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Os artigos veiculados neste blog podem ser utilizados pelos interessados, desde que citada a fonte: GÖLLER, Lisete. [inclua o título da postagem], in Memorial do Tempo (https://memorialdotempo.blogspot.com), nos termos da Lei n.º 9.610/98.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Memórias de Família I


AS LEMBRANÇAS DE MINHA AVÓ IDALINA SCHMITZ GÖLLER

 

Idalina ( 57 anos) com os netos Roberto Wagner e Vânia Marli Goeller na frente da casa de Pareci Novo - 16/02/1950



As lembranças de infância, à medida que ia crescendo, tornavam-se flashes na minha memória, que eram acompanhados de sensações, de cores e de aromas... Lembro-me, por exemplo, que gostava de ganhar de presente o perfume White Magnólia, de sentir o aroma dos cravos vermelhos e do cheiro que o vento trazia das “queimadas”, que eram comuns nas comunidades daquele tempo, quando nós viajávamos para a casa de minha avó Idalina em Pareci Novo.



Idalina (37 anos) ao fundo e os filhos Gerda, Guisella, Flávio, Victor e Egon - 1928/1929 - Pareci Novo RS 


Lembro-me que fomos diversas vezes até esta cidade do interior do Rio Grande do Sul visitar a nossa única avó que conhecíamos. Ela morava numa casa térrea simples, com dois quartos, uma sala grande e uma cozinha equipada com fogão à lenha. A avó tinha o costume de cozinhar com banha, e lembro-me das batatas fritas que ela nos servia e que eram cortadas em pedaços graúdos. Tinham um sabor inigualável... Na parte da frente da casa, pendiam os galhos das árvores que forneciam uma boa sombra, principalmente na época do verão. O banheiro ficava do lado de fora, na conhecida “casinha”, bem típica dos velhos tempos das moradas de interior... A casa, na verdade, havia sido bem maior, consistindo em três casas geminadas. A avó residia na do meio, e as demais eram alugadas a inquilinos. No longínquo passado, elas se comunicavam. Este foi um modo que ela encontrou para sobreviver financeiramente.



A casa de Pareci Novo - Década de 1940


Nos fundos da casa, havia plantações de hortaliças e árvores frutíferas, como o butiazeiro, com seus pequenos frutos carnudos que eram uma delícia, e as bergamoteiras que viviam sempre “carregadinhas”. Não faltavam o galinheiro e o chiqueiro para a criação de galinhas e porcos, estes criados costumeiramente pelos imigrantes alemães e seus descendentes. Naquela época, nas imediações, havia poucas casas e alguns matos em volta da morada de minha avó.



Com minha avó (63 anos) e meu irmão Roque - 1956 - Pareci Novo RS


Lembro-me das noites quentes de verão, quando ficávamos sentados em frente à sua casa. Ouvíamos o coral de sapos coaxando, acompanhado da orquestra de grilos invisíveis, o lamento de algum cão latindo ao longe, talvez inspirado pela luz incomum da lua cheia, e admirávamos os vaga-lumes acendendo e apagando as suas minúsculas lamparinas, que vinham abrilhantar aquela festa noturna. Havia momentos, porém, em que dentro da noite reinava um silêncio admirável e eloquente, que era acompanhado solenemente pelo cortejo das estrelas...



O meu irmão Roque na porta da casa de Pareci Novo - 1952


Mais adiante, numa curva, se bem me lembro, ficava o bolicho onde eram feitas as compras do dia-a-dia das pessoas que ali moravam. Lembro-me de uma vez em que eu estava próxima ao bolicho e, como sabia da história de uma menina que havia sido mordida por um cão, tendo que tomar vacina antirrábica, ao ver um vira-lata vindo em minha direção, eu quase morri de medo de que me acontecesse o mesmo.


Perto da casa da avó, do outro lado da rua, vivia a Etelvina, que era uma figura e tanto... Bebia e contava histórias que a gente não sabia se eram realidade ou fantasia. Às vezes, a minha mãe conversava com ela, e se divertia com o seu linguajar, digamos assim, um tanto inusitado. Não muito longe dali, ficava a Igreja de Pareci Novo, porém não me lembro de como era o seu interior naquele tempo. Outras vezes, íamos visitar parentes ou conhecidos em outros locais do Município. Havia uma balsa para cruzar o Rio Caí para ir até a casa deles, algo diferente para a nossa rotina de crianças da cidade.



Aos 59 anos - 22/12/1951- Porto Alegre RS


Gostava de ir até Pareci Novo, embora não tivesse muitos confortos. Quando era noite e os mosquitos incomodavam, o pai acendia a espiral do “Boa-Noite” para afugentá-los. Esquentava-se água para o banho, não havia televisão, e a única diversão, além de brincar, era sentar nas cadeiras na frente da casa. Lembro até hoje da voz de minha avó, quando me chamava de “hertzchen”, que quer dizer “coraçãozinho” em alemão...


