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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Família Göller 3ª Parte - Ramo Johann Göller


JOHANN GÖLLER
Assinatura de Johann Göller

Meu trisavô (3º avô), Johann Göller, nasceu em 29/12/1830, às 4 horas da manhã, em Dörrebach, distrito de Bad Kreuznach, Renânia-Palatinado, na Alemanha. Foi batizado em 31/12/1830 na Igreja Católica daquela cidade. Filho de Jakob Göller (*09/08/1786 Dörrebach/+27/10/1845 Dörrebach) e de Susanne Lunkenheimer (*25/07/1790 Dörrebach/+22/01/1860 Picada Holanda - Picada Café RS), seus avós paternos chamavam-se Mathias Göller e Anna Margaretha Müller e os maternos Nikolaus Lunkenheimer e Catharina Wilhelmi.



Interior da Igreja Católica de Dörrebach - Alemanha


O seu nome de nascimento e de batismo de Johann era Wilhelm, sendo que a data de nascimento obtida na certidão da Alemanha confere com a de sua pedra tumular, provando tratar-se da mesma pessoa. Por motivos ignorados, ele era chamado de Johann (João), e este último nome é o que aparece em todos os registros no Brasil. Não há probabilidade de que Johann tivesse um irmão gêmeo, pois o nosso contato em Dörrebach, Sr. Fridolin Feil, possui cópia de todos os registros da Igreja Católica daquele período. É possível que os pais tivessem lhe dado o nome do primeiro irmão, Johann Wilhelm, que faleceu aos 4 meses de idade. Era comum naquele tempo batizarem o filho com o mesmo nome de outro já falecido. Nas pesquisas, foi encontrado um registro em que “Guillelmo” Göller, forma adaptada de Wilhelm no português, foi padrinho (casado naquela época) de um dos filhos da irmã Anna Clara Göller. O mencionado registro foi o único documento conhecido em que aparece o seu verdadeiro nome em terras brasileiras.



Certidão de Nascimento de Johann Göller na Alemanha


Dörrebach - Renânia-Palatinado - Alemanha


A VIAGEM PARA O BRASIL


Sua mãe Susanne (Susanna, nos registros no Brasil), depois de ter ficado viúva de Jakob Göller, com os filhos Elisabeth, Anna Clara, Maria Anna e Johann, partiu de Dörrebach até Hamburgo. Deste porto, no dia 04/05/1847, a família Göller seguiu viagem ao Brasil, até o Porto de Rio Grande, no brigue-escuna Antonia. Após a chegada neste porto, embarcaram na barca a vapor chamada Porto-Alegrense, chegando a Porto Alegre em 19/07/1847. Johann tinha 17 anos de idade quando chegou ao Brasil.



O LOCAL DE RESIDÊNCIA


Johann Göller foi proprietário de ¼ da colônia de nº 4 na Ala Oeste da antiga Picada Café, com 38.008 braças quadradas, a qual foi permutada com a medida equivalente da colônia de nº 2 (parte B) na mesma Ala Oeste, pertencente ao casal Felippe e Catharina Kraemer em 10/10/1860 (Códice C 389 Arquivo Histórico do RS). Posteriormente, adquiriu outra parte desta última colônia, com 38.186 braças quadradas (1/4 da colônia), do casal Nicolau e Catharina Becker, em 24/08/1864, por 650.000 Réis (Códice C 389 Arquivo Histórico do RS). A medição das terras foi feita em 13/10/1863 (da aquisição por permuta) e a escritura definitiva da ½ colônia foi lavrada em 20/09/1869. Nela consta a medida de 76.194 braças quadradas, limitando-se ao norte com o a colônia de nº 2 C da Ala Oeste, a oeste com terras da então Linha Nova, ao sul com a colônia de nº 2 A e a leste com a colônia de nº 2 da Ala Leste (Códice C 363 Arquivo Histórico do RS).


Localização do Lote nº 2 B, Ala Oeste na Picada Feijão RS


A Picada Feijão (Vale dos Feijões ou Bohnenthal) - Ivoti RS


A Picada Café daqueles tempos não corresponde exatamente ao atual município de mesmo nome. Nos primórdios da nossa história, era a ponta da Colônia de São Leopoldo e um corredor de passagem para os Campos de Cima da Serra. Com o passar do tempo, foi dividida entre vários municípios como Dois Irmãos, Ivoti, São Sebastião do Caí e Nova Petrópolis. A antiga Picada ou Linha Café era dividida nos seguintes Lotes ou Prazos: do nº 1 ao nº 63 na Ala Oeste e do nº 1 ao nº 77 na Ala Leste. O atual Município de Picada Café conservou apenas as áreas correspondentes aos Lotes do nº 28 ao nº 61 na Ala Oeste e do nº 25 ao nº 76 na Ala Leste, mais os lotes de outras localidades que são os de nº 76 ao nº 85 na Ala Oeste e do nº 90 ao nº 105 na Ala Leste. Nos documentos, por exemplo, o lote de nº 2 B, que pertenceu a Johann Göller, aparece nos documentos como sendo situado na Picada Café, porém, posteriormente, o lote veio a integrar o território do atual Município de Ivoti (antigo Bom Jardim), na localidade de Picada Feijão ou Bohnenthal, ao lado da Picada 48. A antiga Picada Café possuía três picadas principais: Bohenthal, Schneiderstal e Holland. Bohnenthal foi o nome dado em atenção à família Bohnenberger à Picada Feijão, e começou a ser povoada já na Guerra dos Farrapos (1835-1845), a partir da Picada 48.


