich Häsel Jr. e o cunhado Heinrich Fischer (23) de Massweiler, e, portanto, não foram juntos. 

Muito dramática deve ter sido, a saída atabalhoada do "Helena e Maria" de Texel, para a família de Friedrich Theobald de Ulmet. Conforme o relatório do Comissariado de Kusel os imigrantes clandestinos de 07.11.1827, enviado ao governo da Baviera (26), Friedrich Theobald aparece no 35º lugar, com a mulher e 3 crianças e como profissão: "agricultor". Ele tinha casa e bens no valor de 1000 florins e tinha leiloado ou vendido particularmente para viajar. Foi ainda notado que Friedrich Theobald tinha recebido documentos para o Brasil e passaporte antigo. Theobald  nascido em 1793 em Erdesbach, filho de Johannes Theobald e Margaretha Werle, era casado com Katharina Braun desde 03.04.1814, que era filha de Peter Braun de Ulmet. Os primeiros três filhos desse casamento tinham morrido. Em 1821, Margaretha já tinha nascido (27), o mais velho entre os jovens do relatório do Comissariado estatal era Friedrich, nascido em 11.10.1819 e a criança de dois anos Maria Catharina nascida em 11.11.1825. Uma menina que nasceu em 1821 já era falecida há quatro anos, morreu antes da imigração. Em Novembro de 1827 Catharina estava novamente grávida, depois de gravidez em espaço regular de dois anos: 1819, 1821, 1823, 1825, e estando na a espera na Holanda nasceu uma criança (28).

Quando os pais da família Theobald estavam para colocar seus pertences no navio, foram surpreendidos com a partida repentina do navio, pois as quatro crianças já estavam no navio "Helena e Maria", ou eles estavam em terra ou no pequeno navio.  As crianças foram seguramente entregues sob a guarda de outros imigrantes: a família George Robinson (29) estava já completa no deck e a senhora Catharina Schunck (nascida Schorg) de Ulmet (30) que estava com três crianças (31) e um neto (32), assim como a filha Elisabeth com o marido Adam Pabst (33) , seu marido Heinrich (34) e o filho mais velho (35) cuidavam dos pertences. Também Philippina Gilcher com seu marido Peter Häsel (36) de Ulmet, com duas crianças (37) já estavam a bordo, enquanto que sua filha Catharina de 19 anos e seu filho Peter (38) de 13 anos estavam em terra ou no pequeno navio. A surpreendente pressa do Capitão Karstens para soltar as amarras não deu oportunidade para os pais Theobald chegar a seus parentes no Helena e Maria". O filho mais velho que estava no veleiro ficou "responsável" pelas duas crianças e o bebê de um mês enquanto os pais surpreendidos deveriam estar procurando, de qualquer maneira, resolver o problema. Mas isto não foi possível porque o barco grande de três mastros já estava em viagem e junto com outros do Palatinado teriam que conseguir outro navio. Isto só foi possível dois meses (39) depois, para os imigrantes que ficaram para trás, com o veleiro holandês "Alexander", que viajaram para o Rio de Janeiro(40) . Daí, em 20.08.1828, foram levados para Santos, no navio "Rocha"(41) e daí para Santo Amaro. Na lista de passageiros (42) sabemos que Friedrich Theobald e sua esposa Catharina chegaram ao Brasil sem seus quatro filhos. Em nota, no rodapé desta lista, diz que quatro pessoas dessa família deveriam estar no "Helena e Maria".

O "Helena e Maria" zarpou de Texel em 6 de Janeiro de 1828, como Weber mencionou e está indicado no jornal Holandês "Amsterdamsche Courant" de 7.1.1828. O que causou uma boa impressão nele foi a vista da Costa Inglesa (Costa Branca Inglesa), enquanto o tempo ainda estava bom. Mas no dia 10 de Janeiro veio uma tempestade que durou até 12 de Janeiro e foi um dos piores furacões no Canal da Mancha e o "Helena e Maria" foi atingido por ele. O navio, na tarde do dia 12, foi atingido por enormes ondas e quando o furacão aumentou às 9 horas da noite o navio começou a adernar como disse Weber em seu relatório.

Todo relato do naufrágio está na última página da carta de Weber mas, pela parte que se salvou da carta, pelo relato podemos sentir que tinham nos olhos como certa a morte - pela vida cristã - na sua angústia, ficaram em oração para os céus. O bíblico Johannes Weber cita em sua carta na passagem correspondente na bíblia, no livro de Jonas (43) : "você me jogou no fundo do mar, Salvai-nos." e que presidiu toda a reza quando a água começou a subir. Nem "os marinheiros" podiam fazer mais nada. O que aconteceu e a avaria do "Helena e Maria" sabemos através da imprensa e pode-se ver, também nos fragmentos da carta de Weber que durante a noite, de madrugada, às três horas, as partes superiores dos mastros do navio se quebraram e o navio perdeu sua manobrabilidade. 

