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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Família Abarno 6ª Parte - Ancestrais e Descendentes - Nicola Abarno (3)



O CASAMENTO DE NICOLA ABARNO COM MARIA EUGENIA BELHOMET (3ª ESPOSA)


Nicola Abarno casou-se aos 56 anos com Maria Eugenia Belhomet (*02/12/1874 Alegrete RS/+12/10/1901 Alegrete RS), viúva do italiano Luis (Luigi) Lucchese, com 22 anos de idade, na data de 26/03/1898, às 16 horas, na casa de José Pinto da Trindade, na cidade de Alegrete RS (CRCPN Alegrete, Livro B – 2, fl. 25 verso, nº 57). O Juiz de Paz chamava-se Antônio Vital d’Oliveira. Nesta ocasião, fizeram o reconhecimento dos filhos havidos na união estável de Nicola Abarno com Maria do Carmo Machado: Conrado, com 14 anos, Manoel Victor, com 12 anos e Alfonsina, com 8 anos. Foram testemunhas: João Paulo de Freitas Valle, advogado, Pascoale Pesce, italiano e artista, e Carolina Maria da Conceição.



Assinaturas de Nicola Abarno e de Eugenia que assinou Lucchese Belhomet


Eugênia era filha do francês Augustin Nicolas Belhomet (*1849/1850 Paris, França/+24/01/1899 Alegrete RS) e de Francisca Lucrécia de Carvalho (*Alegrete RS/+Set/1878 Alegrete RS). Foi batizada no dia 25/12/1874, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição Aparecida de Alegrete, sendo padrinhos Nicolau Baráh (?) e Maria Eugênia de Aguiar. Foi celebrante o Vigário José Antônio de Almeida e Silva (Cúria de Uruguaiana, Alegrete, Livro de Batismos nº 10, fl. 340 v).


Eugênia faleceu aos 26 anos de idade de tuberculose pulmonar, às 2 horas do dia 12/10/1901, em sua casa, na Rua Mal. Floriano nº 21 em Alegrete (CRCPN Alegrete, Livro C – 4; fl. 135 v, nº 148), atestado pelo Dr. Aristides Marcelino. No inventário consta que a filha Carmen (Carmella) tinha três anos e a filha Lizena oito meses de idade. Eugênia foi sepultada no Cemitério Municipal de Alegrete. No inventário de Eugênia, como havia uma dívida de 1.287$650 a ser paga a Luchsinger & Cia., foi leiloada uma parte de campo da casa onde residiam na Rua Mal. Floriano com a Rua Bento Manoel, avaliada em 4.000 réis. O leilão foi realizado em 31/03/1902 (Arquivo Público Alegrete, Inventário, Órfãos e Ausentes, N 1.894, Maço 83, Estante 66, Ano 1901). O casal teve duas filhas.


Belhomet - Brasão (França)


Belhomet tem origem toponímica e a palavra possui o sentido de “bel orme” (belo olmo, que é o nome de uma árvore). 



OS FILHOS DA TERCEIRA UNIÃO


XI-Carmen Abarno (Carmella, Nena) (*17/04/1899 Alegrete RS/+07/01/1982 Bagé RS), registrada por Nicola Abarno (CRCPN Alegrete, Livro A, fl. 151 v, Reg. nº 81), foi batizada com o nome de Maria Carmella, no dia 14/10/1899, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição Aparecida de Alegrete. Seus padrinhos de batismo foram Manuel Jacintho de Freitas e Rita Lopes de Freitas (Cúria de Uruguaiana, Alegrete, Livro de Batismos nº 22, fl. 42 v). Casou-se no religioso no dia 30/07/1919, com Gil Ouriques Ribeiro (01/09/1891 Uruguai/+13/07/1971 Bagé RS), filho de José Gabriel Ribeiro (*25/08/1860 RS) e de Rosalina Ouriques (*13/08/1870 RS). Neste registro da Igreja, aparece o nome Carmen (nome pelo qual ela era conhecida e que difere do nome de batismo).