A Picada Holanda teve como pioneiro Jakob Jung, que se retirou mais para o norte da Picada Café, estabelecendo-se nela, e construindo ali o primeiro moinho. Mais tarde, outras famílias lhe seguiram, povoando a nova picada, de tal modo que construíram uma escola-capela no ano de 1853. A comunidade católica da igreja de Picada Holanda era formada pelas famílias-tronco: Jung, Anshau, Franz, Federhen, Hoffmann, Kaefer, Link, Reissdörfer, Schmid e Stein. Mais tarde, outras famílias vieram povoá-la.


Susanna Göller e as filhas, Elisabetha e Maria Anna, se estabeleceram com as suas respectivas famílias nas proximidades de Picada Holanda (permanece como localidade de Picada Café até hoje), onde vieram a falecer. Johann viveu com sua família na localidade de Picada Feijão por alguns anos até o seu falecimento.



O CASAMENTO COM MARGARIDA (MARGARETHA) SCHMITZ


Johann casou-se, provavelmente no ano de 1851, em Picada Feijão (Linha Bohnenthal), localidade da cidade de Ivoti RS, com Margarida Schmitz (*30/04/1834 São Leopoldo – Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Batismos, São Leopoldo, Livro nº 1, pág. 111/+19/07/1910 Pareci Novo RS - 
CRCPN Harmonia, Livro Registro de Óbitos C-1, fl. 199 e  verso, nº 30), minha trisavó (3ª avó), filha de Philipp Schmitz e de Susanna Rohr. O casal teve onze filhos.


Capela de São João Baptista (atual) - Picada Feijão - Ivoti RS


Assinatura de Margaretha Schmitz Göller


A primeira capela de madeira de Picada Feijão foi fundada no ano de 1849, com a participação de 32 famílias: Abr. Sen. Bohnenbergher, Abr. Filho Bohnenbergher, Friedrich Bonhenbergher, Nikolaus Bohnenbergher, Johann Dill, Peter Dill, Peter Fell, Friedrich Fröhlich, Peter Fröhlich, Johann Göller, Peter Hans, Jakob Jung, Mathias Jung, Joseph Kaiser, Michael Kalsinger, Jakob Kehl, Philipp Krämer, Nikolaus I Kunzler, Nikolaus II Kunzler, Andreas Lanius, Mathias Lauermann, Peter Michel, Johann Peter, Nikolaus Petry, Jakob Seibel, Karl Senger, Ernst Schmädecke, Joseph Schmitz, Peter Schmitz, Philipp Schmitz, Philipp Weber e Johann Witz (Famílias Católicas de Bohnenthal - Cem Anos de Germanidade no Rio Grande do Sul – 1824-1924, Theodor Amstad, Ed. Unisinos, 1999, São Leopoldo). 



OS FILHOS



I-Pedro (Peter) Göller (*1852 Ivoti RS/+03/02/1907 Pareci Novo RS - CRCPN Harmonia, Livro Registro de Óbitos C-1, fl. 161 v e 162, nº 4), casado em 13/04/1874 RS com Maria Arendt (*29/06/1855 Ivoti RS/+27/05/1932 Ivoti RS – Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Óbitos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 73, enterrada no Cemitério Católico de Ivoti), filha de Frederico Arendt e Maria Marx (Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 8, na Capela de São João Baptista em Picada Feijão – Ivoti RS). Na lápide do túmulo de Maria consta erroneamente Köller. Pedro tendo deixado a sua família, estava em lugar incerto e não sabido pelos idos de 1905. O casal teve oito filhos: Anna Maria, Rosalina, Julianna, Luisa, Carolina, Elisabetha, Theolinda Maria e João;


Da esquerda para a direita, a bisneta Hedwig Braun Lauxen e os trinetos de Pedro Göller: Gladis, Marlene (ao fundo), Lauro e Luiz Vitor


II-Maria Göller (*06/02/1855 Ivoti RS – Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Batismos, São José do Hortêncio, Livro nº 1, pág. 31, batizada na Capela de São João Baptista em Picada Feijão/+20/09/1946 Picada Feijão - Ivoti RS – Arquivo Público, Óbitos, Ivoti, Tomo 2, pág. 169), casada em 28/01/1873 Ivoti RS (Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 5 ) com Jorge Marmitt (*20/03/1848 Dois Irmãos RS/+20/11/1907 Picada Feijão - Ivoti RS), filho de Miguel Marmitt e de Anna Maria Christina Meyerer. Seus padrinhos de batismo chamavam-se Maria Schabarum e Pedro Schmitz, que provavelmente tratava-se de seu tio materno. Faleceu aos 91 anos, de causa ignorada, sendo sepultada no Cemitério de Picada Feijão. Residia com a família, na Picada 48, em Ivoti. Segundo o seu inventário, possuíam terras nesta picada, com uma área correspondente a 37,3 hectares, com duas casas de moradia sobre as mesmas (Arquivo Público Estado RS, Inventários, Órfãos e Ausentes, 1º Cartório, São Leopoldo, Nº 1.481, Maço 55, Estante 71, Ano 1908). O casal teve os filhos: Elisabetha, Jacob, José Leopoldo, Rosa Cecília e Anna Amélia;  

                                                                                                                               
  
Túmulo de Maria Göller Marmitt no Cemitério de Picada Feijão - Ivoti RS


III-Rosina Göller (*15/05/1857 Ivoti RS/+07/04/1915 Despique – Pareci Novo RS), casada em 30/01/1877 Ivoti RS com Jacob Fell (*29/07/1855 Ivoti RS/+20/10/1912 Despique – Pareci Novo RS), filho de Pedro Balduino Fell e Margarida Weber (Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº. 1, pág. 13). Faleceu com 57 anos de idade. O casal teve os filhos: José, Albino, Pedo Balduíno e Jacob Vendelino;