O imigrante Johannes SPINDLER de Niederhosenbach no Hunsrück escreveu na sua carta (44), mais ou menos, a mesma coisa porem foi mais drástico: "nós perdemos os três mastros esta noite, dois marinheiros foram lançados fora do tombadilho e também 20 dos nossos colonizadores. Todos os beliches do navio se quebraram. A água penetrou no navio e quem não saísse logo se afogaria."(45) Mas nas notícias dos jornais nada se falou de mortos, isto parece ser o certo, porque a carta do jovem Weber nada fala sobre isso. É certo que Johannes SPINDLER fez a mesma viagem que Weber, embora não tenha dado o nome do navio, mas ele dá a data de saída como sendo 6 de Janeiro de 1828 - nesse dia só saiu um navio para o Brasil (46) , o "Helena e Maria". Mais adiante, também, coincidem SPINDLER e WEBER quanto à data do furacão, e o local que teve o furacão, mais precisamente, de 12 para 13 de Janeiro de 1828 diante da Costa Inglesa. SPINDLER, também, escreve que o navio perdeu os mastros e que foi rebocado por navio Inglês até o porto Falmouth. Neste ponto, não existem mais dúvidas, SPINDLER e WEBER escreveram sobre o mesmo navio, embora muitos brasileiros se apeguem à lenda de que foram salvos da emergência do navio "Cecília"(47). Johannes SPINDLER e Johannes WEBER chegaram à mesma data em 24.5.1829 a Porto Alegre, como imigrantes do Palatino Ocidental, que saíram de Falmouth. 

O que podemos saber através do Jornal da época da Cornualha é que o navio Correio "Plover Packet" sob o comando do Capitão Edward JENNINGS rebocou os destroços do "Helena e Maria" até o porto de Falmouth (48) e quatorze dias depois aparece no Jornal  "West Briton", de 1.2.1828, em carta aberta o agradecimento do Capitão Bartholomeus KARSTENS a seu salvador Edward JENNINGS, que, com sua experiência e perícia em manobras, conseguiu trazer até o porto os destroços do "Helena e Maria" sem mastros, e oferece  30 Gineas como retribuição pelo seu esforço, pondo à disposição, ele e sua agência em Inglesa em "Benfild and Lake".  No dia seguinte, o mesmo jornal apresenta a resposta aberta do salvador que fala sobre o que fez, que providenciou socorro ao "Helena e Maria", porque julgou ser necessário e dispensou a oferta desta soma para não trazer mais embaraços ao Capitão KARSTENS (49) . 

Mas, o que aconteceu com as crianças de Theobald? Outros passageiros, provavelmente, cuidaram deles, embora também tivessem perdido tudo na tempestade e estavam na benemerência dos habitantes de Falmouth, sem levar em conta religião ou nacionalidade, sobretudo pela generosidade do Lord de Dunstanville, vice-presidente da "Sociedade de Auxílio a Estrangeiros Necessitados". (50)

Em situação de emergência o destino atinge primeiro os mais fracos. Neste caso foram as crianças de Theobald, sem os pais. Nos registros de morte de Falmouth descobrimos que em 30 de Janeiro de 1828, duas semanas após a catástrofe a mais jovem criança da família, Caroline Theobald, um bebê sem mãe morreu com a idade de dois meses. No dia 14 de Abril seguiram-se sua irmã Elisabeth Theobald com quatro anos (51). Entre outros de Ulmet que cuidaram destes também tiveram casos como o das crianças de Theobald que morreram em Falmouth. A família de George Robinson que imigrou com três crianças precisou enterrar em 18 de Fevereiro de 1828 em Falmouth sua filha Caroline, nascida em 28.9.1825. A mãe Elisabeth, nascida em Alt, iniciou a viagem grávida e deu a luz em Falmouth, quatro semanas após o furacão e esta recebeu o nome de "George Falmouth Robinson", mas, devido às circunstâncias, morreu quatorze dias depois (52). Alguns casos de morte dessas famílias do Palatinado se encontram na lista de sepultamentos de Falmouth, como a família de Peter Häsel (53), de Dennweiler-Frohnbach, Karl Huber (54) de Techenhäuschen/ Kusel, Jacob Drumm (55), esposo de Katharina Gilcher (56) de Thallichtenberg e Johannes Baum (57) de Elzweiler.

Chama-nos atenção de que os imigrantes que morreram na Inglaterra, somente três adultos foram enterrados na Igreja de Falmouth, e 28 crianças; com exceção de três, todos morreram na primeira semana da tragédia. A maior parte das mortes foi em Janeiro e Fevereiro de 1828 (58) praticamente, logo após o naufrágio, causadas pelo inverno, doenças provenientes do frio, da umidade, da fadiga ou por alimentos inadequados ou nenhum alimento.

Os imigrantes viviam no Porto de Falmouth, fora das instalações da cidade, como é escrito nos registros de sepultamentos, e também, como Johannes SPINDLER diz e Johannes WEBER escreveu em sua carta "on the Liesick", estou deitado nos cais, donde se deduz que morava no navio (59). Na conclusão da carta de WEBER, trás ainda uma comunicação familiar, bem pessoal de anunciar o nascimento e morte juntos. Ele escreve que Deus chamou seu neto, o que se pode comprovar nos registros da Igreja de Falmouth. O nascimento do filho de Peter SCHMIDT e sua mulher, enteada de Johannes WEBER, registrado em 17 de Março de 1828 e batizado em 23 de Março (60). Entretanto, o casal SCHMIDT chegou sem o filho ao Brasil pois, com certeza, o pequeno SCHMIDT morreu em Julho e que o relato, provavelmente, estava na parte perdida da carta de WEBER.

Outra notícia que demonstra a situação econômica dos náufragos, é que recebiam auxílio da população de Falmouth, e que também procuravam tornar-se auto suficientes. Dessa maneira a mulher de WEBER e seu genro conseguiram emprego que lhes garantiam 15 florins por semana, o que deu para ultrapassar a fase mais aguda.