Na juventude, ela tinha cabelos escuros, mas somente lembro-me dela com os cabelos já bem brancos. Ainda era bem bonita. Tinha olhos azuis e usava brinquinhos de ouro e pedras azuis. Acho que eram águas-marinhas, da cor do céu e dos seus olhos... Falava, além do português, um dialeto do alemão, mas infelizmente o nosso pai não nos ensinou esta língua ancestral. No passado, a sua vida havia sido muito difícil, pois o meu avô morreu cedo, e ela teve que criar sozinha os cinco de seus sete filhos sobreviventes.



Aos 66 anos, com os filhos Egon, Flávio, Victor, Guisella e Gerda - 17/08/1958 - Porto Alegre RS


A minha avó passava alguns períodos com os filhos, ou seja, um pouco com cada um. Passou uns tempos lá em casa e teve alguns atritos com minha mãe sobre coisas que nem me lembro. Morando com a tia Gerda, recordo-me quando, já não muito longe de sua morte, fomos lhe visitar, e passei um bom tempo conversando com ela. Ficou encantada com isso, e disse ao meu pai que tinha gostado muito de eu lhe ter dado atenção. Esta lembrança é a mais cara que dela ainda conservo. Depois, teve problemas de saúde decorrentes da idade. Quando ela morreu do coração, aos 77 anos, na casa de minha tia em Porto Alegre, eu tinha 14 anos de idade. Não cheguei a ir ao seu enterro, que foi em Pareci Novo. Somente conheci o seu túmulo algum tempo depois.



A avenida principal de Pareci Novo RS


Um fato interessante que ocorreu é que, alguns dias depois de sua morte, eu não conseguia dormir durante uma determinada noite. Lá em casa, todos dormiam. Isso aconteceu no antigo apartamento da Rua dos Andradas. A porta do meu quarto ficava aberta, e eu comecei a ouvir uns ruídos estranhos na mesa da cozinha. A porta do quarto do meu irmão estava fechada e, de repente, escutei um “baque” surdo, como se uma pancada proposital tivesse sido dada contra ela. Foi terrível. Quase morri de medo e comecei a rezar. Quem sabe não era ela que teria vindo se despedir de nós?



O retângulo vermelho marca o local onde se localizava a antiga casa de minha avó - Google Earth


Depois de sua partida deste mundo, chegou a hora de a casa ser vendida pelos herdeiros. O problema maior é que, quando havia enchente, a casa ficava ilhada, e seria muito difícil para os filhos, que moravam em outras cidades, conseguirem mantê-la O proprietário seguinte a demoliu e, no seu lugar, uma nova morada foi construída, mas esta também deixou de existir. De certa forma, pelo menos para mim, a casa de minha avó continua existindo e, vez por outra, perambulo pelos seus cômodos, quando viajo pelos caminhos do tempo, criados na dimensão impossível dos sonhos...


Ao fundo, vemos o campo de futebol cercado, no terreno que havia sido de minha avó - 2011- Pareci Novo RS


Texto de 2003 revisado.


Nota da autora: após a morte de Idalina, a casa foi vendida nos anos 1970 para um parente da família Schmitz. Este a demoliu e, posteriormente, construiu no terreno uma nova casa. Conforme relato do primo Ricardo Wagner, o comprador do terreno e da casa da avó foi o seu sobrinho, Silfredo Adolfo Schmitz, ancestral do proprietário da Floricultura Pareci de Porto Alegre. A referida casa deixou de existir há muitos anos. O terreno foi desapropriado pelo Município, sendo integrado posteriormente à Praça Municipal Miguel Arraes. A rua onde Idalina Schmitz Göller residia chamava-se Rua Alegre. Atualmente, a sua denominação passou a ser Rua Professor Clemente Bohn Filho.



Voltando a Pareci Novo, na Praça Miguel Arraes - 2011





sexta-feira, 3 de maio de 2013

Viagens - Santa Maria do Herval RS


A localidade de Morro dos Bugres (Bucherberg) - Santa Maria do Herval RS


O MORRO DOS BUGRES (BUCHERBERG)


A primeira vez que tomei conhecimento da existência de Morro dos Bugres, uma localidade de Santa Maria do Herval, foi através de minhas pesquisas sobre os meus antepassados Schmitz. Entretanto, somente em outubro de 2009 decidi ir até lá, fazendo antes uma parada estratégica na cidade de Dois Irmãos. Com a ajuda de um taxista, foram percorridos cerca de 5 km, desde a sede do Município até o centro de Morro dos Bugres, através de uma estrada estreita de chão batido, com uma infinidade de curvas em subida. O caminho surpreendeu-nos com belíssimas paisagens, à medida em que alcançávamos o alto da montanha, com a visão dos morros recobertos por mata nativa, separados por vales profundos, e de onde podíamos vislumbrar as inúmeras cachoeiras que o Município possui.