Túmulos de Rosina Göller Fell e de Jacob Fell - Despique, Pareci Novo RS


IV-Margarida (Margaretha) Göller (*12/02/1860 Ivoti RS/+15/06/1900 Picada Feijão - Ivoti RS), casada em 11/05/1880 Ivoti RS (Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 21) com João (Johann) Jung (*27/04/1853 Ivoti RS/+26/09/1918 Nova Vila - Ivoti RS), filho de Mathias Jung e de Elisabeth Lauermann. Margarida faleceu aos 40 anos, sendo enterrada ao lado de seu pai Johann, na Picada Feijão, constando em seu túmulo a data de falecimento como sendo em 17/06/1900. No seu inventário consta que possuíam ¼ de colônia de terras no 3º distrito de São Leopoldo (Ivoti), divisando pela frente a leste com a Estrada Geral, fundos com a Linha Nova, ao sul com terras de Nonnemacher e ao norte com terras de Guilherme Jung, em cujo terreno estava edificada a casa. Possuíam 1 arado, 2 bois, 1 vaca, 2 cavalos, e 12 porcos (Arquivo Público Estado RS, Inventários, Órfãos e Ausentes, 2º Cartório, São Leopoldo, Nº 185, Maço 6, Estante 72, Ano 1900). Obs.: na segunda visita feita à sepultura de Margarida, havia erodido a parte da lápide onde estavam inscritos os seus dados de nascimento e falecimento. Talvez seja esta pesquisadora que aqui escreve a única pessoa que tenha feito uma foto detalhada destas inscrições, antes da perda irreparável das mesmas. A lápide de João Jung, no mesmo cemitério, estava em péssimo estado. O casal teve os filhos: Josephina Elisabetha, Maria Guilhermina, Rosina, João e Maria Catharina; 


Túmulo de Margarida Göller Jung no Cemitério de Picada Feijão - Ivoti RS



V-Johannes Göller (*24/05/1862 Ivoti RS - Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Batismos, Dois Irmãos, Livro nº 1, pág. 37/+17/11/1865 Ivoti RS), falecido aos 3 anos de idade, provavelmente de varíola. Está sepultado no Cemitério de Picada Feijão, em Ivoti RS;


Túmulo de Johannes Göller no Cemitério da Picada Feijão - Ivoti RS




VI-José Göller (*19/09/1863 Ivoti RS/+09/06/1941 Parobé RS), meu bisavô, casado em 11/10/1887 Ivoti RS (Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 36) com Elisabetha Strasser (*17/09/1866 Forromeco – Bom Princípio RS – Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Batismos, São José do Hortêncio, Livro nº 2, pg.84/+07/09/1933 Porto Alegre RS), minha bisavó, filha de Georg Strasser e Elisabetha Schwinn. Casaram-se às 10 horas da manhã, na Capela de São João Baptista em Ivoti (Picada Feijão ou Bohnenthal), com autorização especial do Bispo Diocesano, pelo Padre Guilherme Holtgreve, por delegação do vigário e perante as testemunhas Jacob Senger e Pedro Petry. Tal autorização provavelmente tenha sido necessária, porque seus pais viúvos (Georg Strasser de Elisabetha Schwinn e Margarida Schmitz de Johann Göller) haviam se casado. Ao mesmo tempo, casava-se o irmão de Elisabetha, José Strasser, com Elisabetha Nonnenmacher, sendo este viúvo de Florinda Taglieber (Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 36). Faleceu aos 77 anos de idade, sendo sepultado em Pareci Novo RS. O casal teve os filhos: Jacob Sobrinho, meu avô, Rosalina, João Albino, Leopoldina, José Wily, Reinaldo, Ernesto Alfonso, Augusta e Hilda Regina; 





José Göller e Elisabetha Strasser Göller


VII-Elisabeth Göller (*27/01/1867 Picada Feijão - Ivoti RS - Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Batismos, Dois Irmãos, Livro nº. 2, pág. 33 v/+15/08/1874 Picada Feijão - Ivoti RS) faleceu com 7 anos de idade, vítima de varíola, sendo enterrada no Cemitério de Picada Feijão (Cúria Metropolitana, Óbitos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 5). Não foi encontrada a sua lápide;



VIII-Jacob Göller (*26/06/1869 Ivoti RS – Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Batismos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 3/+16/01/1945 Alto da União Ijuí RS), agricultor, casado em 06/05/1890 Ivoti RS (Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 41) com Elisabetha Kehl (*13/11/1873 Picada Café RS/+24/08/1963 Alto da União Ijuí RS), filha de Jacob Kehl e Barbara Schmitz, irmã do cunhado de Margarida Schmitz, José Schmitz (esposo de Ignês Schmitz, com o mesmo sobrenome). Faleceu aos 76 anos de miocardite, sendo sepultado no Cemitério Alto da União em Ijuí RS (Arquivo Público, Óbitos, Ijuí, Tomo 11, pág. 15, nº 793, fl. 231 v, Livro C-17). O casal teve os filhos: Josephina, Augusto, Felippe Leopoldo, Mathias, Theolina Carolina, Reynaldo José e Maria Elisabetha;



Túmulo de Jacob Göller e Elisabetha Kehl Göller em Alto da União, Ijuí RS


IX-Mathias Göller (*29/09/1871 Picada Feijão - Ivoti RS – Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Batismos, Ivoti, Livro nº 1/+30/08/1874 Picada Feijão - Ivoti RS – Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Óbitos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 5 v). Faleceu aos 3 anos de idade, vítima de varíola, sendo sepultado no Cemitério de Picada Feijão. Não foi encontrada a sua lápide;