O "Helena e Maria" foi reparado, mas os imigrantes não queriam ser transportados por ele porque achavam inseguros e um laudo oficial da suprema autoridade marítima Inglesa, o Lord Alto Almirante (61), afirmou que o navio não era seguro. Como o "Helena e Maria" foi reparado, mas não foi mais considerado navegável passaram a buscar outro meio de transporte. Somente após muitas pedidos o Governo Inglês (62) pôs um navio à disposição deles, mas que a roupa (chegava novamente o inverno) e os mantimentos ficavam por conta deles. Essa ajuda foi dada, em parte pela comunidade Inglesa e, em fins de 1828, o navio "James Laing" foi colocado a disposição deles no Porto de Falmouth (63) . Em 10 de dezembro de 1828, quase um ano depois do início da viagem na Holanda, o navio zarpou de Falmouth com os imigrantes, e dois meses depois, sem qualquer acontecimento, chegaram ao Rio de Janeiro. 

A maior parte dos Hunsrükianos, Moselanos e Palatinos foram registados em 18/03/1829 no Rio de Janeiro, embarcados em 10 abril de 1829 no veleiro costeiro "Florinda" e encaminhados para Porto Alegre no Rio Grande do Sul, onde chegaram em 14 de maio de 1829. Os imigrantes que tinham parentes em São Paulo que haviam chegado no navio "Alexander" em Junho de 1828, podiam segui-los e, portanto, após um ano e meio puderam abraçá-los novamente. Eles ficaram no Hospital Militar nos arredores da cidade de São Paulo que tinha, na época, vinte mil habitantes. Estes que foram separados, acidentados e, felizmente, sobreviventes com seus companheiros eram esperados pelos que já tinham chegado. Muitos infelizes como a família Theobald de Ulmet, a família Häsel de Dennweiler-Frohnbach, e Daniel Samsel de Essweiler não viram mais alguns de seus parentes. Ao menos uma família, após a catástrofe marítima e a morte de um filho, desistiu de imigrar: Johannes Baum e sua mulher Charlotte Dahm que voltaram ainda em 1828 para Elzweiler no Palatinado. A sua casa eles tinham, inteligentemente, não vendido, mas deixada aos cuidados de uma irmã.


Em Novembro de 1828 receberam os imigrantes do Palatinado, entre eles, Friedrich Theobald, o seu lote de terra a mais ou menos 40 km ao sul da cidade de São Paulo e a 12 km da Vila de Santo Amaro (64), hoje Colônia. Aí poderiam se estabelecer se aceitassem as condições (65). Johannes WEBER e sua mulher, sua enteada e o marido Peter SCHMIDT foram os primeiros a se estabelecerem no Rio Grande do Sul na Colônia "Walachei", aí, também, chegou a primeira criança da família Peter SCHMIDT, sobrevivente. Logo depois a família mudou-se para Dois Irmãos onde WEBER trabalhou como professor na escola e como Pastor auxiliar, assim sendo conseguiu transmitir sua crença cristã e, com mais fervor, devido sua milagrosa salvação daquela emergência marítima. 





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O papel sofreu muito com a idade de quase 2 seculos, danos causados pela água, e frequente abertura nas linhas de dobra, de modo que a escrita não é bem legível nestas linhas. A parte direita da pagina 3 está faltando.



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Transcrição da carta de Johannes WEBER de Falmouth, 1828
e reconstrução da pagina 3 parcialmente perdida

“Wir haben einen Gott der da hilft
und den Herrn, Herrn der vom Tode errettet - Psalm 68, v.21

Engeland

Liesick den 20 Nov. 1828

Liebste Mutter, und Mitmutter, Geschwister, Schwäger 
und Geschweyen , Freunde und Verwante, und alle Bekante,
Ich will euch nach dem obgemelten Spruch zu wißen thun, 
da mit ihr sehen könt  wie große Dinge der Herr an uns gethan hat. 
Ich habe euch ja letzd Jahr am 18ten Dezember (…)  wieder in Holand 
zurück geschrieben, wie es uns von Haus ergangen ist, bis dorthin.
Jetz will ich euch auch zu wißen thun, wie es uns ergangen 
ist, von dort an bis hieher.

Den 19ten December 1827 sind wir auf dem Kapetin seinem Schiff 
auf dem Decksel  bis an das Nordsee an die Statd Helter  gefahren. 
Da haben wir gelegen bis den 6ten Januar 1828. Da sind 
wir nach dem Nordsee abgefahren, aber – leider wie, 
nicht ihn Gottes Nahmen, sondern ihn Wünschen, Fluchen und 
Schwören, weil wir allersorten Menschen auf dem Schiffe hatten.
Nemlich der Kapetin hatte zwey Schiffe, ein kleines wo die Kolonisten 
vom Klanstrom  darein waren, und ein groses Schiff 
Maria Helena  genannt, darein waren die Kolonisten vom 
Moselstrom , ohngefehr 40 Haushaltungen.