O centro de Morro dos Bugres

 
Chegando ao Morro dos Bugres, conheci a Capela de São Francisco Xavier, o cemitério em frente à mesma, os dois salões da comunidade, o bar e algumas residências. Percorri o cemitério em vão, porque não encontrei as lápides ou cruzes de meus tataravôs Johann Peter Schmitz e Elisabeth Dapper, porque estas o tempo se encarregou de levar. Naquela oportunidade, fiquei sabendo do trabalho de pesquisa da historiadora Solange Johann e da elaboração de um livro sobre a localidade. Posteriormente, através de um contato com a Prefeitura de Santa Maria do Herval e com a própria Solange, soube da comemoração no final daquele ano dos 160 Anos de Fundação da Comunidade Católica de Morro dos Bugres, do lançamento do livro “Do Velho Mundo para Bucherberg ou Bugerberg, um Novo Mundo” e da inauguração do Memorial dos 40 Sócios Fundadores.



A Capela de São Francisco Xavier com os preparativos dos 160 Anos da Comunidade Católica


Foi então que, no dia 6 de dezembro de 2009, atendendo ao gentil convite da historiadora, já que a família Schmitz foi uma das cem primeiras famílias que ali se estabeleceram, voltei ao Morro dos Bugres. Antes, porém, passei pelo centro de Santa Maria do Herval, que ainda não conhecia. Trata-se de uma encantadora cidade erigida sobre um vale e sob a graça e proteção de altas e belas montanhas. A sede do Município teve o início de sua colonização em 1844, quando então se chamava Picada Herval ou Teewald. Foi o primeiro distrito de São Leopoldo e o segundo de Dois Irmãos, emancipando-se em 12 de maio de 1988. Conheci a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, erigida no ano de 1860, que inicialmente era de madeira, porém este antigo prédio foi destruído por um vendaval.



A Igreja Matriz de Santa Maria do Herval


Ao lado da Igreja, pude apreciar um jardim denominado “O Relógio do Corpo Humano”, dividido em canteiros, lembrando um relógio, onde foram plantadas as ervas destinados à saúde dos órgãos do corpo humano, com a indicação de seus horários de descanso e o nome das ervas. A cidade, além das construções modernas, ainda conserva algumas casas enxaimel bem conservadas, feitas com barro, pedras e areia de rio. O dialeto alemão, é claro, ainda ecoa por toda a parte...



O Relógio do Corpo Humano - Santa Maria do Herval RS


A procissão que abria a comemoração saiu da Igreja na sede do Município. Na frente do cortejo, ia um carro-pipa para molhar a estrada, diminuindo o desconforto da poeira que o deslocamento de veículos ocasionava. Num caminhão, seguiam o sacerdote, os coroinhas, os anjinhos, algumas pessoas da comunidade e os músicos. Atrás deste, uma fila de carros completava o cortejo, incluindo o nosso táxi. Este último, por sua vez, procurou ultrapassar todos os veículos, porque todo taxista sempre tem pressa de chegar a algum lugar, em que pese a dificuldade de percorrer um caminho estreito. Lá chegando, dispensei o táxi, e pude fotografar a chegada da procissão na frente da Capela de São Francisco Xavier, naturalmente com a recepção calorosa dos fiéis e com salvas de fogos de artifício.



A Missa realizada na entrada da Capela de São Francisco Xavier


A missa foi realizada logo a seguir, porém em frente à Capela, por razões da limitação do espaço interno do prédio. A entrada foi recoberta para tornar o lugar mais confortável aos fiéis. Antes do serviço religioso, foram apresentadas ao público a foto mais antiga da Capela, que no passado era de madeira, a imagem do Santo que foi trazida da Alemanha e a cruz de ferro, com um galo na ponta, estas últimos existentes desde a criação da primeira construção.



O interior da Capela de São Francisco Xavier


Cabe aqui fazer um pequeno histórico da Capela. A primeira Capela localizava-se no lado oposto da rua onde hoje se encontra a atual Capela. O terreno desta última foi doado pelo imigrante Nicolau Weber, cujo Lote era o de nº 82, para que se construísse a nova Capela. O cemitério antigo ficava ao lado da primeira Capela, porém este se localizava mais abaixo do atual cemitério. Com o tempo, as lápides dos primeiros imigrantes, que eram apenas singelas cruzes, foram vencidas pelo tempo, deixando de existir possíveis vestígios deste cemitério. A Capela de São Francisco Xavier é mais antiga do que a Igreja de Nossa Senhora da Auxiliadora, que se chamava Nossa Senhora da Ajuda, na sede de Santa Maria do Herval, e até mesmo do que a Igreja de São Miguel em Dois Irmãos.