X-Felippe Göller (*03/04/1874 Ivoti RS - Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Batismos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 20/+28/07/1954 Despique - Pareci Novo RS), agricultor, casado em 10/05/1917 em Despique, Pareci Novo RS (Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Casamentos, Harmonia, Livro nº 1, pág. 75 v) com Theresa Schneider (*24/04/1891 RS/+01/03/1967 Despique - Pareci Novo RS), filha de Adão Schneider e Barbara Rech. Faleceu com hidropisia aos 80 anos de idade, sendo sepultado no Cemitério de Despique – Pareci Novo RS (CRCPN Montenegro, Livro Óbitos nº 2, fl. 118, nº 502). O casal teve os filhos: João, Leopoldo, Elisabetha, Luisa, Elitha e Ana;



Túmulo de Felippe Göller e Theresa Schneider Göller - Despique, Pareci Novo RS


XI-Luisa (Louise) Göller (*27/05/1877 Ivoti RS - Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Ivoti, Batismos, Livro nº 1, pág. 35/+09/09/1877 Ivoti RS – Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Óbitos, Ivoti, Livro n 1, pág. 8), falecida aos 3 meses de idade e sepultada no Cemitério de Picada Feijão em Ivoti RS. Não foi encontrada a sua lápide.



Cemitério Católico de Picada Feijão, Ivoti RS


AS PROFISSÕES


Acredita-se que Johann Göller tenha se dedicado à agricultura uma boa parte de sua vida. Porém, descobriu-se, através de uma monografia constante dos Anais do VII Simpósio de História da Imigração e Colonização Alemãs no Rio Grande do Sul (São Leopoldo, pág. 179), a citação de seu nome, numa estatística efetuada no ano de 1858, como sendo professor particular (ou mestre de ensino) da rede de ensino fundamental da Província. Johann possuía 37 alunos e a sua escola situava-se na antiga colônia alemã de Costa da Serra (povoada desde 1826) que atualmente corresponde aos territórios das cidades de Campo Bom e Hamburgo Velho, sendo que esta última veio a se tornar um bairro da cidade de Novo Hamburgo. 
Já no ano de 1856, Hornmeier referia que o Morro de Hamburgo (Hamburgo Velho) era chamado pelos brasileiros de Costa da Serra, prevendo este que seria um futuro centro da Colônia de São Leopoldo (Cem Anos de Germanidade no Rio Grande do Sul – 1824-1924, Theodor Amstad, Ed. Unisinos, 1999, São Leopoldo).



As mensalidades eram pagas pelos pais dos alunos diretamente ao professor, os quais muitas vezes deixavam de pagá-las, criando dificuldades para a subsistência dos professores. Quando não eram pagas em moeda, os pais efetuavam o pagamento em produtos coloniais. Ensinava-se a leitura, a escrita, o cálculo elementar, o catecismo e os princípios básicos da religião. As aulas eram dadas em alemão, mas com o passar do tempo passou a ser obrigatório o ensino da língua portuguesa. O material resumia-se em um quadro-negro rústico, giz, lousa e estilete de ardósia para escrever. Johann foi professor durante o chamado segundo período das escolas comunitárias, período este em que houve uma melhoria considerável das instalações e das condições de trabalho dos professores. Em alguns locais, estava à disposição do mestre uma ou meia colônia com casa para a sua moradia e de seus familiares, além de terreno para a agricultura de subsistência. Naquela época, um professor recebia em média um mil réis por mês e por aluno como salário.



Localização da antiga Costa da Serra, atual Hamburgo Velho, que faz parte de Novo Hamburgo RS



As escolas criadas pelos colonos alemães eram mantidas com recursos próprios, sem o auxílio do Governo ou da Igreja. Tendo em vista o passado cultural dos imigrantes alemães, a escola era um meio importante para prevenir a ameaça de ruptura cultural para seus descendentes. A escola elementar não só visava a instrução, mas a educação das novas gerações para a moralidade e a religião. Salienta-se que as colônias alemãs providenciavam em primeiro lugar a escola e esta servia como templo até que se pudesse construí-lo, diferentemente das colônias italianas em que a igreja estava em primeiro lugar e o Estado é quem deveria providenciar a instalação da escola. O período escolar durava cerca de quatro anos e a freqüência era irregular, pois os pais precisavam dos filhos nas épocas de plantio e de colheita, além das dificuldades naturais da distância entre as casas dos alunos e a escola e das épocas de chuva em que estes deixavam de comparecer às aulas. A escola também funcionou como centro polarizador da vida comunitária das colônias alemãs, pois nela as pessoas se reuniam com diversas finalidades. Ressalta-se que a existência de atritos entre os professores católicos e protestantes resultou inicialmente num entrave à unificação das regras do ensino fundamental na Província.

A época em que Johann lecionou corresponde provavelmente ao intervalo de tempo entre o ano de seu casamento (em torno de 1852) e o ano de 1860. Neste último ano, ele já era dono de parte do Lote nº 4, Leste, em Bohnenthal ou Picada Feijão, sendo que, em 10/10/1860, efetuou a troca do referido lote pelo o de nº 2 B, oeste, vizinho ao lote do cunhado Mathias Schmitz. É possível também que Johann tenha passado algum tempo longe da família para prover-lhe o sustento, dado que a Costa da Serra estava a uma distância considerável de seu lar em Bohnenthal.

A antiga Costa da Serra era dividida em 62 lotes, cada qual, pelo menos no início, tinha 170 mil braças quadradas. Segundo Petry, era onde hoje se situa a cidade de Novo Hamburgo (Hamburgo Velho). Os lotes mais ao leste da Costa da Serra vieram a fazer parte do Município de Campo Bom, juntamente com os lotes de Quatro Colônias. No lote de nº 37, ainda são encontrados as lápides dos túmulos isolados do casal imigrante Kochenborger (capa do livro Cemitério das Colônias Alemãs no Rio Grande do Sul, de Dullius e Petry), com a ressalva de que este lote não poderia fazer parte do Travessão de Dois Irmãos, como afirmado pelos autores, pois o Travessão possuía apenas 16 lotes e era mais ao norte. Foram colegas professores de Johann: August Rudolf, Carl Gressler e Otto Buck. Gressler viveu em Hamburgo Velho.