Jetz sagte der Kapetin alle die in dem kleinen Schiffe 
wären solten mit ihren Vermögen auf das grose Schiff 
kommen, dann in einer Stunde thäten wir absegelen. 
Und wir thaten es und trugen unser Vermögen auf 
das grose Schiff, und unsere Kästen musten oben auf …


____________________________
1 Geschweye – altertümlich für „des Mannes Schwester“, hier eher im Sinne von Schwestern der Schwäger gemeint.
2  Kurzes Wort nicht lesbar; das Papier hat ein Loch  an dieser Stelle.
3  Texel 
4  den Helder
5  d.h. der Glan, aus dessen Nähe die westpfälzer Auswanderer alle stammten
6  der Name des Schiffes war eigentlich „Helena und Maria“, wurde aber abgekürzt häufig als „Maria Helena“ zitiert, analgog zu einem Mädchennamen, so auch bei Edmundo Zenha, A Colonia Alema de Santo Amaro, SP 1950, S.74 ff.). Das Schiff war wohl ein älteres Modell, denn zuvor war es schon unter dem Namen „Thalia“ gesegelt und wurde erst nach einem Eigentümerwechsel auf „Helena und Maria“ getauft
7  in der Tat stammten viele dieser Familien aus Klüsserath und Umgebung an der Mosel, damals zu Preußen gehörig; andere kamen vom Hunsrück bzw. preußischem Gebiet nördlich des Glan.


Seite 2:

dem Schiffe stehen bleiben, weil die vom Mosel-
strom mit uns und dem Kapetin einen grosen Streit 
angefangen hatten, denn diese sagten wir werden den 
Kapetin mit samt den Luterischen ihn das Waßer schmeisen. 
Aber wir hatten keine Furcht vor diesen Menschen, sondern 
wir verliesen uns auf Gott.

Und die Moseler Kolenisten trungen so hart auf den Kapetin, 
daß er vor Angst nicht wuste, was er thun solte. Da rief er 
durch ein Megaffon  hinüber ins andere Schiff das komme  in schneller 
Eill und nahm das große Schiff und führet uns auf das 
Nordsee und das kleine Schiff blieb stehen und 10 Fammilijen 
wurden getrennt wo etliche auf dem kleinen und etliche 
auf dem grosen Schiffe waren und die meisten vom 
Klanstrom blieben zurück in Holland und ich habe erfahren 
daß sie am 22.ten Merz mit einem holländischen 
Schiff nach Brasilgen abgefahren sind und sie seien 
alle glücklich in Rio Schenero angekommen. 
So sind wir am 6ten auf dem Nordsee fort gefahren, 
und den 7ten sind wir zwischen Frankreich und Engelland 
durchgefahren, da habe ich die Gegent von Brihtanien 
gesehen, den 10ten haben wir ein wenig Storm gehabt 
bis den 12ten nachmittags um 4 Uhr, da erhob sich der 
Storm so sehr daß das Schiff mit Wellen bedeckt 
wurde. Das dauerte bis abends 9 Uhr da fing das 
Schiff an zu sinken weil der wilte Stormwind 
blies; dachten wir ihn Meres Fluthen unsern Untergang gewiß…


Seite 3:  

Versuch einer Rekonstruktion aus den Zeilenanfängen
(links die noch erhaltenen Wörter und Wortanfänge, rechts in Klammern mögliche sinngemäße Ergänzungen nach den Kriterien der erkennbaren Satz- und  Wortanfänge, der Zeilenlänge, dem bisher bekannten Geschehen, den bekannten genealogischen Fakten und erfolgten historischen Recherchen und dem Duktus des Weber’schen Stils.) 


(1.Zeile fehlt,)                       (nicht mehr vermeiden zu können.) 
Unsere Schiffart g..              (ging ihrem sicheren Ende entgegen)
dann wir sahen u …             (uns bereits dem Untergang geweiht)
und gaben einander             (Trost und Hoffnung auf einen)
Seligen Tod,                        (das war aber schwer, denn man)
mag nicht versaufen.           (Die Wellen brachen jetzt ganz )
häufig in das Schiff,             (das der Wind immer wieder)


____________________________
8 das Wort ist wegen eines Loches im Papier nicht komplett lesbar.
9 Die folgenden Wörter sind im Falz verborgen und kaum oder nur teilweise lesbar. Rekonstruktion in Kursivschrift 



hochwarf. Jetz wurden        (die Wellen so mächtig, dass man
das Wasser nicht mehr       (aus dem Schiff kriegen konnte )
Die Materosen haben          (es versucht, aber umsonst. Da)
sind die Wellen h)                (hoch über das Schiff gekommen.
und ein jedes ruft                 (um Hilfe und betet laut zu Gott,)
dann das Wasser g…          (ging immer höher und wir beteten:)
Du warfest mich ihn            (die Tiefe mitten im Meer. Rette uns.) 
Des Morgens um 3…           (Uhr gab es einen lauten Krach)
und das obere th…              (Theil der Masten brach ab. Die Trümmer)
haben auf der De…             (Deckfläche alles zerstört. Wir wären)
zugrunde gegangen            (alle miteinander, ohne Zweifel, da
haben wir Errettung             (von einem Schiff bekommen, das)
uns mit einem Kr…             (Kran in nach Falmouth schleppte)
da hatten wir n…                 (noch Glück in diesem Unglück, da wir be-) 
harrlich und                         (inbrünstig gebetet haben.   Meinen Brief)
vom 14ten Jenner…           (werdet ihr vielleicht nicht erhalten haben)
weil das Babier…                (verloren gegangen ist.   Am 17.März 1828)  
um 3 Uhr hat uns…             (der allmächtige Gott einen kleinen Enkel-)
sohn beschehret u…          (und wir haben ihn hier taufen lassen. Aber)
im Monat July…                  (ist er leider gestorben.  Inzwischen haben)
meine Frau und der Pe…   (Peter Schmidt  Arbeit gefunden. Sie verdienen)
alle Woche 15 Gulten         (und so brauchen wir keine fremde Hilfe mehr.)
Ich hoffe mein Schreiben    (kommt diesmal gut bei euch an; wir verbleiben)
und grüßen euch a…          (alle miteinander recht herzlich)

Randnotizen:
S. 1: Schicket mir im Brief ein Biesen Tabaksamen.
Machet die Adres an Kapetin King in Falmouth 
in Engeland, über Amsterdam, über London.
Dieser jemand ist mir ein sehr guter Freund, 
und inwindig in den Brief schreibet meinen Namen John Weber auf dem Liesick. 