Consta no registro que o noivo era natural de Bagé, mas está incorreto, pois nos documentos relativos ao casamento civil é mencionada a sua cidadania uruguaia, residindo este, juntamente com seus pais, na cidade de Bagé. Consta também, neste registro da Igreja, que o pai Nicola Abarno era casado com Eugenia Belhomet apenas no civil (Cúria de Uruguaiana, Alegrete, Livro de Casamentos nº 14, fl. 12). O casamento civil realizou-se às 8 horas do dia 30/07/1919, em Alegrete RS (CRCPN Alegrete, Livro B–6, Reg. nº 70, fl. 34), na casa da madrasta, a viúva Rosa Basile Abarno. O Juiz de Paz foi o Major Feliciano Febronio Rodrigues e as testemunhas Dr. Gaspar Saldanha, advogado, Geraldo Ouriques Ribeiro, criador, Francina Ribeiro e Itália Hoffmann (sobrinha de Rosa Abarno). Gil Ouriques Ribeiro era pintor, um artista de talento. Mais tarde, exerceu a profissão de alfaiate. Ao final da década de 1920, início da de 1930, o casal foi residir na cidade de Bagé RS. Gil Ribeiro faleceu em seu domicílio em 13/07/1971, aos 79 anos de idade, de câncer renal, e Carmen Abarno Ribeiro faleceu na data de 07/01/1982, aos 82 anos, de insuficiência respiratória, no Hospital São Sebastião em Bagé. O casal foi sepultado no Cemitério Municipal desta cidade. O casal teve 8 filhos: 

Carmen Abarno


XI-1-José Nicolau Abarno Ribeiro (*05/08/1920 Alegrete RS/+09/09/1980 Bagé RS), solteiro, sem filhos, era alfaiate. Foi sepultado no Cemitério Municipal de Bagé;


José Nicolau Abarno Ribeiro


XI-2-Newton Abarno Ribeiro (*12/01/1922 Bagé RS/+29/07/2013 Rio de Janeiro RJ) foi casado em primeiras núpcias com Irinea da Costa, tendo os filhos: Gil da Costa Ribeiro e Rosa Helena da Costa Ribeiro, residentes no Rio de Janeiro. Casou-se em segundas núpcias com Dagmar Chaves Vasques, com quem teve a filha Nilmar Vasques Ribeiro. Era militar, Primeiro-Tenente do 6º Regimento de Cavalaria do Exército Brasileiro, residindo no Estado do Rio de Janeiro;


Newton Abarno Ribeiro


XI-3-Gentil Abarno Ribeiro (*18/09/1924 Alegrete RS/+04/08/2004 Bagé RS) casou-se com Maria José Pereira (*22/08/1926 Lavras do Sul RS/+31/12/1985 Bagé RS), filha de Teófilo Pereira e Maria Altina Figueiredo, na data de 18/09/1951, em Bagé RS. O casal teve 2 filhas: Maria da Graça Pereira Ribeiro e Neusa Pereira Ribeiro. Era ferroviário. Foi sepultado no Cemitério da Santa Casa de Caridade de Bagé; 


Gentil Abarno Ribeiro


XI-4-NN Abarno Ribeiro (*14/05/1927 Alegrete RS/+14/05/1927 Alegrete RS);


XI-5-Lizena Abarno Ribeiro (*14/02/1930 Bagé RS/+08/08/2002 Porto Alegre RS) casou-se com Getúlio Martins Brasil (*RS/+07/08/2004 Porto Alegre RS), na data de 30/07/1966, em Bagé RS, com quem teve dois filhos: Sergio Ricardo Ribeiro Brasil e Luiz Antônio Ribeiro Brasil, este pertencente à Brigada Militar do RS. Lizena era professora aposentada e residia em Gravataí RS. Foi sepultada no Cemitério da Santa Casa de Porto Alegre; 


Lizena Abarno Ribeiro


XI-6-Rosa Helena Abarno Ribeiro (*16/10/1931 Bagé RS/+11/05/2010 Bagé RS), solteira, sem filhos. Foi sepultada no Cemitério da Santa Casa de Caridade de Bagé;