O FALECIMENTO DE JOHANN GÖLLER


Johann Göller faleceu em 27/07/1882, aos 52 anos, às 3 horas, vitimado pela tuberculose. Foi sepultado, no dia seguinte, no cemitério de Picada Feijão (Bohnenthal), localidade de Ivoti RS (obs: o livro de óbitos da Cúria registra como Picada Café), junto à Capela de São João Baptista, originariamente construída em madeira e que foi reconstruída em tijolos em 1936 (Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Óbitos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 15). Na data de sua morte, constavam no inventário os seus filhos vivos: Pedro, Maria, Rosina, Margaretha, José, Jacob e Felippe. Na sua lápide consta a seguinte inscrição: Frieden Ihrer Seele (Paz à sua Alma).


Túmulo de Johann Göller na Picada Feijão - Ivoti RS


Segundo o seu inventário, a família Göller possuía: 1/2 colônia de terras de lavoura sob nº 2 B, na Ala Oeste da antiga Picada do Café (corresponde à Picada Feijão – Ivoti RS), contendo 56 braças de frente e 1.400 braças mais ou menos de fundos, dividindo-se por um lado com terras de Carlos Senger e pelo outro lado com terras de Ernesto Schmedecke (Arquivo Público Estado RS, Inventários, 2º Cartório, São Leopoldo, Órfãos e Ausentes, Nº 133, Maço 5, Estante 72, Ano 1882). Edificadas sobre elas, duas casas de moradia, uma cozinha (as cozinhas eram construídas à parte para evitar incêndios) e um paiol. Dentre os pertences da família, havia uma carreta e ferramentas de lavoura. Possuíam os seguintes animais: uma junta de bois, um cavalo e cinco porcos.


O 2º CASAMENTO DE MARGARIDA SCHMITZ


Após o falecimento de Johann Göller, Margarida casou-se com Georg Strasser, viúvo de Elisabetha Schwind, em 16/09/1884, em Ivoti (Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 29). Passaram a residir em Picada 48 Alta, vindo mais tarde a se estabelecer em Pareci Novo onde faleceram.



Ver a continuação: Família Göller 4ª Parte – Sub-Ramo Felippe Göller


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Café Esquina do Tempo - Caderno de Imagens















“As únicas coisas eternas são as nuvens...”.

Mário Quintana (1906-1994), in Sapato Florido, 1948


Sobrevoando Roma - 2008 - Foto: Arquivo Pessoal


LE NUVOLE

Autor: Fabrizio De Andrè

Vanno
vengono
ogni tanto si fermano 
e quando si fermano 
sono nere come il corvo 
sembra che ti guardano con malocchio 

Certe volte sono bianche 
e corrono 
e prendono la forma dell'airone 
o della pecora 
o di qualche altra bestia 
ma questo lo vedono meglio i bambini 
che giocano a corrergli dietro per tanti metri 

Certe volte ti avvisano con rumore 
prima di arrivare 
e la terra si trema 
e gli animali si stanno zitti 
certe volte ti avvisano con rumore 

Vanno 
vengono 
ritornano 
e magari si fermano tanti giorni 
che non vedi più il sole e le stelle 
e ti sembra di non conoscere più 
il posto dove stai 

Vanno 
vengono 
per una vera 
mille sono finte 
e si mettono li tra noi e il cielo 
per lasciarci soltanto una voglia di pioggia. 


(Tradução Livre)

As Nuvens
Vão
Vêm
De vez em quando param
E quando param
São negras como o corvo
Parece que te olham com maus olhos

Certas vezes são brancas
E correm
E tomam a forma da garça
Ou da ovelha
Ou de alguma outra besta
Mas estas veem melhor as crianças
Que brincam de correr atrás delas por tantos metros

Certas vezes te avisam com ruído
Antes de chegar
E a terra treme
E os animais ficam em silêncio
Certas vezes te avisam com ruído

Vão
Vêm
Retornam
E até mesmo param por tantos dias
Que não vês mais o sol e as estrelas
E te parece não conhecer mais
O lugar onde estás

Vão
Vêm
Para uma verdadeira
Mil são falsas
E se colocam ali entre nós e o céu
Para deixar somente um desejo de chuva.








Café Esquina do Tempo - Caderno de Imagens















“Pendura a alma no varal e deixe que as coisas ruins evaporem.”

Clarice Lispector (1920-1977)




POEMA DE VARAL

Autora: Carolina Morais

Por muito tempo desejei eu
fazer um poema de corda de varal
Para estender as palavras ao vento
e para que elas secassem embaixo do sol do meu quintal.

Mas minhas palavras não podem ser lavadas
Não secam facilmente e nunca estão dependuradas.
Minhas palavras são, assim, solteiras, independentes
ganham vida por muitos outros dentes
Ganham tino cada vez que lidas pelos olhos curiosos de poetas
(contentes)

Um dia quis fazer um poema de varal
Mas eu não tinha mais corda
Eu não tinha mais rima...

Nada me amarrava
e nada segurava as palavras que fervilhavam
sozinhas  e doidas em minha vida.
Vagavam nos olhos da escritora cega.

Minhas palavras têm asas.
Minhas asas são textos complexos.
Sou poesia lavada dentro da miséria humana
Cheirando ao sal do sol
Embebida em amor e vinho.