S. 2: Wann ihr den Brief erhalten thut, so seumet auch nicht und schreibet mir 
zurück und machet die Adres an Kapetin King in Falmouth. 

S.3: Schicket ihn nach Bosenbach und Hachenbach  und behalet ihn gemeindschaftlich.


__________________________________
10 Bibelzitat: Jona 2:3.
11 Das genaue Geburtsdatum stammt aus Falmouth (Falmouth parish church baptism register), das mir vom Cornwall Records Office zur Verfügung mitgeteilt wurde. Taufe am 23.3.1828.
12 Peter Schmidt und Frau sind ohne Kinder in Brasilien angekommen, wie die von Carlos Hunsche veröffentlichen Listen ausweisen. 
13 Weber war mit seiner Stieftochter „M.Elisabeth“ BARTOLOME und deren Mann Peter Schmidt unterwegs.
14  Captain King war zu dieser Zeit der Hafenkommandant in Falmouth.
15 Weber hatte nach Bosenbach geheiratet; die Familie seiner Frau (LINN) wohnte in Hachenbach. 


Tradução da carta de Johannes WEBER em português

"Nós temos um Deus que nos ajuda, e o Senhor, Senhor que nos salva" – Salmo 68 v.21 

Inglaterra

Liesick, 20 de novembro de 1828

Mais querida mãe, sogra, irmãos, irmãs , genros, noras (66), amigos parentes e conhecidos.

Eu quero que saibam - de acordo com estas palavras - do salmo acima, e possam ver   que grande coisa o Senhor fez por nós.

Eu escrevi para vocês no último ano em 18 de Dezembro, passado {...} (67) ainda na Holanda, como nós saímos de casa até lá. Agora quero que vocês saibam o que aconteceu conosco desde que saímos de lá até aqui.

Em 19 de Dezembro de 1827, nós viajamos com Capitão em seu navio até Decksel (68) até o mar do norte na cidade de Helter (69). Lá ficamos até o dia 6 de Janeiro de 1828. Naquele dia, viajamos novamente para do mar do norte, mas – infelizmente não em nome do Senhor, mas em juramento, maldição e ameaças, porque tínhamos toda espécie de pessoas a bordo.

O Capitão tinha 2 navios, um pequeno onde estavam os colonos do Rio Klan (70) e um grande navio chamado Maria Helena (71) onde estavam os colonos do Rio Mosel, cerca de 40 famílias.

Então o Capitão disse: todos aqueles que estão no navio pequeno devem  passar para bordo do navio grande com todos seus pertences porque dentro de uma hora iriam partir. E nós fomos apanhar nossas caixas e pertences para trazer ao navio grande e que deveriam ser (...ilegível...) de cima (...ilegível...) nossos pertences deveriam estar em cima do navio porque os colonos do Rio Mosel iniciaram uma grande briga conosco e com o Capitão. Eles diziam que iriam jogar o Capitão na água e junto todos os luteranos.

Mas não tínhamos medo daquelas pessoas, porque cremos na vontade de Deus.

[Página 2]

Os colonos Moselanos de imediato enfrentaram duramente o Capitão, sem saber o que fazer e com medo diante do medo, gritou através de um(...ilegível) {megafone) (72) (...ilegível...) sobre um outr (...ilegível) {o} navio (73) e apressadamente zarpou para o Mar do Norte, o pequeno navio ficou para trás e 10 famílias. Alguns no pequeno navio e outros no grande, e a maioria dos colonos do Rio Klan ficaram para trás, na Holanda e eu soube que eles partiram para o Brasil em 22 de Março com um navio holandês e que todos viajaram para Rio de Janeiro.

Então partimos no dia 6 em direção ao Mar do Norte, no dia 7 viajamos através da (...ilegível...) e vimos a costa da Inglaterra. No dia 10 tivemos uma pequena tempestade até o dia 12 pela tarde até pelas 4 da manhã quando a tempestade aumentou e o navio foi coberto pelas ondas. Mais tarde pelas 9 horas quando começou a inclinar devido ao vento selvagem que soprava; estávamos certos que afundaríamos por causa das inundações...

[Pag. 3 Procurei uma reconstrução através do início da linha à esquerda estão as palavras e início das palavras existentes, e a direita em parênteses possíveis complementos de acordo com o critério do comprimento da frase, as frases e palavras até aqui conhecidas, os eventos descritos até o momento, os fatos genealógicos conhecidos e pesquisa históricas e a forma do estilo Weber]