XI-7-Aírton Abarno Ribeiro (*10/02/1934 Bagé RS/+18/12/2021 Porto Alegre RS) casou-se com Dilsa Silva Vigil (*01/05/1934 Bagé RS/+31/12/2019 Porto Alegre RS), filha de Belmiro Espiridião Vigil e Erocilda Silva, na data de 28/12/1954, em Bagé RS. Era bancário aposentado. O casal teve 5 filhos: Aírton Filho, Elenara Virginia, Marta Berenice, Marcus Flavius e Sandra Christina;  



Aírton Abarno Ribeiro


XI-8-Guido Abarno Ribeiro (*18/08/1936 Bagé RS/+27/04/2013 Porto Alegre RS) casou-se em primeiras núpcias com Maria Ilma da Rosa Pons (*15/12/1939 Bagé RS/+26/12/2021 Bagé RS), filha de Favorino da Silveira Pons e Eloá da Rosa, na data de 24/01/1958, em Bagé RS, tendo o casal tido duas filhas: Lucimara e Carmen Lucia. Guido teve uma união com Ivete Borges Costa, tendo a filha Jacqueline e, em segundas núpcias, com Iara Regina Liemes Flores, na data de 27/03/2012, em Porto Alegre, sendo que o casal não teve filhos. Foi sepultado no Cemitério Parque Jardim de Paz em Porto Alegre. 




XII-Lizena (Licena) Abarno (*22/02/1901 Alegrete RS/+20/08/1931 Alegrete RS), registrada por Nicola Abarno (CRCPN Alegrete, Livro A, fl. 115, Reg. nº 102), casou-se com Euclides Rodrigues da Silva (*25/08/1897 Alegrete RS/+Alegrete RS), na data de 05/09/1918, na cidade de Alegrete RS. Uma das testemunhas do casamento religioso foi Eulália Rodrigues, filha de criação de Alfonsina Abarno, sua meia-irmã, e Miguel Lorenzo, conhecido amigo de Nicola Abarno (Cúria de Uruguaiana, Livro de Casamentos de Alegrete nº13, fl. 95 v). Casaram-se no civil na mesma data (CRCPN de Alegrete, Livro B-5, fl. 176 v, Reg. 64). Não tiveram filhos. Faleceu repentinamente do coração, na escola onde era professora. Conta-se que era uma ótima desenhista. Sua sobrinha, que recebeu o seu nome, também desenhava muito bem. Foi sepultada no Cemitério Municipal de Alegrete.


Lizena Abarno


Ao fundo, Maria Angela Abarno e Aída Abarno; sentadas Lizena Abarno, Rosa Basile Abarno (4ª esposa de Nicola) e Carmen Abarno; à frente Gil Ribeiro - Por volta de 1930 - Alegrete RS



O CASAMENTO COM ROSA BASILE (4ª ESPOSA)


Nicola, após o falecimento de Eugenia Belhomet, casou-se com Rosa Basile (*1853 Albânia/+27/09/1940 Alegrete RS), solteira, filha de Nicola Basile (*17/05/1815 Barile, Potenza, Itália/+18/04/1895 Barile, Potenza, Itália) e de Maria Teresa Traversi (*01/05/1817 Barile, Potenza, Itália/+07/04/1900 Barile, Potenza, Itália), na data de 11/05/1903, na cidade de Alegrete RS. A cerimônia religiosa foi realizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição Aparecida do Alegrete. Foram testemunhas Francisco Lourenço (Lorenzo) e Rafael Pausardi (Cúria de Uruguaiana, Livro Casamentos de Alegrete nº 12, fl. 55).  O casamento civil foi realizado na casa de Domingos Basile, irmão da noiva e Alfaiate de profissão. No ato, Nicola fez a doação de uma casa na Rua Silveira Martins, no valor de 3 contos e 800 mil réis à Rosa (CRCPN Alegrete, Livro B - 2, nº 21, fl. 165).  