Publicado em 29/04/2011 no blog: http://desmondier.blogspot.com.br/





Fotos: Internet



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Família Abarno - Álbum de Família - Vincenzo Abarno


VINCENZO ABARNO E ESPOSA GIUDITTA CAPUTI

Nota: Vincenzo era tio de Nicola Abarno


RAMO CARLO ABARNO CASADO COM ELVIRA REVETRIA MACCIO

SUB-RAMO HERNANDO ABARNO CASADO COM ALICIA SILVA


Hernando Abarno, nascido em Salto, Uruguai, era filho de Carlo Abarno e Elvira Revetria Maccio. Hernando era primo em 2º grau de Nicola Abarno


Família Abarno - Álbum de família - Vincenzo Abarno


VINCENZO ABARNO E ESPOSA GIUDITTA CAPUTI

Nota: Vincenzo era tio de Nicola Abarno


RAMO CARLO ABARNO CASADO COM ELVIRA REVETRIA MACCIO

SUB-RAMO ALCIDES ABARNO CASADO COM EDITH MARIA STALKER


Alcides Abarno (ao centro) e os gêmeos Carlos Maria Abarno e Luís Maria Abarno, filhos de Alcides Abarno e Edith Maria Stalker - Março/1947, Uruguai - Foto: Acervo de Ana Beatriz Abarno



Luís Maria Abarno, filho de Alcides Abarno e Edith María Stalker, nasceu em Salto, Uruguai. Luís era primo em 3º grau de Nicola Abarno - Foto: Acervo da filha María Abarno



Família Göller 3ª Parte - Ramo Anna Maria Göller Schabarum


ANNA MARIA GÖLLER 


Maria Anna Göller, conforme sua assinatura, ou Anna Maria Göller, conforme sua certidão de nascimento na Alemanha, filha de Jacob Göller e Susanna Lunkenheimer, irmã de meu trisavô Johann Göller, nasceu em 15/05/1827, às 4 horas da manhã, na cidade de Dörrebach, na Renânia-Palatinado, Alemanha. Maria Anna emigrou com sua mãe e irmãos para este país com 20 anos de idade (Arquivo Histórico RS, Códice 333). Casou-se com Nikolaus Schabarum em 16/08/1848 (Cúria Metropolitana Porto Alegre, Casamentos, São Leopoldo, Livro nº 1, pág. 95), filho de Mathias Schabarum e Anna Maria Gertrudis Mosel, agricultor e de religião católica. O casal teve cinco filhos.



Assinatura de Maria Anna Göller Schabarum


Registro de Nascimento na Alemanha


Dörrebach - Renânia-Palatinado


Registro no Livro de Casamentos da Igreja Matriz de São Leopoldo



OS FILHOS



1-Jakob Schabarum (*21/01/1850 Picada Holanda, Picada Café RS) casou-se em 27/04/1875 (Cúria Metropolitana Porto Alegre, Casamentos, Dois Irmãos, Livro nº 2, pág. 32 v), com Margaretha Knorst (*18/07/1855 Dois Irmãos RS), filha de João Knorst e Anna Niehl, não tendo o casal tido filhos. Os dois fizeram testamento por este motivo. Jakob deixou para o sobrinho João Kuhn a quantia de 100.000 réis e indicou sua mulher como herdeira no caso de falecimento. Por sua vez, Margarida deixou em testamento 100.000 réis para Mathias Kuhn, filho de Pedro Kuhn e, da mesma forma, indicou seu marido como herdeiro no caso de falecimento (Arquivo Público, Testamentos, Provedoria, 1º Cartório, São Leopoldo, Nº 905, Maço 27, Estante 72, Ano 1922). O casal residia em Picada Café (Picada Holanda), pertencente à Ivoti, que era o 3º distrito de São Leopoldo na época. Jakob faleceu em 19/11/1921, sendo enterrado no Cemitério de Picada Holanda, localidade de Picada Café RS. Margaretha faleceu em 08/09/1937, sendo enterrada no Cemitério de Linha São Paulo, em Nova Petrópolis RS. Obs: no túmulo, a sua data de nascimento consta como sendo 24/01/1850;


Assinaturas de Jakob Schabarum e Margaretha Knorst

Túmulo de Jakob Schabarum - Picada Holanda RS - Foto: Arquivo Pessoal



2-Johann (João) Schabarum (*18/02/1852 Picada Holanda, Picada Café RS) casou-se, em 24/04/1877 (Cúria Metropolitana Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 14), com Paulina Marschall (*02/09/1860 Birkenfeld, Renânia-Palatinado, Alemanha), filha de Peter Paul Marschall e de Catharina Wildberger, não tendo sido localizados filhos do casal nos registros católicos da Cúria Metropolitana de Porto Alegre. Paulina e sua família eram protestantes, mas esta foi rebatizada na Igreja Católica em 03/01/1891 (Cúria Metropolitana Porto Alegre, Batismos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 143). Johann faleceu em 29/04/1934 e Paulina em 08/11/1934, sendo que o casal está sepultado no Cemitério Católico de Picada Café. Foram proprietários de metade do lote nº 67, na Ala Leste, de Picada Café RS, com 78.926,87 braças quadradas. Jacob Hahn era o proprietário da outra metade;


Assinatura de João Schabarum



Túmulo de Johann Schabarum e Paulina Marschall - Picada Café RS - Foto: Arquivo Pessoal


3-Maria Schabarum (*17/05/1854 Picada Holanda, Picada Café RS), sobre a qual não foram encontradas informações (Cúria Metropolitana Porto Alegre, Batismos, São José do Hortêncio, Livro nº 1, pág. 26);