Foto da 1ª Capela de São Francisco Xavier, em madeira, ao lado do antigo Cemitério



O Cemitério, no outro lado da avenida, em frente à atual Capela de São Francisco Xavier


Após a celebração, houve o lançamento do Memorial dos 40 Sócios Fundadores da Comunidade Católica, pioneiros estes que se uniram em favor da construção da Capela, da escola e do cemitério, elementos essenciais para a consolidação desta comunidade, que teve o seu marco inicial no ano de 1849. Os imigrantes e suas famílias residiam em três localidades que pertenciam naquela época à Linha de Dois Irmãos: Morro dos Bugres ou Bucherberg (em Santa Maria do Herval), Jammerthal (hoje pertencente ao Município de Picada Café) e Wallachei (pertencente na atualidade a Morro Reuter). O primeiro professor da comunidade foi o imigrante Johann Nicolaus Müssnich, que também providenciava os enterros, era o sacristão da Capela e preparava as crianças para a Primeira Comunhão, até o ano de 1879. No Memorial, estavam inscritos para a posteridade, dentre outros nomes, os de Peter Hartmann que foi casado com Elisabeth Schmitz, Peter Zimmer, sogro de Johann Peter Schmitz Filho, Peter Bender, sogro de Gertrudes Schmitz e Jakob Ritter, tio por via de casamento, de Peter Hartmann citado acima.



O Memorial dos 40 Associados Fundadores da Capela de São Francisco Xavier


Por derradeiro, ocorreu o tão aguardado lançamento do livro sobre a história do Morro dos Bugres, cujo exemplar me foi devidamente autografado pela historiadora Solange Johann. Posteriormente, constatei que somos parentes, pelos elos dos nossos ancestrais de sobrenome Schuster. Seguiu-se o concorrido almoço com música típica alemã e muita animação, que são tão característicos das comunidades germânicas. Este é o breve relato que faço da minha participação nas comemorações de 160 Anos de Morro dos Bugres.



Solange Johann autografando o livro "Do Velho Mundo para Bucherberg ou Bugerberg, um Novo Mundo"



Lisete Göller – Tataraneta dos imigrantes Johann Peter Schmitz e Elisabetha Dapper. Texto e fotos do ano de 2009.






quinta-feira, 2 de maio de 2013

Viagens - Ivoti RS


Núcleo de Casas Enxaimel na cidade de Ivoti RS


UM POUCO DA HISTÓRIA DE IVOTI


A colonização de Ivoti pelos imigrantes alemães começou em 1824, a maioria deles vinda da região do Hunsrück. A história da ocupação começa com 48 lotes de terras distribuídas aos colonos ao longo do Arroio Feitoria (Picada das 48 Colônias). As primeiras denominações que a região recebeu foram Berghanthal (Vale dos Berghan, família que primeiramente se fixou no vale do Arroio Feitoria) e Berghanschneis (Picada dos Berghan). Em 04/11/1867, passou a se chamar Bom Jardim, pois as terras eram especialmente propícias ao cultivo de flores. Naquela época, Bom Jardim era o 3º distrito de São Leopoldo. Na data de 31/05/1938, o nome foi alterado para Ivoti que quer dizer “Flor” em tupi-guarani. Ivoti, conhecida como a “Cidade das Flores” emancipou-se em 19/10/1964 após pertencer ao Município de Estância Velha. Dentre as suas primeiras localidades, destacam-se: a Picada 48, a Picada Feijão (Vale dos Feijões) e a Nova Vila.



Paisagem campestre no bairro Feitoria Nova


Na Picada 48 encontramos locais interessantes como o criatório de javalis com espécies de origem alemã e a Cachaçaria Weber (Weber Haus), a qual funciona desde 1968. Além das cachaças, fabrica licores de frutas feitos com cachaça. Na Picada Feijão, que no passado chamava-se Bohnenthal, produz-se os vinhos Berwian, com a particularidade de serem produzidos no porão de uma casa construída com a técnica enxaimel. Esta casa pertenceu há mais de cem anos aos Bohnenberg, local onde havia uma sapataria e uma alfaiataria. No ano de 1920, passou a pertencer à família Berwian que, na década de 90, transformou-a numa pequena vinícola. Na Nova Vila, (também chamada de Neudeutschland), encontramos hotel e pousada com ótimas acomodações, esta última conta com um parque aquático e recantos inspirados em diversos locais do mundo.


A economia da cidade está alicerçada principalmente nas atividades do ramo coureiro-calçadista e nos de alimentação e confecções. Ivoti Possui cerca de 18.000 habitantes e está a 55 km de Porto Alegre, localizando-se na região da Encosta da Serra gaúcha. A flor-símbolo de Ivoti é a Petúnia.



O Hotel Spazio - Ivoti RS

A CULTURA


A cidade de Ivoti preserva a cultura alemã através de festas como a Festa do Colono, no mês de julho, o Kerb, em janeiro e a Oktoberfest em outubro. A cidade conta com restaurantes que oferecem a cozinha típica alemã, sociedades culturais, corais, grupos de dança, bandas e orquestra. A língua alemã é oferecida na rede pública no Ensino Fundamental e, no Instituto de Educação de Ivoti, está em seu currículo até o Ensino Médio. O Armazém Fritzen, na Feitoria Nova preserva as características das antigas vendas coloniais. Antigamente, os homens lá se reuniam para beber e jogar, havendo bailes em determinadas épocas.