Assinaturas de Nicola Abarno e Rosa Basile


Rosa criou as duas filhas menores do casamento de Nicola com Eugênia: Carmen e Lizena. Faleceu de câncer genital aos 89 anos, no Hospital de Caridade, às 18 horas do dia 27/09/1940, tendo firmado o atestado de óbito o Dr. Luiz Cabral Guimarães (CRCPN Alegrete, Livro C – 26, nº 378, fl. 272). Rosa foi sepultada no jazigo da Família Abarno, junto ao esposo, no Cemitério Municipal de Alegrete. Consta na certidão de óbito a sua condição de proprietária em Alegrete. O casal não teve filhos. Pela sua foto, vemos que ela possuía olhos claros. Curiosidade: em 1903, (época do casamento com Rosa Basile) havia 20 casas térreas na Rua Bento Manoel, e 12 casas térreas na Rua Mal. Floriano (O Município de Alegrete, Luiz Araújo Filho - Porto Alegre: Ed. Corag, 1985). Naquela época, não havia sobrados, nem casas sobradadas. Rosa Basile era irmã de Domingos Basile, que exercia a profissão de alfaiate na primeira década de 1900 em Alegrete.
 

Rosa Basile Abarno



Basile - Brasão (Itália)

Família: Basile; d'azzurro, al bracio destro armato d'argento, impugnante in sbarra una lancia, combattente il dragone posto al terzo cantone, accompagnati, al 1º cantone, da una cometa e al quarto dalla croce di Malta, il tutto dello stesso.



O LOCAL DE RESIDÊNCIA DE NICOLA ABARNO


O último endereço de Nicola foi a Rua Mal. Floriano Peixoto, nº 21 (antigo número), esquina com a Rua Bento Manoel, em Alegrete RS. Na atualidade, estas ruas não se cruzam mais, pois parte da Rua Mal. Floriano deu lugar à Rua Daltro Filho. A casa de esquina ainda existe, sendo hoje em dia uma casa comercial.



INFORMAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE NICOLA ABARNO


Na data de 24/02/1890, a Secretaria da Câmara da Intendência Municipal de Alegrete iniciou os “Assentamentos dos Recusados Estrangeiros que não aceitaram a naturalização”, na forma do Decreto de 10/12/1889. Constam no documento o registro de recusa de Nicola Abarno no livro da Intendência e o dia de seu comparecimento que foi em 14/05/1890: “Declaro que quero permanecer cidadão do Reino da Itália, País de meu nascimento.” No dia 14/03/1890, constou a recusa de Potito Di Napoli, seu cunhado.

A saudosa prima Alfonsina Juliani Giuseppe trouxe de suas memórias de infância a informação de que o bisavô Nicola era conhecido pela austeridade na educação de seus filhos. Como ele não se deixava fotografar, não foi possível encontrar nenhuma foto sua. Conta um senhor da cidade de São Francisco de Assis que, quando este era menino pobre em Alegrete, Nicola pagava a gurizada para que coletassem gafanhotos para ele pudesse degustar esta exótica iguaria. Nicola gostava de corridas de cavalos, apostando seguidamente e perdendo às vezes quantias expressivas...
                                                                     
No seu inventário (Arquivo Público do RS, Alegrete, Órfãos e Ausentes, Nº 2.301, Maço 103, Estante 66, Ano 1918), constaram os seguintes bens no seu inventário: dinheiro depositado em caderneta na filial de Alegrete do Banco da Província, valores a receber de devedores e relativos a empréstimo italiano com seus respectivos títulos de obrigações; mercadorias da casa comercial; utensílios; uma casa na Rua Mal. Floriano nº 21, esquina com a Rua Bento Manoel; uma casa na Rua Bento Manoel nº 30; uma casa na Rua Bento Manoel nº 32 (esta casa coube à filha Alfonsina Abarno Giuseppe), uma casa na Rua Bento Manoel nº 34; uma casa na Rua Bento Manoel nº 36; uma casa na Rua Mal. Floriano nº 45; uma casa na Rua Mal. Floriano nº 10 e uma casa na Rua Mal. Floriano nº 8. 