(1. Frase falta) (não foi mais possível saber)
Nossa viagem de navio...(não terminou com segurança)
Então nós vimos...(o nosso fim próximo)
E demos uns aos outros... (consolação e esperança uns aos outros)
Morte certa... (isso foi difícil, a eles)
Não gostariam de se afogar... (as ondas quebravam agora)
Muitas vezes no navio... (o vento forte continuava sempre)
Soprando. Agora...(As ondas eram tão poderosas que)
A água não mais...(saia para fora do navio)
Os marinheiros...(tentava algo, mas nada. Que)
as ondas...(atingiam encima do navio)
E todos pediam...(por ajuda e rezando para Deus)
E então a água...(enchia cada vez mais e nós rezávamos)
O Senhor me jogou...(para o fundo no meio do mar. Nos salvou.) (74)
Durante a manhã pelas 3...(houve um grande estrondo)
E a parte superior...(dos mastros  quebraram. Os destroços)
caíram sobre o convés...(e o tudo ficou destruído. Nós estávamos)
arruinados e ficamos...(todos juntos, sem dúvida, que)
fomos salvos...(por um navio, que)
com um...(guindaste nos arrastou em direção a Falmouth)
e nós tivemos...(ainda sorte nesse desastre, que nós)
muito...( fervorosamente rezamos. Minha carta)
de 14 de Janeiro...(talvez vocês não tenham recebido)
porque terá se...(perdido. Em 17 de Março de 1828) (75)
às 3 da manhã nós...(deu, Deus todo, um pequeno neto)
filho lindo...(e nós o batizamos. Mas)
no mês de Julho...(ele infelizmente morreu (76) . Nesse meio tempo)
minha mulher e Pe...(ter encontraram trabalho. Ele ganhava)
por semana, 15 florins...(e não precisávamos mais nenhuma ajuda de estranho)
Eu espero que minha carta...(chegue bem desta vez para vocês. Nós permaneceremos bem)
e saudações a vocês...(de todo coração)

Rodapé:
pg. 1
Mande-me, por carta, um pouco de semente de tabaco. Use o endereço do Capitão King em Falmouth na Inglaterra, via Amsterdam, através de Londres. Esta pessoa é um grande amigo meu e internamente na carta escreva o meu nome John Weber no Liesick.
pg.2
Quando receber a carta, sem demora, me escreva de volta e coloque o endereço do Capitão King em Falmouth (78).
pg.3:
Envie a carta para Bosenbach e Hachenbach (79).



Carta do imigrante Johannes SPINDLER de 7.3.1828 de Falmouth/Inglaterra para seu irmão em Niederhosenbach/Hunsrück (80)

Muito amado e estimado irmão e senhora cunhada.

Não é nenhuma maldade por ter feito esperar por notícias, agora ao lerem saberão em que situação eu e minha família nos encontramos, vocês compreenderão. Espero encontrar vocês em boa saúde que é a grande alegria do coração. Também nós, graças a Deus, estamos com boa saúde mas insatisfeitos com nosso destino. Vocês ficaram sabendo que eu e minha família fomos a Bremen. De lá, deixamos nossa Pátria para encontrar no Brasil um novo lar (81). No dia 6 de Janeiro partimos com bom vento ao mar mas, diante da Costa Holandesa, pegamos uma terrível e amedrontante tempestade que, desde 1 hora do dia 12 até 12 horas do dia 13, nos jogava de um lado para outro até que sofremos a quebra do navio., perdemos nessa noite os 3 mastros, 2 marinheiros caíram do tombadilho, 20 dos nossos colonizadores e quebraram todos os beliches do navio. A água entrou no navio e quem não saísse logo seria se afogar. Fizemos uma oração juntos e quando nosso azar parecia mais negro um navio chegou a nós e rebocou os restos quebrados com os sobreviventes ao porto da cidade de Falmouth, na Inglaterra. O Capitão vendeu o navio e fugiu com o dinheiro e a caução do banco em Amsterdam (82). Agora não temos nem navio, nem Capitão, nem dinheiro. A Inglaterra fez muito bem para nós mas tem pouco espaço para nós, o dinheiro acabou e nós não temos nenhuma perspectiva de como sair daqui. Já perguntamos aos senhores que poderiam providenciar nossa viagem para a América mas não obtivemos resposta e a Inglaterra não que mandar gente para o Brasil. Vivemos na esperança de ir para a Filadélfia mas só Deus sabe quando. Nós temos um desejo: querido irmão, faz a gentileza de mandar uma carta para sabermos se estão espertos e saudáveis e poderemos ouvir sua opinião.

Caro irmão, faça seu filho Christian saber do nosso destino e que o seu padrinho manda muitas lembranças. E se você escrever para meu endereço através de Londres para Falmouth, para Willian Reavel, alfaiate de Falmouth mas com letras latinas. Nós mandamos lembranças a vocês todos, de todo coração.

Johannes SPINDLER

Falmouth, 7 de Março de 1828.

PS. Caro irmão leia para nossa irmã a carta e faça ela saber de nosso destino no mar. Päth dormiu durante toda tempestade e não percebeu nada. Está cheio de energia e saudável e manda muitas lembranças a God como a todas minhas crianças. Com muitos abraços.