A Ponte do Imperador sobre o Arroio Feitoria

RELATOS DE VIAGEM


Estive em Ivoti pela primeira vez em 02/01/2006. A primeira referência que guardo dela é a Avenida Presidente Lucena que corta a cidade do começo ao fim. Não se trata de uma via plana, mas sim de uma via ondulante, com aclives e declives que se vão alternando. Lá estão o comércio e demais serviços, a Prefeitura, as Sociedades Harmonia e Concórdia, a Igreja Católica, as praças... Ao longe, vemos que a cidade está cercada por montanhas. Ao final da avenida, após a Igreja Católica, numa curva acentuada à direita, temos a oportunidade de percorrer a chamada Rota Romântica do Município. Lá encontramos a Ponte do Imperador, que se ergue sobre o arroio Feitoria, arroio este que é tributário do Rio dos Sinos. A ponte construída em estilo romano, que dista 2 km do centro, foi concluída em 1855. D. Pedro II a percorreu nos áureos tempos da monarquia e foi tombada como Monumento Histórico Nacional. A construção da ponte teve como objetivo estabelecer o fluxo das mercadorias produzidas na região em direção à Capital.



Peças do Museu Oscar Becker


Junto à Ponte do Imperador, vemos o Núcleo de Casas Enxaimel, no bairro Feitoria Nova, que apresenta o maior número de casas enxaimel do Brasil e é onde está situado o Museu Oscar Becker. Foi a partir deste local que Ivoti se desenvolveu. Realmente, parece que o tempo voltou para trás e estamos a circular por uma rua no passado de nossos colonizadores alemães.



Recanto do Memorial da Colônia Japonesa


A Colônia Japonesa veio a ser formada no Município a partir de 1966. Mais um local interessante para se visitar e admirar a importante contribuição da cultura japonesa é o Memorial da Colônia Japonesa.



Uma interessante coleção de bonecas japonesas


E as praças? A Praça Concórdia, situada em frente à Sociedade Concórdia, é um local agradável para descansarmos, enquanto ouvimos o barulho das águas e apreciamos a beleza de suas fontes, principalmente nos verões de extremo calor, como este em que escrevo. Após as 20 horas, a temperatura se torna mais amena, lembrando-nos, afinal de contas, que estamos na serra gaúcha... A Praça Neldo Holler situa-se perto da Igreja Evangélica, possuindo diversas espécies de plantas que proporcionam um agradável refúgio nos dias de sol. Foi concebida pelo paisagista Burle Marx. As ruas, no seu entorno, possuem belas casas e, ali perto, encontra-se estabelecido o Instituto de Educação de Ivoti.



A dança das águas na Praça Concórdia


A outra praça, que fica ao lado da Prefeitura de Ivoti e que fiz questão de conhecer, é a Praça da Emancipação. O terreno desta praça pertenceu a Adolf Schallenberger, o qual foi casado com Louise Göller, filha de Peter Göller e de Maria Arndt, neta de meu trisavô Johann Göller. A praça foi erigida e assim batizada em homenagem à emancipação do Município em 1964. Foram mantidas algumas árvores antigas que lá existiam ao tempo de seus primeiros donos.


Estas considerações vêm de encontro aos motivos de eu ter preparado esta primeira viagem a Ivoti. Viajei até lá com o objetivo de ampliar a minha pesquisa sobre os meus antepassados e, partindo de detalhes e de minha costumeira intuição, fui bem sucedida. Foi providencial haver táxis na cidade, sem os quais muitas coisas não poderiam ter sido realizadas.



A Praça da Emancipação


Um pouco mais adiante da Praça da Emancipação, foi erigida a Igreja de São Pedro dos Apóstolos, para sanar a perda da antiga Matriz de mesmo nome, comprometida por um incêndio em 1924. Depois deste triste evento, praticamente só restaram as paredes da antiga Igreja, que foi tombada como patrimônio histórico do Estado. Quem sabe algum dia ela seja totalmente restaurada e possamos admirar este templo com toda a sua grandeza.



A Igreja de São Pedro dos Apóstolos


O interior da Igreja com o telhado já reformado


Lá, por exemplo, batizaram-se a minha bisavó Catharina Schuster, a minha trisavó Bárbara Welter, casaram-se meus trisavôs Margarida (já viúva de Johann) e Georg Strasser e outros tantos eventos de meus queridos parentes, que por lá viveram.