                                                         

A SOCIEDADE ITALIANA DE ALEGRETE


Nicola foi membro da Società di Mutuo Soccorso - Unione Italiana, de Alegrete, fundada em 15/08/1883. A sociedade tinha a finalidade de prestar auxílio aos seus associados, promovendo o seu melhoramento moral, econômico e humanitário. Os sócios doentes obtinham auxílio financeiro, médico e farmacêutico. O prédio da Sociedade Italiana foi construído em estilo renascença somente no ano de 1907, na antiga Rua Ipiranga, nº 27, atual Rua Gaspar Martins. Uma curiosidade: a partir de 1875, começaram a chegar os primeiros imigrantes italianos em Alegrete. 

                                                                            
                                                                         
O FALECIMENTO DE NICOLA ABARNO


Nicola faleceu às 14 horas do dia 15/05/1918, aos 76 anos de idade, por câncer de próstata, sendo o óbito atestado pelo Dr. Pietro Pitella (este médico italiano não deixou descendentes) e foi sepultado no Cemitério Municipal de Alegrete (CRCPN Alegrete, Livro C-9, nº 141, fls. 33 verso e 34). No mesmo túmulo, estão sepultados: a esposa Rosa, a filha Lizena, o neto Francisco Abarno Giuseppe, a esposa deste, Carmen Juliani, a bisneta Alfonsina Abarno Giuseppe e o genro Rocco Di Giuseppe.


A Trineta Fernanda Göller junto ao Jazigo da Família Abarno – Alegrete Julho/1987  



Ver a continuação: Família Abarno 7ª Parte – Ancestrais e Descendentes – Alfonsina Abarno





Família Abarno 7ª Parte - Ancestrais e Descendentes - Alfonsina Abarno


ALFONSINA ABARNO


Alfonsina Abarno, minha avó, era filha de Nicola Abarno e de Maria do Carmo Benites Machado, nascida na data de 01/01/1891, na cidade de Alegrete RS (CRCPN Alegrete RS, Livro A-4, nº 288, fl. 70). As datas de nascimento nos diversos documentos são conflitantes, mas o presente estudo privilegiou a data informada pela própria Alfonsina e transmitida à filha Philomena, minha mãe. No registro de seu nascimento, Nicola Abarno declarou, que Alfonsina nascera em 29/12/1891, e que havia sido batizada na Paróquia de Alegrete, sendo seus padrinhos João Alves Pahim e Francisca de Souza Pahim. Porém, no registro de batismo, realizado em 14/03/1891, constou que Alfonsina havia nascido em 30/01/1891. Como o dia 1º de janeiro foi-me passado pela tradição oral, considero este como sendo o dia correto (Cúria Uruguaiana, Alegrete, RS, Livro Batismos nº 19, fl. 51 verso).


Alfonsina Abarno Giuseppe - 22/12/1951 Porto Alegre RS


O CASAMENTO COM ROCCO DI GIUSEPPE

Alfonsina Abarno casou-se aos 14 anos de idade com o italiano Rocco Di Giuseppe (*23/03/1876 Anzi, Província de Potenza, Itália/+31/08/1949 Alegrete RS), meu avô, filho de Francesco Paolo Di Giuseppe e de Filomena De Fina, com 28 anos de idade, na data de 18/03/1905, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Aparecida de Alegrete. Foram testemunhas Francisco Lorenzo e João Alves Paim (Cúria de Uruguaiana, Livro Casamentos Alegrete 1880-1911, Livro nº 12, fl. 64 v). O casamento civil foi realizado na mesma data, na casa de meu bisavô Nicola Abarno, tendo como Juiz de Paz João Paulo de Freitas Valle. Testemunhas: Francisco Lorenzo, artista, natural da Itália, Carmem Machado, João Alves Pahim, criador, e Francisca de Souza Pahim (CRCPN Alegrete, Livro B-3, nº 24, fl. 46). O casal teve dois filhos. 