4-Elisabetha Schabarum (*21/11/1856 Picada Holanda, Picada Café RS – Cúria Metropolitana Porto Alegre, Batismos, São José do Hortêncio, Livro nº 1, pág. 45; foi batizada na Igreja de São José), casou-se com Nikolaus Kuhn (*09/11/1854 Bardenbach, Saarland), em 25/01/1876, na Capela de Nossa Senhora da Visitação, em Picada Holanda (Cúria Metropolitana Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 10), filho de Miguel Kuhn e de Anna Maria Ludwig, os quais tiveram quatro filhos. Conforme o inventário de Nikolaus, estes possuíam, na região de Picada Café, uma colônia de nº. 48, do lado direito, com 4 braças e 4 palmos de frente e 1.600 braças de fundos, e outra com 64 braças de frente para o Rio Cadeia e 1.500 braças de fundos numa metade; na outra, 750 braças (Arquivo Público, Inventários, Órfãos e Ausentes, 1º Cartório, São Leopoldo, Nº 801, Maço 29, Estante 71, Ano 1885). Elisabetha faleceu em 11/07/1937 e Nikolaus em 26/09/1883. O casal foi sepultado no Cemitério de Picada Holanda, localidade de Picada Café RS. Seus filhos eram: Maria Kuhn (*31/12/1877 Picada Holanda, Picada Café RS) que se casou com Jorge Marschall (*17/01/1872 Picada Holanda, Picada Café RS/+05/08/1938 Roque Gonzales RS); Jacob Kuhn (*19/08/1878 Picada Holanda, Picada Café RS/+31/08/1878 Picada Café RS);  João Kuhn (*07/03/1880 Picada Holanda, Picada Café RS/+27/12/1960 Picada Holanda, Picada Café RS) que foi casado com Anna Trocourt (*11/11/1879 Morro dos Bugres, Santa Maria do Herval RSRS/+28/09/1962 Picada Holanda, Picada Café RS) e Anna Maria Kuhn (*12/01/1883 Picada Holanda, Picada Café RS), casada com Nicolau Stoffel (*06/12/1878 Picada São Paulo, Morro Reuter, RS). Obs: no túmulo de Elisabetha consta 18/11/1856 como sendo a sua data de nascimento;


Assinatura de Elisabetha Schabarum Kuhn


5-Guilherme Schabarum (*17/12/1858 Picada Holanda, Picada Café RS - Cúria Metropolitana Porto Alegre, Batismos, São Leopoldo, Livro nº 4, pág. 50; foi batizado na Capela de São Pedro), o qual foi casado com Theresia Jung (*28/10/1861 RS), em 08/06/1880 (Cúria Metropolitana Porto Alegre, Casamentos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 21 v), filha de Jacob Jung e de Maria Anna Eckert. Guilherme faleceu em 28/05/1934 em Joaneta, Picada Café RS e Theresia faleceu em 09/06/1917 na mesma localidade. O casal teve pelo menos 11 filhos: 

5-1-Maria Schabarum (*18/10/1881 Picada Holanda, Picada Café RS/+26/05/1960 Joaneta, Picada Café RS), que se casou com Casimiro Holz (*08/05/1871 Alemanha/+11/05/1952 Joaneta, Picada Café RS) em 11/05/1898, em Ivoti; 



Maria Schabarum e o esposo Casimiro Holz

5-2-Jacob Schabarum (*14/08/1883 Picada Holanda, Picada Café RS/+15/06/1961 Joaneta, Picada Café RS), casado com Margarida Utzig (*14/01/1881 Ivoti RS) em 01/06/1903, em Ivoti;

5-3-Maria Paulina Schabarum (*30/04/1885 Picada Holanda, Picada Café RS) que casou com João Hoffmann (*11/06/1882 RS) em 01/06/1903, em Ivoti; 

5-4-Elisabetha Schabarum (*01/01/1887 Picada Holanda, Picada Café RS), casada com Pedro Spengler (*10/03/1884 Ivoti RS) em 29/05/1905, em Ivoti; 

5-5-Anna Maria Schabarum (*19/10/1888 Picada Holanda, Picada Café RS), casada com Augusto Spengler (*16/08/1885 Picada Café RS) em 23/03/1907, em Ivoti; 

5-6-Margarida Schabarum (*28/01/1891 Picada Holanda, Picada Café RS/+ antes de 1895 RS);

5-7-Margarida Schabarum (*15/05/1895 Joaneta, Picada Café RS/+11/06/1971 Picada Holanda, Picada Café RS) que se casou com João Führ (*12/01/1896 Picada Café RS/+11/06/1971 Picada Café RS), em 02/08/1918 em Picada Holanda, Picada Café;

5-8-Catharina Schabarum (*05/02/1898 Joaneta, Picada Café RS);

5-9-Pedro Schabarum (*11/02/1900 Joaneta Picada Café RS), casado com Verônica Führ (*27/09/1900 Picada Holanda, Picada Café RS); 

5-10-João Schabarum (*1903 Picada Holanda, Picada Café RS), que se casou com Maria Lidvina Marschall (*1903 Picada Holanda, Picada Café RS);

5-11-Aloysio Schabarum (*15/09/1904 Picada Holanda, Picada Café RS/+14/01/1978 Nova Petrópolis RS), que foi casado com Catharina Marschall (*13/08/1906 Picada Café RS/+10/02/1972 Joaneta, Picada Café RS), na data de 26/09/1927 em Joaneta, Picada Café RS.