Os vitrais são o céu e as núvens


As colunas junto à entrada principal da Igreja


Ao fundo da Igreja, fica o Cemitério Católico de Ivoti. Infelizmente, parte do antigo Cemitério que havia no passado deixou de existir. Foi transformado num estacionamento. Por esta razão, não encontrei as lápides que deveriam estar por lá, conforme os registros obtidos na Cúria Metropolitana de Porto Alegre. É um fato lamentável...



A porta lateral que vai dar no estacionamento


Visitei uma localidade, que antigamente era chamada de Bohnenthal ou Vale dos Feijões, conhecida por Picada Feijão. Fui até lá com o objetivo de confirmar algumas informações obtidas nos registros da nossa Cúria. Situa-se num vale muito bonito, cercado de montanhas e de matas nativas. Indo pela Picada 48, o acesso é feito através de uma estrada de terra com muitas curvas. Ao longo da via, há muitas propriedades que exibem fartas plantações a perder de vista...



Pelos caminhos de Bohnenthal


Chegando ao “centro” do Vale, vemos algumas casas, a escola, a pequena Capela de São João Baptista, que foi construída no ano de 1932. No passado, era um prédio de madeira. No Vale dos Feijões, foi onde viveu e faleceu o meu trisavô imigrante Johann Göller, após se casar com Margarida Schmitz, vindo este de Dörrebach, na Alemanha, aos 17 anos, deixando em Picada Holanda (distrito de Picada Café) sua mãe e irmãs, com as respectivas famílias.



A Capela de São João Baptista, com o cemitério ao lado


Foi realmente emocionante encontrar a sua lápide tão simples, mas tão importante para mim, erigida que foi há mais de 120 anos. Lá estava gravada a data de seu nascimento, que tanto procurava, sendo confrontada com o registro na Alemanha... Alguns símbolos estavam ali desenhados como dois castiçais, quatro sóis, cada um com raios de oito pontas, ramos de palmas e um coração alado, livre, como alguém que partiu para a liberdade, levando consigo o que realmente há de mais precioso que se pode levar desta terra devotada ao esquecimento: o amor dos seus entes que foi conquistado durante a sua vida.



Encontrei no pequeno Cemitério junto à Igreja outras lápides de filhos e genros com as marcas que o tempo inexorável não procurou poupar. Infelizmente, as inúmeras lápides existentes fora de seus primitivos lugares, caídas ao solo, puseram fim a qualquer tentativa de identificar o local exato de sepultamento dos três filhos menores de Johann. Apenas ficaram de pé a lápide do pequeno Johannes e das duas filhas que constituíram famílias em Ivoti, Maria Göller Marmitt e Margaretha Göller Jung...



Na Picada 48 Alta, tendo ao fundo a vista do centro de Ivoti 


No dia seguinte, fui até a Picada 48. Esta é uma localidade de Ivoti, perto do Vale dos Feijões e quer dizer “48 Colônias”, na verdade. É um local muito interessante para se obter uma bela visão da cidade de Ivoti. Por lá, viveu meu trisavó Georg Strasser com sua família, entre outros parentes. Há na Picada somente propriedades, não contando esta com nenhuma capela ou cemitério. Depois, fui mais uma vez ao Vale dos Feijões, perto dali, para rever o local. É interessante registrar que o táxi que me levou a esta localidade era do simpático senhor Beno Mossmann. Ele é descendente de um dos ramos de meu pentavô Jacob Mossmann. Ele veio a morar justamente onde o seu ancestral havia morado e deixado este mundo... Assim, naquele derradeiro dia 04/01/2006, com a máquina cheia de fotos e anotações na agenda, tomei o rumo de Porto Alegre, passando antes por Estância Velha, que se encontra a meio-caminho de Ivoti... Naturalmente, retornei a esta cidade em outras oportunidades.



Texto de 2006 revisado, com algumas fotos posteriores







quarta-feira, 1 de maio de 2013

Viagens - Picada Café RS



Vista parcial da cidade de Picada Café


Picada Café é uma cidade da região nordeste do RS, situada no vale do Rio Cadeia. Cercada por morros da Serra Geral gaúcha, suas pequenas planícies são recortadas por arroios e pelo Rio Cadeia, que tem este nome por causa das cadeias de montanhas configurando o seu relevo. Sua distante história começa por ter sido escolhida como caminho de tropeiros que abriram na região uma “picada”, com o intuito de promover o seu descanso e beber café. Na verdade, não existem cafezais em Picada café, pois o clima não é favorável ao seu plantio.


O Pórtico de Picada Café


A chegada dos imigrantes começou lá pelos idos de 1844. Naquela época, a localidade pertencia ao município de São Leopoldo. Depois, em 1875, passou a ser distrito de São Sebastião do Caí. No ano de 1954, passou a pertencer ao município de Nova Petrópolis, emancipando-se finalmente no ano de 1992. No âmbito da Justiça Estadual, está vinculada à comarca de Nova Petrópolis.