Alfonsina Abarno Giuseppe e Rocco Di Giuseppe


OS FILHOS


I-Francisco Abarno Giuseppe (*23/05/1906 Alegrete RS/+07/09/1977 Alegrete RS) casou-se com Carmen Orofino Juliani (*16/05/1904 Alegrete RS/+07/10/1964 Alegrete RS), filha de Gabriel Juliani e de Maria Dominga Orofino, na data de 25/09/1926, na cidade de Alegrete RS. Francisco era Funcionário Público aposentado. O casal teve dois filhos:


Francisco Abarno Giuseppe e Carmen Juliani Giuseppe


I-1-Walter Juliani Giuseppe (*22/06/1929 Alegrete RS/+30/01/2002 Alegrete RS) casou-se com Terezinha Fabres Marques (*20/03/1929 Alegrete RS/+15/05/2010 Alegrete RS), filha de Maurílio Marques e Cecília Fabres, na data de 16/06/1951, em Alegrete RS. Walter era Economista, Professor, tendo sido Vereador em Alegrete. O casal teve três filhos: Walter Marques Giuseppe (*14/09/1954 Alegrete RS/+14/09/1954 Alegrete RS); Marco Antônio Marques Giuseppe (*23/08/1956 Alegrete RS), que foi casado com Vera de Oliveira (*28/12/1959 São Leopoldo RS), em 04/05/1985, em São Leopoldo RS, os quais tiveram os filhos Matheus e Juliana; Cláudia Marques Giuseppe (*11/10/1964 Alegrete RS) casada com Renato Brandolt (*30/09/1963 Alegrete RS), em 12/01/1990, em Alegrete RS.



Tereza, Marco Antônio, Vera e Walter - 1985 São Leopoldo RS


Cláudia, Renato, Tereza e Alfonsina Juliani Giuseppe - 2002 Alegrete RS


Juliana e Mateus - São Leopoldo RS



I-2-Alfonsina Juliani Giuseppe (*22/01/1936 Alegrete RS/+01/10/2009 Alegrete RS). Era Professora Municipal aposentada. Solteira, sem filhos.


Alfonsina e a afilhada Fernanda Matter Torres - 08/10/1990 Alegrete RS



II-Philomena Abarno Giuseppe (*16/11/1925 Alegrete RS/+10/02/1996 Porto Alegre RS), minha mãe, casou-se com Egon Göller (*13/08/1921 Pareci Novo RS/+12/08/1993 Porto Alegre RS), meu pai, Bancário, filho de Jacob Göller Sobrinho e Idalina Schmitz, na data de 26/02/1949, em Alegrete RS, tendo o casal três filhos: 


Philomena e Egon - 1950 Carazinho RS


II-1-Eneida Göller (*30/12/1949 Carazinho RS/+30/12/1949 Carazinho RS);


II-2-Roque Göller (*22/12/1950 Ijuí RS/+18/01/2017 Porto Alegre RS) casou-se, em primeiras núpcias, com Elizabete Maria Baum (*17/07/1953 Guaíba RS), em 25/05/1973, em Porto Alegre RS, em segundas núpcias, com Ceni Dorvalina Fonseca (*02/04/1956 São Lourenço RS), em 03/12/1994, em Porto Alegre RS. Era Funcionário Público Federal aposentado do Ministério da Saúde. Faleceu de infarto e insuficiência renal. Foi sepultado no Cemitério São Miguel e Almas em Porto Alegre;


Roque Göller e Ceni Dorvalina Fonseca Göller - 2010 Porto Alegre RS



II-3-Lisete Göller (*06/02/1956 Porto Alegre RS) Funcionária Pública Estadual aposentada. Formada em Nutrição, em 1982, pelo Instituto Metodista de Educação e Cultura (1ª Turma) e em Ciências Contábeis, no ano de 2002, pela UFRGS. Teve uma filha: Fernanda Göller (*22/08/1984 Porto Alegre RS).