NOTAS:

1 Arandt, Maria Clarice: História da Colonização de Dois Irmãos, Dois Irmãos, 1999.
2 Aviso de saídas de navios do Jornal "Amsterdamsche Courant" de 7.1.1828.
3 Informação da saída de navio na carta de Johannes Weber em 20.11.1828.
4 Carta de 20.11.1828 de Falmouth para sua mãe Rosina Weber em Neunkirchen, redescoberto em 2013 por John V. Richardson, PhD, Inglewood, na bibliotheca “Kate Love Simpson Library“,  McConnelsville,  Morgan County, Ohio , EU.
5 Parte compacta do Werle-Fauser, Hilde, completo em Engelmann, Erni Guilherme: A Saga do Alemães, Santa Maria, Brasil, 2004, pg. 78.
6 Bouma, G. N.: Lista de Saída de Navios da Holanda de 1820 a 1900, pg 295: "Helena e Maria de Thalia 1828, B. Karstens.
7 No Jornal "West Briton" de 8.2.1828 pg. 3A, carta de Karstens de 1.2., resposta de Jennings de 2.2.1828.
8 Parte de notícia do "London Times" de 23.10.1828 pg. 2D.
9 Extraído do livro de Engelmann "A Saga dos Alemães" onde aparece a lenda do "Cecília" com a data errada de 6.1.1827.
10 Hunsche, Carlos: O Imigrante Alemão para o Sul do Brasil entre 1824-1830.
11 Philipp Schmitz veio com sua mulher e duas crianças em 14.5.1829 junto com a família de Adam Sander (Konken) e George Robinson (Ulmet) e Nicolaus Müller (Spesbach) para Porto Alegre (Hunsche).
12 "Lista do Lloyd" de 18.1.1828 "Falmouth, 15 de Janeiro: o 'Plover Packet' chegou aqui, rebocando o "Helena e Maria", Kersten, de Amsterdam para o Brasil que encontrou em "Manacle Rock" neste dia, totalmente desmantelado".
13 Dados obtidos no "Escritório de Cornualha" - www.cornwall-opc-database.org
14 Uma família católica Abraham Bohnenberger (6 pessoas de Niederalben perto de Offenbach/Glan) da mesma forma que Weber e Spindler no navio "Florinda" em 10.4.1829 em transporte do Rio para Porto Alegre ("Aviso do Governo" - Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul). Eles estavam com o grupo de Trier/Klüsserath e o do Hunsrück junto no "Helena e Maria" e os Protestantes do Palatinado.
15 Na falta da lista original de navios foi enviado cópia para Hunsche.
16 Veja o artigo de Friedrich Hüttenberger “Heimlicherweise nach Brasilien”, Pfälzisch-Rheinisch Familienkunde, Ludwigshafen 2006, vol. XVI, pg. 42. Versão inglês:
http://www.huettenberger.homepage.t-online.de/to%20Brazil2.htm
17 Carta se refere a 3 folhas de Johannes Weber escrita em Falmouth, Cornualha em 20 de Novembro de 1828 e enviada para sua mãe Rosina Weber née  Wollenschäger, e depois levada para ela e seus filhos Peter e Adam Weber, e Catharina Bischoff  em 1833 para os EU - Ohio. A carta permaneceu com a família até 1996, e depois numa bibliotheca publica.
18 Lista dos emigrantes do Arquivo do Comissariado de Kusel de 8.1.1828. O Prefeito de Bosenbach e Essweiler fixaram a data de saída na noite de 6 para 7 de Novembro.
19 Veja  Friedrich Hüttenberger PRhFk, 2006, p.42.
20 H. Gilcher, Bosenbach; Theobald, Ulmet; P. Häsel, Ulmet; H. Schunck, Ulmet; P. Bauer, Bedesbach; D. Samsel, Essweiler; F. Häsel sr., Frohnbach. Weber escreveu que 10 famílias foram separadas.
21 Reportagem em jornais da Cornualha: "West Briton" de 18.1.1828, do "Royal Cornwall Gazette" de 2.2.1828 e a lista do "Lloyd" de 18.1.1828: "Falmouth, 15 de Janeiro o "Plover Packet" chegou aqui, rebocando o "Helena e Maria"...neste dia, totalmente desmantelado".
22 Notícia no "London Times" de 23.10.1828, pg 2, coluna D.
23 Os da lista do Comissariado de Kusel (202 pessoas) e tambem algumas outras famílias não registradas em Kusel: Heinrich Helfenstein e Dorothea Gilcher e Jacob Drumm e Catharina Gilcher de Tallichtenberg, Nicolaus Müller, Peter Schuck, Catharina Jung, Jacob Grossklos e Adam Kappel de Kusel, Nicolaus Glaser de Ulmet, ao todo cerca de 45 pessoas. 
24 Weber escreveu "Klanstrom".
25 O jornal "Royal Cornwall Gazette" em 25.10.1828 fala de "cerca de 305" imigrantes alemães em Falmouth para o Brasil. Chegaram 313 pessoas em Rio em  8/02/1829.
26 Arquivo original da Comarca de Kusel, emigração.
27 Joh. Adam *29.4.1815, M. Elisabeth *8.12.1816, M. Catharina * 21.3.1818.
28 Lista de sepultamentos de Falmouth (http://www.cornwall-opc-database.org) e a data saída e da chegada da família Theobald ao Brasil.
29 Georg Friedrich Robinson *22.81784, em Lauterecken, casou-se em 31.10.1815 com Elisab. Alt e três filhos: Peter, 9 anos (81819). Carl, 5 anos (*3.10.1822), Carolina, 2 anos (*28.9.1825).
30 Nascido em 10.12.1779 em Rathsweiler.
31 Nascido em 23.7.1808, em Horschbach, Binchen *6.3.1818 em Ulmet, Julchen *5.11.1820 em Ulmet.