O centro de Picada Café


Picada Café abrange localidades não-emancipadas, como Joaneta, Jammerthal, Morro Bock, Quatro Cantos, Picada Holanda e Lichtenthal. Em Quatro Cantos - via BR 116 -, encontramos o Mirante, de onde se tem uma vista panorâmica da região central da cidade. A localidade de Jammerthal tem a particularidade de possuir uma belíssima cachoeira. Um local turístico importante para visitação, situado na sede do Município, é o Parque Histórico Municipal Jorge Kuhn, com casas, galpões, moinhos e edificações típicas dos imigrantes alemães.


A Capela de Nossa Senhora da Visitação, na localidade de Picada Holanda


Picada Café possui uma igreja luterana e quatro igrejas católicas. A Igreja São João, de confissão luterana, está situada no bairro São João. A Capela Ecumênica Nossa Senhora da Visitação, que em 1997 foi transformada em Patrimônio Histórico do Município, situa-se em Picada Holanda e foi construída em 17/01/1853. A primeira construção da capela provavelmente tenha sido feita em madeira, sendo esta finalizada em 02/07/1854. O Padre austríaco João Sedlac foi o primeiro padre da Capela de Picada Holanda, o qual chegou a Porto Alegre em 14/07/1849. No ano de 1881, sua atual construção em estilo românico foi concluída.



Cercada por montanhas, Picada Café reserva belas paisagens ao visitante


Além destes templos, citam-se a Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no centro de Picada Café, que foi fundada em 13/02/1955, a Igreja Santa Joana Francisca de Chantal situada na localidade de Joaneta e a Igreja Sagrada Coração de Jesus, localizada em Jammerthal, junto a um cemitério (kirchof), cuja construção é do ano de 1898. O primeiro casamento foi celebrado em 1885. Picada Café possui nove cemitérios, dado importante para os pesquisadores e genealogistas. São cinco luteranos e quatro católicos. Os católicos são o de Picada Café, o de Picada Holanda (fundado entre 1850 e 1860), o de Joaneta e o de Jammerthal (1845).



A VISÃO DE UMA VIAJANTE


Picada Café, a cidade dos lírios, vai surgindo após o percurso de muitas curvas da estrada sinuosa que leva à serra gaúcha, sendo ladeada por plátanos, árvore-símbolo da chamada Rota Romântica. É uma pequena cidade serrana, irregular em seu traçado, com inúmeras casas ajardinadas, pomares, hortas e propriedades rurais. No centro, há ainda poucos edifícios, predominando as casas. A maioria de suas edificações está espalhada pela região, e boa parte repousa ao pé dos morros cobertos por densa vegetação de mata nativa. Encontramos casas em “estilo” enxaimel, que, na verdade, soube não se tratar de um estilo, mas de uma técnica construtiva. Esta técnica é encontrada em estilos como o Renascentista e o Barroco de diversos países, sendo escolhido pelos imigrantes devido à abundância de madeiras e de pedras grés na região.



Moinho no Parque Histórico Municipal Jorge Kuhn

 
O que me levou a procurar conhecer Picada Café? Este local foi o escolhido por meus antepassados que levam o sobrenome Göller, vindos da Alemanha em 15/11/1846. Através de minhas pesquisas, da coleta de informações - estas até mesmo desconhecidas pelas atuais gerações - descobri este ponto de partida, este remoto começo. Hoje, a cidade já não é mais habitada por seus descendentes, talvez por mais de um século...



Reconstituir o passado é como costurar uma colcha de retalhos de pequenas descobertas. E a imaginação vai dando-lhe o acabamento, vai preenchendo os vazios, cerzidos com a linha invisível da intuição. Nesta cidade, mais precisamente em Picada Holanda, localidade pertencente à Picada Café, e que fica a uns 4 km do centro da cidade, viveram minha tataravó Susanna, nascida Lunkenheimer, meu trisavô Johann Göller e suas irmãs Anna Maria, Elisabeth e Clara. Meu tataravô Jakob havia falecido na Alemanha, e a pequena família optou por seguir um novo rumo num país desconhecido, vindo dar nestas distantes paragens.

Vista de Picada Holanda com a Capela de N. Sª da Visitação ao fundo


Mais tarde, Johann conheceu minha trisavó Margarida Schmitz, e foi residir em Picada Feijão ou Bohnenthal, localidade de Ivoti. Deste casamento, tiveram vários filhos que, posteriormente, migraram para lugares diversos do Rio Grande do Sul. Johann faleceu em 27/07/1882, deixando a viúva e alguns de seus filhos ainda menores. Lá pude encontrar marcas da passagem dos Göller, através das lápides de alguns de seus descendentes.


Embora haja vários registros obtidos na Cúria Metropolitana que conduzem ao cemitério de Picada Holanda, dentre o número considerável de túmulos muito antigos, não pude localizar as lápides de minha tataravó e nem as de suas filhas. Por informação de um livro especializado, está descrito o registro tumular de Anna Maria, casada com Nicolau Schabarum, mas estranhamente ele não foi encontrado, apesar de existirem em bom estado os túmulos de seu esposo e de seu filho.