Lisete e Fernanda - Amsterdã 2012


O LOCAL DE RESIDÊNCIA

A família Giuseppe residiu na Rua Marquês do Alegrete, em número ignorado. Esta rua situa-se junto à Praça Gen. Osório, em continuação à Rua Waldemar Masson. Este fato é corroborado pela certidão de nascimento da filha Philomena em 1925. Nos últimos anos, a família residia na Rua Bento Manoel, nº 735. Provavelmente, esta seja a casa herdada por Alfonsina, de nº 32, por ocasião do falecimento de seu pai Nicola, no ano de 1918, com uma numeração mais atualizada. Consta do inventário de Nicola (Arquivo Público, Inventários, Alegrete, Órfãos e Ausentes, nº 2.301, Maço 103, Estante 66, Ano 1918): “Um prédio construído de paredes de tijolos e coberto por telhas de barro, sito à Rua Bento Manoel, nº 32, cujo valor é de cinco contos de réis.”.


INFORMAÇÕES HISTÓRICAS

Na década de 1910, Alfonsina e Rocco foram proprietários de um hotel na cidade de Erechim RS, chamado Hotel dos Viajantes, juntamente com o irmão desta, Manoel Victor Abarno e a cunhada Doralina Pietro Abarno (Chininha). Por razões de saúde de Alfonsina, a qual veio a sofrer de paralisia das mãos, a família voltou à cidade de Alegrete. A única referência documental da época desta informação histórica foi encontrada no inventário de Nicola, realizado no ano de 1918, onde consta que o casal Manoel Victor e Doralina ainda residia em Erechim.


Erechim RS - Década de 1920


Sobre a paralisia das mãos, o que sabemos é que, em função dos afazeres domésticos, na época do Hotel, de lavar roupas e passá-las com ferro à brasa, o choque térmico numa destas oportunidades teria feito as suas mãos entrevarem. Entretanto, provavelmente tratava-se de alguma patologia, como a síndrome do carpo em grau irreversível. Eulália Rodrigues (*12/10/1905 Alegrete RS/+26/07/1954 Porto Alegre RS), que foi criada como filha pelos Giuseppe, possivelmente tenha ido morar com a família após a ocorrência deste fato lamentável. Eulália era filha de Satirio Rodrigues e Ambrosina Rodrigues. Solteira, faleceu aos 48 anos de idade por insuficiência cardíaca.


Na data de 12/08/1949, o esposo Rocco ficou muito doente e, ao chamado deste, Philomena e Egon, foram vê-lo em Alegrete, porém Rocco faleceu no dia 31/08/1949, aos 74 anos de idade. Philomena ficou residindo com a mãe em Alegrete por uns tempos, até que Egon, na data de 15/11/1949, foi buscar a sogra, a esposa e a irmã de criação desta, Eulália, para residirem na cidade de Carazinho. Nesta cidade, Philomena deu à luz a filha Eneida que nasceu e faleceu em 30/12/1949. Depois, Egon foi transferido para a cidade de Ijuí e, em 10/03/1950, a família já estava ali estabelecida. Ficando grávida novamente, Philomena deu à luz a Roque Göller no dia 22/12/1950. Após algum tempo, Egon foi transferido para Porto Alegre e, assim, todos foram morar nesta cidade em 10/04/1951, inicialmente em duas peças alugadas. Em 01/12/1951, a família mudou-se para um apartamento na Rua dos Andradas, nº 381, ap. 2, lá permanecendo até a morte de Alfonsina.


O FALECIMENTO DE ALFONSINA ABARNO


Alfonsina com a filha Philomena, o genro Egon Göller, o neto Roque Göller, e a filha de criação Eulália Rodrigues - Porto Alegre 1953


Alfonsina faleceu às 9 horas e 10 minutos do dia 13/12/1953, na residência de sua família, na Rua dos Andradas, nº 381, ap. 2, em Porto Alegre, aos 63 anos de idade, por câncer genital e metástase hepática, sendo o óbito atestado pelo Dr. Francisco Carneiro Becker (CRCPN Porto Alegre, 4ª Zona, Livro C-91, fl. 248 v, nº 69.612). Ela foi sepultada no Cemitério São Miguel e Almas de Porto Alegre (Catacumba nº 10.270, 1ª ordem, setor A-1). No mesmo túmulo, foram sepultados posteriormente: a filha Philomena, o genro Egon e a filha de criação Eulália.