Aloysio Schabarum e a esposa Catharina Marschall


Túmulo de Guilherme Schabarum no Cemitério Católico de Joaneta, Picada Café RS - Foto: Lisete Göller



O LOCAL DE RESIDÊNCIA


Quando Nikolaus Schabarum faleceu, em 27/10/1858, Maria Anna estava grávida de Guilherme. Segundo o inventário daquele, a família possuía, em Picada Café, as colônias de nº. 49, do lado direito, na Ala Leste, com divisas ao norte com terras de Nicolau Dietrich e ao sul com as de Francisco Hermann, com 165.844 braças quadradas que foi comprada de Frederico Bohnenberger e sua mulher Ângela Petry em 14/03/1853, por 200.000 Réis; a de nº. 51, do mesmo lado, com divisas ao norte com as terras de Johann Anschau e ao sul com as terras de Nicolau Dietrich. Esta meia colônia media 80.739 braças quadradas e foi adquirida de Jorge Schu e sua mulher Catharina Kehl em 15/11/1852 por 100.000 Réis. A outra metade pertencia a Johann Anschau que era casado com Elisabetha Göller, irmã de Maria Anna. Possuíam, ainda, duas vacas, dois cavalos, um boi e vinte porcos (Arquivo Público, Inventários, Órfãos e Ausentes, 1º Cartório, São Leopoldo Nº. 209, Maço 7, Estante 71, Ano 1858). As terras, ao que tudo indica, seriam na localidade de Picada Holanda, que hoje ainda faz parte de Picada Café. Possuíram ainda o lote de nº. 66 na Ala Leste, em Picada Café RS. A área deste lote era de 152.000 braças quadradas e foi vendida a Jacob Wolf em 16/09/1858 por 500.000 Réis.



Localização dos lotes dos Schabarum no antigo mapa de Picada Café


A ORIGEM DOS SCHABARUM


Os Schabarum vieram da cidade de Kommen, localizada no distrito de Bernkastel-Wittlich, no Estado da Renânia-Palatinado, sendo que o batismo de Nikolaus foi realizado na igreja de Longkamp. Estes chegaram ao porto de Rio Grande em 07/09/1857, no vapor Continentista, com destino à antiga Colônia de São Leopoldo (Arquivo Histórico do RS). Desembarcaram dois núcleos familiares: um deles com quatro pessoas que seriam Mathias, a (2ª) esposa, com idade entre 22 e 30 anos, posto que Maria Gertrudis era falecida em Kommen, as filhas Anna Catharina (batizada em 04/06/1829, em Longkamp) que veio a se casar com Adam Wolf, em 10/01/1858, em São José do Hortêncio e Anna Maria (batizada em 03/07/1835, em Longkamp), que se casou com Thiago (ou Jacob Wolf) em 16/08/1858, na mesma cidade. O outro núcleo era composto por três pessoas, que seriam o filho de Mathias, Johann, (*13/10/1826 Kummen/+24/02/1901 Vigia – São Sebastião do Caí RS), constando como “Matheos”, a esposa deste, Anna Maria Steinmetz (batizada em 10/04/1831, em Longkamp), filha de Petri Steinmetz e de Margrethae Braun e a filha Maria (batizada em 17/10/1854, em Longkamp).


Kommen - Renânia-Palatinado - Fonte: Google Maps


Os batismos dos Schabarum eram realizados na Igreja de Longkamp




A VINDA DE NIKOLAUS 


Nikolaus Schabarum (*17/07/1824 Kommen/+27/10/1858 Picada Holanda – Picada Café RS) veio ao Brasil antes da chegada dos outros membros de sua família. Ele viajou na barca francesa Virginie, que zarpou do porto de Dunquerque, na França, até o Rio de Janeiro, de onde seguiu para o porto de Rio Grande no brigue Mentor e, deste porto, chegou a Porto Alegre no iate Laura em 12/01/1847 (Arquivo Histórico do RS, Códice C-333). Não foi localizada a chegada de sua irmã, Maria (ou Anna Maria, batizada em 17/06/1832, em Longkamp), que se casou com Guillelmo Flach Júnior, em 03/11/1858, filho de Guillelmo Flach e Barbara Reiterdospf. 


Os pais de Nikolaus, Mathias Schabarum e Anna Maria Gertrudis, ainda tiveram na Alemanha as filhas Elisabetha (batizada em 05/09/1841, em Longkamp) que provavelmente tenha falecido antes da emigração da família ao Brasil e Margretha (batizada em 17/06/1832, em Longkamp), que faleceu em 08/02/1833 na mesma cidade, que provavelmente seja gêmea de Maria (ou Anna Maria), já que as duas foram batizadas na mesma data. 



O FALECIMENTO DE ANNA MARIA GÖLLER


Segundo o livro Cemitérios das Colônias Alemãs no Rio Grande do Sul (Dullius & Petry), assim como o registro de óbito da Cúria Metropolitana (Cúria Metropolitana Porto Alegre, Óbitos, Ivoti, Livro nº 1, pág. 35 v), Anna Maria Göller faleceu em 04/05/1902, sendo sepultada no cemitério de Picada Holanda, perto da Capela de Nossa Senhora da Visitação.


Registro do Óbito de Anna Maria Göller no Livro da Igreja



Aquele livro confirma a existência de sua lápide, porém esta pesquisadora não a havia encontrado há alguns anos atrás, quando estava em viajem de pesquisas. Recentemente, um integrante da Família Schabarum encontrou tanto a lápide de Anna Maria, quanto a de Nikolaus, ambas em péssimo estado de conservação, inclusive com partes quebradas, as quais estavam jogadas na parte dos fundos do cemitério. Felizmente, as lápides foram recompostas emergencialmente e serão restauradas ao longo do tempo.


Lápides do casal Anna Maria Göller e Nikolaus Schabarum no Cemitério Católico de Picada Holanda, localidade de Picada Café RS – Foto: Acervo de Milton Schabarum