A Pousada Camponesa - Picada Café RS


NA POUSADA CAMPONESA


Aqui estou nesta pousada encantadora, na sacada do meu quarto, apreciando os grandes morros que contornam a cidade. Alguns destes, por assim dizer, parecem se desvanecer no ar úmido, num prenúncio de chuva, provavelmente para o dia de amanhã. Ao lado do prédio, balança-se ao vento o denso bambual plantado junto ao galpão, e o seu movimento é percebido pelos sons agradáveis que produz em contato com o vento. E o frio da serra vai tomando o lugar do calor absurdo que tivemos neste mês de agosto. Aos poucos, aquele vai reinando absoluto nesta parte dos domínios serranos. Aqui, parece-me que tudo está como deveria ser. Pensando bem, a paisagem não deve ter mudado muito neste último século e meio, o que me leva à proximidade do ontem, como se o tempo não tivesse passado. Assim, seriam os mesmos os dias de sol, os dias nublados ou os de chuva, o mesmo céu noturno com as mesmas constelações, as mesmas árvores centenárias... A natureza permanece como fiel depositária dos cenários de outrora.


Vem-me à mente o que disse o poeta Fernando Pessoa: “... e o sol é sempre pontual todos os dias...”. Assim foi e assim sempre será. Ano após ano... De repente, o som de uma flauta tocada pela filha da dona da pousada atravessa como uma seta o véu invisível do silêncio. E uma melodia distante e desconhecida suaviza este final de tarde. Por ela flutuam meus pensamentos e o meu refletir sobre a relatividade do nosso tempo...



A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Picada Café RS


NA CAPELA, AO CAIR DA TARDE


A Dona Cecília, minha anfitriã, convidou-me a assistir a uma missa, às 18 horas, na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no centro de Picada Café. Animei-me a ir. Fomos de carro, embora o trajeto fosse curto. Antes de começarem os ritos, fiquei apreciando o interior da Capela. Nos vitrais, foram colocados os nomes das famílias responsáveis pelos recursos a eles destinados, representando com este gesto a existência das famílias mais influentes da comunidade. Como a Capela foi fundada em 13/02/1955, penso que ela não fez parte da longínqua história de minha família. Digo isto ao lembrar-me do único batismo que fora realizado naquela celebração. Na associação de fatos, é inevitável lembrarmo-nos dos casamentos e batismos realizados no passado. Num quadro à frente, perto do altar-mor, estava escrita a mensagem: “Coragem, não tenhas medo!”. Do sermão do Padre Pedro, guardei a recomendação de que, como o nosso barquinho não agüenta sozinho navegar nas tempestades da vida, precisamos deixar Deus entrar nele para seguirmos em paz o nosso curso sem naufragar.



UM CONVITE


Dona Cecília e o seu esposo Marino convidaram-me a degustar um carreteiro que seria ofertado no Pavilhão contíguo à Capela após a missa. Iríamos lá mais tarde. Na semana anterior, houve uma comemoração na cidade, uma grande quermesse, parecendo que o pessoal ainda guardava um pouco da animação daquele evento. Quando chegamos, estavam a beber os seus aperitivos, sempre falando em alemão e rindo muito. Eles falam um dialeto da região do Hunsrück, que fica na região dos rios Mosela e Reno. A maioria dos ancestrais da comunidade veio da Renânia-Palatinado na Alemanha. Os meus vieram da cidade de Dörrebach (ou Doerbach). Jantamos, nos divertimos com o sorteio de brindes, alguns inusitados, como um casaquinho de lã cor-de-rosa para uma recém-nascida sorteado por um provável vovô... Não muito tarde, fomos dar algumas voltas de carro, e voltamos para a Pousada.



No Parque Histórico Municipal Jorge Kuhn


O domingo foi frio e chuvoso. Bateu a vontade de voltar para casa, para o meu aconchego. À tarde, despedi-me da Dona Cecília e de seu marido Marino, donos da Pousada Camponesa. Foram pessoas maravilhosas. Fui de táxi até Nova Petrópolis. Durante a viagem de ônibus, na volta, a chuva bateu forte na estrada e havia muita neblina. No trajeto, fiquei elaborando algumas impressões. O que estava levando na minha bagagem? Era como se me tivessem ofertado “do outro lado” uma acolhida muito terna, simples e tocante, operada através de pessoas estranhas, que ainda cultivam os costumes locais. Digo isto, porque viajei muito triste, por motivos que nada tinham a ver com a viagem. De algum modo, senti-me reconfortada e até mesmo homenageada. Houve também o resgate de algo que estava me fazendo falta: o relacionamento humano sincero e desinteressado. No final da tarde, já estava de volta a Porto Alegre. A vida retomava o seu curso...


Texto de 2005 revisado, com algumas fotos posteriores.