32 Johann Pabst*10.7.1825 em Ulmet.
33 Adam Pabst *23.3.1803 e sua esposa Elisabeth Schunck *17.12.1803
34 Heinrich Schunck, Pastor *24.6.1776 em Einoellen.
35 Heinrich Schunck *3.5.1810 em Bedesbach.
36 Philippina Gilcher *29.2.1784 em Rathsweiler, casado em 24.11.1805 com Peter Häsel *1781
37 Jacob Häsel *26.9.1822 e Adam Häsel *18.7.1818 em Ulmet.
38 Katharina Häsel *24.5.1808, Peter Häsel *2.1.1815 em Ulmet.
39 Johannes Weber menciona o 22 de Março de 1828 como dia da saída para viagem.
40 Notícias posteriores por Friedrich Rheinberger de Erdesbach de 11.3.1852.
41 Autêntico em Edmundo Zenha, A Colônia Alemã de Santo Amaro, São Paulo, 1850, pg.74.
42 "Lista D" em Edmundo Zenha.
43 Jonas 2.3.
44 o original da carta foi perdida por bomba que caiu em 1944 na casa de Norbert Spindler em Kassel/Alemanha, mas uma fotocopia existe no arquivo de Hartmut Wettmann. 
45 Citação do original. Uma cópia do artigo por Hartmut Wettmann em "O longo caminho para uma nova Pátria", publicada no "Hunsrück" em 1980.
46 Lista dos navios no Jornal "Amsterdamsche Courant" de 7.1.1828.
47 De Erni G. Engelmann no "A saga dos Alemaes", Santa Maria, 2004, pg. 77.f. http://www.doisirmaos.rs.gov.br/doisirmaos/doisirmaos/historia/ http://sandefest.4t.com/contact.html
48 "West Briton" 18.1.1828, pg.2d e 3b, "Royal Cornwall Gazette" de 2.2.1828, pg.3a.
49 "West Briton" de 8.2.1828, pg. 3a.
50 "Royal Cornwall Gazette" 2.2.1828, pg. 3a.
51 http://www.cornwall-opc-database.org
52 "Falmouth parish burials", http://www.cornwall-opc-database.org
53 Peter Häsel *5.3.1795, filho do imigrante Friedrich Häsel de Dennweiler-Frohnbach e Elisabeth Zimmermann, casado em 8.7.1822 com Catharina Schreiner. Seus filhos: Friedrich *9.8.1826 e falecido em 1.2.1828 em Falmouth, e Philippina  falecida em 24.5.1828 em Falmouth com apenas 14 dias.
54 Karl Huber, 32 anos com a esposa e 6 filhos com idades de 1,2,6,8,10 e 13 anos. O filho mais novo Heinrich morreu em 26.11.1828 em Falmouth com 2 anos de idade.
55 Jacob Drumm, nascido em 9.5.1781 em Thallichtenberg, faleceu em 26.11.1828 em Falmouth – um acidente na pedreira, onde trabalhava ("Falmouth parish burials"). Os descendetes falam de assassinato.
56 Catharina filha de Nickel Gilcher, nascida em 15.3.1783 em Rehweiler, casada com Jacob Drumm em 1810.
57 Johannes Baum, 46 anos, com su esposa Charlotta Dahm e 4 filhos. O filho mais velho Johannes Baum (*10.12.1816) faleceu em 31.1.1828 em Falmouth.
58 Registros de "Falmouth Parish Church".
59 Não há nenhum localidade "Liesick" em Cornwall. Pode ser que a palavra signifique: (navio) deitado ou doente.
60 Comunicado do Arquivo de David Thomas, do "Cornwall Records Office" de Falmouth em 22.7.2014. 
61 Notícia do "London Times" de 23.10.1828, pg.2d.
62 Veja "London Times" de 23.10.1828, pg 2d, da mesma forma que no "Royal Cornwall Gazette" de 25.10.1828, pg. 3f. 
63 "Royal Cornwall Gazette" de 6.12.1828, pg. 3c.
64 "Lista F" de Zenha, a.a.O., pg. 85.
65 Zenha pg 36.
66 “Geschweye” : forma de falar arcaica  :  a irmã do cunhado.
67 Falta palavra pois havia buraco no papel.
68 Texel , o porto maritimo de Amsterdam
69 Den Helder, pequena cidade perto de Texel.
70 Os imigrantes Palatinos eram originários da região próxima do rio Glan.
71 O nome do navio era "Helena e Maria" mas foi adulterado para "Maria Helena" pelos que escreveram.
72 Buraco no papel e então falta palavra.
73 Palavras ilegíveis pois se encontram na dobra do papel.
74 Citação de Jonas 2:3.
75 Data precisa do nascimento vem de Falmouth (Falmouth parish Church baptism register) do escritório do Arquivo de Cornwall. Batismo em 23.3.1828.
76 Peter Schmidt e senhora chegaram ao Brasil sem filhos, lista de Carlos Hunsche.
77 Weber estava com a enteada M. Elisabeth Bartolome e o marido Peter Schmidt.
78 O Capitão King era o Comandante do Porto de Falmouth nessa época.
79 Weber de Bosenbach, a família de sua mulher (Linn) morava em Hachenbach.
80 Transcrição da cópia da carta original de Hartmut Wettmann, editor do artigo "A  Viagem Perigosa" no (almanaque): Heimatkalender Landkreis Birkenfeld, 1980, pg 194f.
81 Carlos Hunsche compreende destes capítulos que Spindler saiu de Bremen e veio direto para o Brasil. Não é correto. Spindler deixou a patria viajando de Bremen para Holanda.
82 Spindler estava em Amsterdam para pagar a viajem e para ser embarcado no "Helena e Maria". 

Autor: Friedrich Hüttenberger, Spinosastrasse 21, 67663, Kaiserslautern. 
E-mail: ff.huettenberger@t-online.de