Ver a continuação: Família Abarno 8ª Parte – Ancestrais e Descendentes – Vitor Abarno


Café Esquina do Tempo - Velhos Carnavais

















Bloco de Carnaval no ano de 1939, no qual meu pai participou (ao fundo, o primeiro à esquerda), cuja foto foi colorizada manualmente na época - Sociedade 5 de Maio, Taquara RS



Uma das mais belas músicas com o tema Carnaval, embora tenha sido composta em função da ditadura militar no Brasil.


MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Carlos Lyra e Vinícius de Moraes - 1964

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar

Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz




Café Esquina do Tempo - Poetando - Em Branco e Preto: Pierrô, Arlequim e Colombina



















EM BRANCO
E NEGRO:
PIERRÔ,
ARLEQUIM E
COLOMBINA.


Pierrô
Toca ao luar
De prata
O alaúde
De cordas
Argênteas:
Branca
É a luz
Da música
Que o inspira,
Negra
É a noite
Que no silêncio
Conspira.


Arlequim
Recita
Poemas
Na sala
De reflexos
Prateados:
Branca
É a imagem
Que o cristal
Reproduz,
Negra
É a sombra
Que na parede
O conduz.


Colombina
Dança
O adágio
No palco
Reluzente
De ébano:
Branca
É a ribalta
Que o hoje
Ilumina,
Negra
É a incerteza
Que o amanhã
Descortina.


Pierrô
Encontra
Arlequim
Que sonha
Encontrar
Colombina
No hall de mármore:
Branco
Quadriculado
No negro,
Negro

No branco
De pérola
Emoldurado.


Pierrô
Veste-se todo em negro,
Colombina
Elege a branca veste,
Arlequim
Metade em branco,
A outra em negro se reveste:
Branco
Bordado
No negro,
Negro
No branco
Tecido
Aveludado.


Colombina
Dá sua mão
Ao arlequim,
Pierrô
Pende ao lado,
Triste e 
Inconsolável:
Branco
Despedaçado
No negro,
Negro
No branco
Pendor
Desprezado.


Pierrô
Oferta o punhal
De prata
À luz da Lua,
E paira na noite
O silêncio
Insondável:
Branca
É a paz
Do luar sem vida,
Negra
É a cor
Que se tornou
Despedida...


Lisete Göller – 1997

Foto: Desenho de Lisete Göller em grafite - 1997


A ideia para este poema, cuja leitura deve lembrar um jogral, veio de um sonho. Encontrava-me num vestíbulo de uma bela casa, cujo piso era todo quadriculado em branco e preto. Havia nele apenas uma grande escada, cujos corrimãos e balaustradas eram pintados de branco. Na atmosfera emanada deste poema, um tanto medieval, foram excluídas todas as cores, exceto o branco (a união de todas as cores) e o preto (a ausência de todas elas). O poema representa de certa forma a dualidade que existe em todos nós e da qual somos reféns.

Pierrô, Arlequim e Colombina são alegorias. Pierrô, o eterno mal-amado, veste-se em negro, porque as suas emoções são sempre contidas e não consegue realizar as suas ambições. Arlequim, por outro lado, representa o insincero. A metade branca com que se veste reproduz a exteriorização de seus bons sentimentos e a metade negra o seu perfil trapaceiro. Colombina veste-se totalmente em branco - a cor da pureza para os ocidentais -, que simboliza a ingenuidade e a indecisão.

Pierrô, ao final, oferta a sua vida para a Lua que sabidamente possui o seu lado escuro que permanecerá eternamente oculto para nós. E encontrou a paz que buscava, porque a Lua aceitou o seu sacrifício: trocou a sua veste negra pela veste de um luar de prata...



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Família Wilhelm 2ª Parte - Genealogia


(Antepassados da imigrante Susanna Lunkenheimer Göller)

Segue abaixo a árvore genealógica da família no formato PDF, desde os ancestrais mais antigos conhecidos, que pode ser acessada através do link do Google Drive.




Clicar no link abaixo, para visualizar a árvore genealógica da família:
Última atualização: 2020-2021